Opinião: Hienas em espólio eleitoral

Deputados, entre eles Jair Bolsonaro, comemoram ‘vitória’ com aprovação da redução, ontem, na Câmara dos Deputados, em Brasília. Foto: Mídia NINJA

Comissão aprova às pressas redução da maioridade penal em Brasília

A irracionalidade, característica da negociação política utilitarista, se impôs ontem na comissão especial que discute a redução da maioridade penal.

Sedentos pelos votos do campo conservador, que cresce dinamicamente entre os eleitores tradicionais de Dilma Rousseff, os partidos que fazem oposição ao governo encontraram um mínimo denominador comum que lhes permite vestir o estereótipo de justiceiros populares, enquanto a coalizão do governo — que carece de capital político — se poupou do desgaste inerente à derrota e deixou de atuar como bloco.

Foi referendado o “parecer girafa” em que a redução acontece para crimes mais violentos, o que denota a pouca seriedade dos envolvidos, uma vez que trata-se de evidente resposta aos clamores populares insuflados pela mídia tradicional, com a super exposição artificial que esses crime tem tido. É de conhecimento geral que o aumento na gravidade das penas não implica em redução da disposição dos potenciais criminosos em executar os crimes.

O posicionamento do PSDB abrandou a irracionalidade da proposta mas deixou claro que também se pauta pela opinião pública de forma populista.

O ex-presidente Juscelino Kubitschek afirmou, sobre a derrota da ditadura nas urnas em 1974 e as implicações desse acontecimento, que estava solto o “monstro da opinião pública”. Pois agora está solto o monstro, acéfalo, e nós lhe oferecemos como primeira vítima as nossas crianças.

Oferecemos ao monstro justamente os meninos e as meninas com menos recursos e capacidade de defesa. Fizemos e estamos fazendo isso enquanto coletividade, por meio de nossos legítimos representantes eleitos, que não criam consenso. Negociam e disputam tal qual hienas os espólios eleitorais uns dos outros.

 

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