Uma outra Alesp é possível?

Os contrastes evidentes da posse oficial à posse popular da Bancada Ativista podem dar indícios de que sim.

A Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), vive um dos momentos mais intensos da disputa política de sua história. Leia mais sobre isso AQUI. Que tem características muito específicas como você vai poder acompanhar na série #DiárioDaAlesp, que os Jornalistas Livres está desenvolvendo.

A começar pelo dia da posse, sexta-feira 15.03, que foi marcado por momentos históricos como a simbólica “Reintegração de Posse” feita pela Deputada Erika Malunguinho (PSOL), que seguiu em cortejo acompanhada por integrantes do Bloco Afro afirmativo Ilú Inã até a entrada do palácio Nove de Julho.

“Reintegração de posse é dar continuidade histórica a passos que vêm de longe, de uma coletividade que precisa adentrar o espaços de poder da política institucional. Que pensa que tudo está aí construído é nosso e nos foi retirado. Não aceitaremos mais mediadores ou intervencionistas que falem por nós. A história – como diria Lélia Gonzalez – será escrita em primeira pessoa!”

ASSISTA UM DOS VÍDEOS DA COBERTURA da REINTEGRAÇÃO DE POSSE 

Para ilustrar melhor o contraste do cenário, é importante descrever que o auditório da casa do povo, foi impedido para o próprio. Na posse oficial apenas familiares e poucos convidados dos próprios deputados puderam entrar. Do lado de fora o clima foi ficando tenso, assista o vídeo com as provocações feita pelos militantes do PSL aos militantes dos outros partidos.

Uma lembrança sobre como o pode ser o ritmo que vai nortear as ações desta legislatura, foi durante a diplomação dos deputados eleitos em que o co deputado Jesus dos Santos da Bancada Ativista sofreu violência por parte dos seguranças e quase foi detido por se manifestar durante a diplomação. ASSISTA O VÍDEO.

Um outro tipo de posse

No mesmo dia (sexta-feira 15 de março de 2019), às 20hs aconteceu a Posse Popular da Bancada Ativista no espaço  Cia. Do Faroeste, na rua do Triunfo, centro de São Paulo.

Imagem da Posse Popular da Bancada Ativista. Por Joana Brasileiro | Jornalistas Livres

A bancada Ativista do PSOL e Rede, propõe uma mandata(*) coletiva, representado nominalmente por Mônica Seixas do Psol, mas com mais 8 co deputadas(os), cada qual representando uma importante frente de luta e de pautas.

(*) Na política tradicional só existe a definição mandatO, por isso mudança do nome para reforçar a importância do protagonismo feminino.

A “verdadeira posse” da Bancada Ativista, começou com um ritual para abençoar a mandata, com a presença de líderes religiosos de matriz africana e indígena, Ya Omin Efun Lade e o Pajé Marcelino Tibes Karai Tenonde fizeram um ritual para abertura dos caminhos.

Ao fundo do palco, um cartaz com a imagem de Marielle Franco, olhando para céu, fazia o cenário parecer mesmo um altar em sua homenagem. Cada co deputada(o) foi empossada(o) por lideranças militantes relacionadas as pautas que cada um especificamente defende e representa.  

Essa lideranças falaram sobre as pautas, e a sua importância, antes de chamar a (o) co deputada (o), mais ligado a elas. Esse foi um ritual simbólico para demonstrar a dimensão do compromisso da Bancada Ativista com as bases que fortaleceram a eleição e construção das proposta da mandata.

Claudia Visoni foi empossada por André Biazoti, militante do movimento urbano de Agroecologia. Lita Mairá e sua companheira Pagú representando o movimento de mães  na política, lembraram as manifestações por um ano da morte de Marielle e a dor das mães do massacre de Suzano.

Naiara da Rede Emancipa que é um movimento de educação popular  e Luana do Juntas, coletivo feminista, falou sobre a luta jovem feminista e empossaram a co deputada Monica Seixas. Denis de Oliveira do Rede Quilombação do movimento negro, empossou o Jesus dos Santos.

A co deputada Robeyoncé Lima, da bancada das Juntas, mandata popular estadual de Pernambuco falou da importância desta resistência coletiva, “em um momento de tanto conservadorismo” e na luta pelos direitos dos LGBTQIs e comemorou a presença inédita das travestis nos espaços de poder, empossou Erika Hilton.

Thais Barral, que é doula e representante do movimento dos direitos do parto humanizado empossou Raquel Marques. Marcia Cris e Adriana Paiva, professoras e militantes do Afro veganismo empossaram Paula Aparecida.

Sonia Guadalajara, vice-presidente do Psol Nacional, empossou a co deputada Chirley Pankará, representante das defesa das populações indígenas. Sonia, também falou da importância da iniciativa que ela chamou de Revolucionária.

Ruivo do Movimento Perifatividade e do Movimento Cultural das Periferias, e Alex Barcelos da Agência Solano Trindade, empossaram Fábio Ferrarri.

O projeto político da Bancada Ativista  compreende que exista a participação desses militantes, lideranças e co participantes interessados no mandato coletivo, seja na articulação das bases, seja como um conselho norteador da Bancada Ativista.

Veja o vídeo da transmissão da festa que foi feito na página da Bancada Ativista no Facebook

O legado de Marielle Franco.

Os dois mandatos coletivos fazem parte do movimento Ocupa Política, criado em novembro de 2017 e do qual fazia parte a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, assassinada há um ano, em março 2018.

“O novo se choca com o velho jeito de fazer política. Essa é uma experiência para solucionar a demanda por mais representação na política. A gente se une e consegue transformar o mandato em uma incubadora de tecnologia social. E o ativismo mostra que isso funciona”, afirma a blogueira Anne Rammi, de 38 anos, ativista e co deputada da Bancada Ativista de São Paulo que espera representar os anseios das mães na política.

A Bancada Ativista se elegeu em São Paulo com 149.844 votos, e o coletivo Juntas, em Pernambuco, teve mais de 39 mil votos. No Brasil todo o movimento Ocupa Política conseguiu eleger, em sua maioria mulheres, sendo quatro deputados federais e sete deputados estaduais com candidaturas individuais (não coletivas). Foram eleitas deputadas federais Áurea Carolina (MG); Taliria Petrone (RJ); Sâmia Bomfim (Sp); e Fernanda Melchionna (RS). Os deputados estaduais são Andréia de Jesus (MG); Mônica Francisco, Renata Souza e Danielle Monteiro, ex-assessoras de Marielle Franco (RJ); Marina Helou e Érica Malunguinho (ambas de SP) e o deputado distrital Fábio Félix, no Distrito Federal. Á exceção de Marina Helou, eleita pela Rede, todos os demais foram eleitos pelo PSOL.

As mandatas Coletivas

O coletivo Juntas de Pernambuco, é compostos pelas co deputadas Jô Cavalcanti (representante nominal), a jornalista Carol Vergolino; a militante jovem Joelma Carla, que atua no interior de Pernambuco; a professora Kátia Cunha; e a advogada trans Robeyoncé Lima, primeira transexual do Nordeste a usar o nome social na carteira da Ordem dos Advogados do Brasil. Três das cinco são negras e deverão pautar também temas relacionados ao racismo.

A Bancada Ativista de São Paulo é representada nominalmente por Mônica Seixas Psol, Mãe, jornalista, feminista negra e ativista socioambiental. Co fundadora do coletivo Itu Vai Parar. Ana Rammi  é Artista, feminista e ciclista. Mãe de três e defensora da representação política das mulheres mães. Chirley Pankará, é Indígena da etnia Pankará, pedagoga e mestre em educação pela PUC São Paulo. Erika Hilton é Transvestigênere, negra, luta pelo direito à vida, dignidade e direitos sociais e humanos para todas as que são marginalizadas e excluídas pelo CIStema. Paula Aparecida Professora da rede pública estadual, militante feminista, anti-capitalista, vegana e pelos direitos dos animais. Está na luta por uma educação de qualidade que rompa com o modelo de escola-prisão. Jesus dos Santos Nordestino, imigrante, militante da cultura e da comunicação popular nas periferias, e do movimento negro. Ajudou a impulsionar a Frente Única da Cultura SP contra o desmonte das políticas culturais na capital. Fernando Ferrarri pai e militante do Movimento Cultural das Periferias e da luta Pelos direito humanos e contra o genocídio das juventudes pobre, preta e periférica. Claudia Visoni Jornalista, ambientalista e agricultora urbana. Trabalha pela agroecologia e contra os agrotóxicos, pelo manejo sustentável dos recursos hídricos e contra os resíduos. Raquel Marques é ativista da saúde, mestre sanitarista em Saúde Pública e Saúde Materno-Infantil. Presidente da Associação Artemis, aceleradora social focada na promoção da equidade de gêneros e no ativismo pelo parto humanizado.

As principais propostas são:

Combate às desigualdades como tema transversal, que engloba as causas de todos os ativistas.

Educação e saúde libertadoras, na luta por um sistema de educação que emancipe crianças, educadores, mães e pais, e por um sistema de saúde que não seja marcado por discriminações e violências – gerando ciclos virtuosos de inclusão e melhoria das condições de vida.

Cidades como espaços de produção de cultura e como uma das suas prioridades o fortalecimento de políticas de fomento à cultura e arte popular nas periferias, em regiões que historicamente sofrem com a falta de recursos e políticas públicas para isso.

Habitação e mobilidade para podermos ser e estar, morar e transitar dignamente é pré-requisito para a efetivação de todos os outros direitos. Pretendem atuar pela diminuição do déficit habitacional e pela a melhoria dos transportes públicos e das condições oferecidas e pedestres e ciclistas.

Segurança justa e humanizada. A proposta é que segurança pública que não discrimine grupos, que não reprima protestos e o direito à manifestações, e que não seja conhecida por uma violência brutal. Precisamos também de melhores condições de trabalho para os policiais.

Integração do social com o ambiente, pois defendem que não se pode problemas ambientais da qualidade de vida da população, nem o problema da desigualdade social, afinal quem mais sofre são sempre os mais vulneráveis. A proposta é trazer as mudanças climáticas para o centro do debate público e encarar de frente o desafio da escassez de água, defendendo as reservas florestais.

Democracia de verdade, com o conceito de radicalizar a democracia construindo um mandato integralmente aberto, transparente e participativo. O objetivo é trabalhar não só para o povo, mas com o povo. As portas estarão sempre abertas a todos que quiserem caminhar juntos.

Veja mais detalhes sobre os programas da Bancada Ativista em

https://docs.google.com/document/d/e/2PACX-1vR2kt6cyb2fun_hchN2dfRZ0jIMCpuVoS_psSKBDuwo8IfyQXi9MX0OeuQKw4P_YZi6eLSVicJbhltV/pub

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