Diário do Bolso: O Moro só quis ajudar o Ronaldinho

José Roberto Torero*

Diário, a Justiça não é cega. Ela só usa viseira e vai pro lado que a gente quer. Que nem burro de carga, kkk!

 

Olha só essas três coisas:

 

1-) No caso do Ronaldinho, o pessoal dele quis passar a ideia de que o cara é distraído e fez o negócio do passaporte falso sem querer. Mas não colou.

 

Quem ficou preocupado foi o Moro. Até ligou pro Procurador-Geral de lá para tentar relaxar a marcação no jogador, mas o pessoal do Paraguai não quis nem saber.

 

O Moro disse que ligou porque o Ronaldinho é “ídolo das criancinhas”. Mas quem é que acredita nesse papinho?

 

O treco é bem mais complicado: os caras que convidaram o Ronaldinho foram o Nelson Belotti, um brasileiro que é dono de um cassino por lá, e uma paraguaia que parece que é especialista em lavagem de dinheiro.

 

O Belotti já teve o sigilo fiscal quebrado pela Lava-Jato, que descobriu que ele tinha negócios com o doleiro Alberto Yousseff (aquele cara da delação premiada que o Moro deixou cumprir a pena em casa). E parece também que o Belotti tinha separado R$ 24 milhões para pagar umas propinas.

 

Mas o Moro deixou o cara em paz. Não investigou o sujeito. E na semana que vem até vai pessoalmente pro Paraguai pra tentar resolver esse negócio. É empenho demais, pô. Assim dá na vista.

 

2-) Outra boa coisa da Justiça é que uma desembargadora suspendeu a investigação de rachadinha do Flavinho.

 

É a terceira vez que brecam o processo contra ele. Antes foi graças ao Fux e ao Toffoli.

 

Enquanto eu for presidente, Diário, esse negócio não vai andar.

 

Cadê o Queiroz? Tá na minha cueca, kkk!

 

3-) E, ainda falando em Justiça, os chatos do Dã Intercépiti, que eu pensei que já tinham ficado sem assunto, contaram agora de madrugada que, em 2015, o pessoal do Dallagnol encontrou com 17 americanos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos em Curitiba. Eles ficaram na sede do MPF quatro dias por conta da investigação da Petrobrás. Tudo na moita.

 

Depois, em 2018, a Petrobras aceitou pagar uma multa de US$ 853 milhões nos EUA e 80% do dinheiro voltou pro Brasil. O plano da Lava Jato era pegar metade disso e fazer um fundo pra eles. Mas não deu certo.

 

Diário, a Justiça não é cega. Mas só aponta o binóculo pra bunda dos outros, kkk!

*José Roberto Torero é autor de livros, como “O Chalaça”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil. Também foi colunista de Esportes da Folha de S. Paulo entre 1998 e 2012.

@diariodobolso

 

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