Projeto Futuro do Presente, Presente do Futuro #50 – #FumaçaAntifascista

#FumaçaAntifascista apresenta o 50º ensaio do Projeto Futuro do Presente, Presente do Futuro - Imagens que narram nossa história
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Sinal de fumaça [ou: Sobre a potência ambivalente da fumaça]

Fumaça antifascista

Estamos sem governo, é necessário sinalizar isso. Com o que houver pra sinalizar. Sinalizar sim que há fumaça, há fogo, há indignação, há corpos mortos não sendo velados. E não há governo. Estamos sem governo, com um presidente que joga, com desfaçatez, com cortinas de fumaça, contra a imensa maioria da população. Estamos há quase 1 mês sem alguém minimamente competente cuidando da saúde de 210 milhões de habitantes. Há que se sinalizar que isso é irresponsável, abjeto, criminoso.

Se a fumaça era então entendida como sinal perigoso, alarmista, provocador, indutor de desconfiança (proibida junto a torcidas no estádios, por exemplo) há que se enxergar a via de mão dupla que as fumaças nas últimas manifestações representam. Foram vistas há pouco junto a uma rara união de torcidas paulistas em alerta contra o fascismo. Fascismo sim, que não se banalize o termo, mas que se dê nome às atitudes deste governo.

Fumaça sim, como desejo de novos ares, de renovação espiritual, de louvação a entidades sagradas (o catolicismo, religiões de origem afro, povos indígenas e uma série de rituais de cura confluem no uso de fumaça).

Faz-se sinal de fumaça em pedido de SOS ao SUS, em socorro das políticas públicas, contra a política enfumaçada e entorpecente que apaga o corpo que vibra, impede a vida, e que afasta a viabilidade de futuro. E a aparente imaterialidade da fumaça não pode turvar o que ela representa.

Há muitas novas ambiguidades nas fumaças de hoje: é ritual ascendente, é possibilidade de transmutação, é desejo de ventilação, é mensagem codificada de comunicação e é atitude crítica. Pois na signagem das fumaças coloridas e intensas que acontecem pela democracia, entende-se que não é mais possível ser imparcial diante da pandemia, diante do racismo, diante do armamentismo, do fascismo notório e emergente.

E se as bombas da polícia produziram fumaças contra as manifestações democráticas no dia 31 de maio na Av. Paulista, foram nitidamente um sinal de intolerância aos ares progressistas vitais que emanam de mais de 70% da população, o que não é admissível.

Então há que se distinguir as fumaças que importam e suas codificações. Entre o que é política de morte e o que é potência de vida. As fumaças que vemos agora em apoio à democracia tem seu fogo ventilado por ideais de grandeza humanitária, universais – _e há que se acreditar que não vamos ficar isolados sob um governo tirano em uma perspectiva pós-pandemia.

Bem, no campo da arte, as peças vaporosas de Robert Morris (Sem título, 1968-1969), foram utilizadas para comentar o que seria a imagem crítica ou dialética. É assim, a partir da cultura e da arte que a distinção de fumaças se processa. A imagem dialética é uma imagem em crise, uma imagem que critica a imagem. Uma imagem que convida à experiência de dizer: chega, basta, precisamos construir o que importa em uma sociedade que luta pelo coletivo e não contra o comum.

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Conheça mais sobre o trabalho:

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O projeto Futuro do Presente, Presente do Futuro é um projeto dos Jornalistas Livres, a partir de uma ideia do artista e jornalista livre Sato do Brasil. Um espaço de ensaios fotográficos e imagéticos sobre esses tempos de pandemia, vividos sob o signo abissal de um governo inumanista onde começamos a vislumbrar um porvir desconhecido, isolado, estranho mas também louco e visionário. Nessa fresta de tempo, convidamos os criadores das imagens de nosso tempo, trazer seus ensaios, seus pensamentos de mundo, suas críticas, seus sonhos, sua visão da vida. Quem quiser participar, conversamos. Vamos nessa! Trazer um respiro nesse isolamento precário de abraços e encontros. Podem ser imagens revistas de um tempo de memória, documentação desses dias de novas relações, uma ideia do que teremos daqui pra frente. Uma fresta entre passado, futuro e presente.

Outros ensaios deste projeto: https://jornalistaslivres.org/?s=futuro+do+presente

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