PRENDEM OS BICHOS E SOLTAM O MONSTRO

Entre os indígenas a maioridade dá seus sinais no corpo, tal a primeira menstruação ou ejaculação que se mostra. Entre os indígenas ninguém é maior ou menor, mas sim criança, adulto ou velho. Todos ficam sob a guarda de suas identidades e tradições. Punição pelos erros não há, nunca vi uma criança apanhar de qualquer forma nessas décadas que ando pelas aldeias, há sim reclusão de meninos e meninas quando o corpo indica que tudo está a mudar. Se recolherão às casas por longo período e aprendizado. Tudo tão diverso daqui, onde se prende para punir, se condena para excluir e se esconde para deseducar.

 

Sinto que os homens, como gênero, estão entrando em pânico em meu tempo. Talvez as mulheres nos salvem, é cedo ainda para saber.

Me recordo que a revelação no início dos 80 era o corpo da gente, pois a mente já clareada nos anos 60 e 70, dava-nos todos direitos ao prazer da juventude. Sem tesão não há solução; médicos como Gaiarsa e Roberto Freire embalavam a saúde da mente e a salvação do corpo. Nas artes todos os olhos se mostravam, de Tom Zé à Zé Celso.

 

A direita sempre foi fogueira e cruzes por toda história, nada mudou. Tem jeito não, Deus nos guarde e Oxalá, Dalai, Nhanderu, Buda, Mavutsinim ou Nossa Senhora Aparecida há 300 anos. Que todos nos guardem.

Nada mudou mesmo. Alvoreço num dia de sábado chuvoso, 30 de setembro de 2017, século XXI, na maior cidade da América do Sul e, do Museu de Arte Moderna, me chegam ondas de barbárie contra a vida, pois protestam contra a arte.

Num poema de sete faces me sinto nu; as casas espiam os homens que correm atrás das mulheres. A tarde talvez fosse azul não houvesse tantos desejos. Ai, o poeta Drummond deve se revirar no túmulo vendo tantos em entropia. Mas choramos, nosso amor cai na sarjeta das águas que nos guiavam. Nosso grito de futuro, nosso sexo, a linda liberdade ameaçada em gritos histéricos.

Se sabia que eu era fraco por que me abandonaste? Ah, gritam contra a voz que diz dentro do museu o que ressuscitar. Não entendem o anúncio, sem ler ou saber querem a morte, querem banir. Infinita felicidade que cessa, de repente, a liberdade assusta ainda a muitos. Se o povo tá sem medo, eu me cago todo, isso sim.  A direita é uma bosta.  

O dedo aponta e acusa, a boca vocifera. A praga, a insanidade pairam. Os bichos? Que se cuidem, o monstro ronda solto.

 

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

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