Diário do Bolso: carta aos reptilianos de plutão

Foi fácil enganar a gente inculta daqui. Eles acreditam em qualquer coisa que se lhes diga. A Terra é plana? Sim. Vacinas matam? Sim. Eu sou honesto? Sim.

José Roberto Torero*

CARTA AOS REPTILIANOS DE PLUTÃO

Caros irmãos reptliianos,

estou há vários anos no planeta Terra, distante de nosso amado Plutão, mas a recompensa logo virá. A cada dia chegamos mais perto de nosso intento. Eu e meus companheiros já estamos nos postos mais altos de vários países e nosso plano vai de vento em popa.

Foi fácil enganar a gente inculta daqui. Eles acreditam em qualquer coisa que se lhes diga. A Terra é plana? Sim. Vacinas matam? Sim. Eu sou honesto? Sim.

Copulei com algumas terráqueas(qual o sacrifício que eu não faço por meus irmãos?) e gerei três criaturas. Meus mesticinhossabem qual a minha real missão e me apoiam totalmente. Só querem continuar vivos depois da invasão.

Aqui, logo que assumi o cargo de presidente do Brasil (os terráqueos dividem o planeta em uns 200 países, como se tudo não fosse um só lugar), já coloquei meu plano em prática. Proibi cadeirinhas de crianças nos carros,pus fim à previdência social e liberei as armas. Assim pensei garantir o fim das crianças, dos velhos e dos adultos, facilitando o Ataque Final.

Meus companheiros UE-14 e UK-56, que aqui atendem pelos nomes de Trump e Johnson, foram pelo mesmo caminho. Aliás, vocês precisavam ver os penteados que eles inventaram para disfarçar sua antena! Kkk! Ainda bem que a minha é pequenininha.

Estas nossas políticas, porém, seriam muito lentas. Então apareceu um vírus e aproveitamos a chance.

Em vez de colocar as pessoas em reclusão, mandamos que todos fossem às ruas. E eles obedeceram! Eu mesmo apertei a mão de centenas de humanos para me certificar de que o vírus se espalharia.

O mais incrível, reptilianos, é que muitos terráqueos brasileiros aplaudiram meus atos. Alguns, os mais ricos, até fizeram carreatas pedindo que seus servos continuem trabalhando e se contaminando.

Em um mês a mortandade será gigantesca. Aqui e no resto do planeta.

Em breve, irmãos, a Terra estará fraca, vazia, e vocês poderão vir para cá. Encham o tanque de suas naves interplanetárias. Chega desse frio de Plutão! Vocês vão adorar a Terra. Em particular, o Rio de Janeiro. Será delicioso espalhar nossos tentáculos pela areia.

Um abraço saudoso, BN-38.

*José Roberto Torero é autor de livros, como “O Chalaça”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil. Também foi colunista de Esportes da Folha de S. Paulo entre 1998 e 2012.

@diariodobolso

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