• denilson baniwa

    A saúde e os mártires indígenas

    Amanhece mais um dia. É um sol, água fria. Há desalento na saúde indígena. Mais um boletim marca as notas tristes desses dias, mas sei, ser indígena é persistir, meter-se na luta, manter. O número de vítimas indígenas, nas terras do Brasil, só faz crescer com o avanço da...
  • As atividades do dia

    Foi uma segunda-feira fértil, confesso, não posso negar minha mente oprimida no clarear daquela manhã. Senti uma luz indígena, suas insígnias marcando as nuvens de chuva esparsas no céu,  quando abri a porta. Uma gente que grita distante me resgatou pouca fé que tenho no país nesse momento. A...
  • Quando partem as vovós do mundo

    Vai se configurando um vazio, um vácuo na guarda dos conhecimentos arcaicos, os saberes ancestrais irão agora guardar-se em pequenas valas entre os povos indígenas, seus territórios no solo do Brasil. A terra indígena, todas as TIs, homologadas, demarcadas ou não reconhecidas, vão se cobrindo de luto. A morte...
  • Do silêncio que ouve-se

    Agora vivemos tempos de insights, flashes que piscam invadindo a monotonia dos limites da pandemia. Gosto de escrever, me remontam prisões, àqueles, quem condenados ao ato, realizam, prescindem. Certa dia, vejam só, fiquei pensando nos espinhos, farpas e algozes, aqueles mais pequenos, que de tão pequenos que são, se...
  • Anhanguera

    A queda dos bárbaros e falsos heróis

    Estátua.  Monumento. Palavras duras, pedra ou metal. Fazer ficar em pé a memória é o movimento desses objetos que, de tempos em tempos, são detonados, afogados, derrubados. Recordo-me de um Buda lindo, esculpido na pedra, implodido nas montanhas do oriente, muitos anos atrás, assim como as relíquias do Iraque...
  • Do céu sem estrelas na noite escura do genocídio

    O gesto de sufocamento, o retirar o ar de alguém, tal cortar a luz e a água de quem não honra as contas de sua morada, uma baioneta que fura os olhos da gente, de repente. A cena numa cidade americana, o joelho sobre um pescoço negro e mãos...
  • Parangolé da serpente

    Domingo passado entrei rapidamente na avenida, pensando que era dia de jogo, torcidas comemorando. Tudo em vão, minha bandeira linda  tremulava absorta ao movimento de indecentes, império das barbáries, falsas paixões. Piso no solo olhando para o céu, com todo cuidado, temo os répteis. Não é explícito, irrompe sutilmente...
  • Por que orelhas brancas não ouvem os povos?

    Tudo maltrata o coração nesse momento, os povos que pulsam. Nem mesmo o ar mais limpo, sem carros nas vias ou aviões no céu, me anima a crer que chegou um tempo de razão, o tempo da educação . Tudo carrega um pouco do pecado, digitais ou não, de...
  • Resistência da flor

    As marés andam incertas. O mar lamenta, move letras na palavra amar, armar, arma. Como tiro na fronte já não me distraio diante da televisão. Durante noites de pandemia e seus dígitos há xingamentos e baixo calão. Nestes momentos falta ar, o pulso. Coração e pulmão das águas definem...
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