O encontro das águas num país em marcha

Os protestos indígenas em marcha, em Brasília, novamente bailaram diante do Congresso Nacional. Lá, apenas os policiais aguardavam os povos e seus parentes. Um congresso todo cercado, distante do povo, me lembrava aquelas grandes áreas onde se cria gado confinado, uma engorda de bois.

Tremularam na tarde ao vento, duas bandeiras do Brasil, no meio da Esplanada, pois os índios fincaram no mastro, uma bandeira tingida de sangue e suor, entre bandeiras de todos os Estados, já tão surradas e maltratadas ao longo do tempo.

A marcha encontrou outros movimentos sociais que na capital do país, também reivindicavam, e juntos seguiram, como um encontro das águas em cores distintas, purificando e colorindo gramados e avenidas. Ora cantando, ora dançando, mas sempre afirmando: Fora Bolsonaro.

Todos concordam que o presidente é genocida, desrespeita a vida e tem pouco apreço a direitos constituídos.

Ontem foi sábado, hoje é domingo, e os indígenas não saciam sua fome de verdade, a certeza de que demarcar territórios é a única via possível, e querem água limpa de rio, roçado de mandioca no meio da mata virgem, e um vento puro querem também. É a terra que importa às etnias, o chão de seus ancestrais, de um tempo que nem o Brasil existia, e que hoje devora os seus.

Retornam ao Acampamento Terra Livre, se dispersam todos para o repouso, pois o amanhã envolve uma nova ordem que se afirma.

Imagens por Helio Carlos Mello – Jornalistas Livres

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