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Internacional

Incêndio fatal em Londres revela negligência com os pobres

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Foto: Jason Hawkes, via Jacobinmag.com

Com o crescente número de mortos do incêndio horrível e “sem precedentes”, que engoliu a Grenfell Tower de Londres na quarta-feira (14/05), razões institucionais e econômicas por trás da devastação vêm sendo destacadas, em meio a preocupações de que frequentes avisos de segurança foram ignorados pelo governo britânico.

O foco centrou-se, particularmente, em Gavin Barwell, que serviu como ministro da habitação antes de se tornar o chefe de gabinete da primeira-ministra Theresa May.

“Barwell comprometeu-se, no ano passado, a revisar a parte B do Regulamento de Construção de 2010, que diz respeito à segurança contra incêndio, mas a revisão foi adiada, de acordo com o jornal técnico Fire Risk Management”, informou Thomas Colson, do Business Insider.

Colson continuou:

“Um porta-voz garantiu que uma revisão teria lugar “no devido tempo”,

mas não se materializou.

Especialistas advertiram repetidamente que os atrasos do governo punham em perigo

os edifícios em todo o Reino Unido, após um incêndio de 2009 na Lakanal House,

uma torre no sul de Londres, que reivindicou a vida de seis pessoas.”

Os incêndios anteriores, apontou o deputado trabalhista Jim Fitzpatrick em uma entrevista de rádio, deveriam ter sido um “despertador”, mas nenhuma ação foi tomada.

O líder trabalhista Jeremy Corbyn, que visitou o local do incêndio na quinta-feira, disse que no final das contas “verdade tem que aparecer” sobre o que levou ao incêndio.

Em uma entrevista na quarta-feira, Corbyn sugeriu que cortes severos do orçamento podem ter contribuído para a gravidade do incêndio, observando: “Quando você reduz as despesas das autoridades locais, de alguma forma paga-se o preço”.

“Eu acredito que precisamos fazer perguntas sobre os equipamentos e recursos que foram dados às autoridades locais que possuem torres na área e, francamente, a maioria tem”, acrescentou. “Precisamos lidar com isso: precisamos que as pessoas vivam em segurança nos altos edifícios”.

Embora os comentários de Corbyn tenham sido atacados pelos tabloides britânicos de direita, ele está longe de ser o único que apontou para o vínculo entre cortes severos no orçamento e riscos à segurança pública. Como relatou The Guardian, os bombeiros argumentaram que “os cortes no orçamento do corpo de bombeiros cobraram um sério tributo nas operações”.

“Veja desta maneira”, disse um bombeiro, “você está preparado para trabalhar em um incêndio por um período máximo de quatro horas, estamos aqui há 12.”

George Eaton, escrevendo para The New Statesman, observou que “os números do Ministério do Interior mostram que há quase 7.000 bombeiros a menos na Inglaterra do que há cinco anos, o que leva tempos de resposta mais longos e uma queda de 25 por cento no número de visitas de prevenção de incêndio. Embora o número de mortes relacionadas a incêndios tenha caído de 750 por ano, no início dos anos 80, para 264 em 2015, no ano passado aumentou para 303. “

Alguns, além de chamar a atenção para a austeridade, ligaram o incêndio à crescente desigualdade de renda na Grã-Bretanha, observando que são os pobres e os desfavorecidos que mais sofrem de cortes nos gastos públicos.

“O incêndio de hoje em Grenfell Tower não está fora da política”,

escreveu a jornalista Dawn Foster em Jacobin na quarta-feira,

“é um símbolo da profunda desigualdade do Reino Unido”.

Qualificando de “nojentas” as disparidades de riqueza e renda, Danny Vance, pastor associado da Igreja Comunitária de Notting Hill, argumentou na sequência do incêndio mortal de Grenfell que as preocupações de segurança não teriam sido negligenciadas se fossem provenientes daqueles que viviam nos “apartamentos de 2 milhões a 5 milhões de libras ao virar a esquina.”

“Isso não é uma surpresa para mim.

Para qualquer um que tenha trabalhado em qualquer lugar no centro da cidade

– isso não é uma surpresa.

Os pobres são constantemente negligenciados.”

E concluiu:

“Coisas como esta vão continuar acontecendo se os pobres forem ignorados nesta cidade.”

 

Nota

Tradução, por César Locatelli e Ricardo Gozzi, do artigo Deadly London Fire Shows How Concerns of Poor ‘Constantly Neglected’, publicada em CommonDreams, em 15 de junho de 2017, em: https://www.commondreams.org/news/2017/06/15/deadly-london-fire-shows-how-concerns-poor-constantly-neglected

Internacional

IRÃ: A GUERRA DAS CRIANÇAS

Irã se prepara para receber 20 milhões de peregrinos nas cerimônias de despedida do aiatolá Khamenei, que se iniciam na próxima sexta-feira (3)

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O Irã se prepara para uma colossal manifestação de unidade nacional a ser realizada durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, que se iniciarão na próxima sexta-feira (3), quatro meses depois de seu assassinato, no dia 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra mais recente dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Há quatro meses, o presidente Donald Trump anunciava seu principal objetivo: derrubar a teocracia xiita, que governa o Irã desde a revolução islâmica de 1979, e se apossar das suas imensas reservas petrolíferas nacionais. Quatro meses depois, o Irã segue insubmisso já que logrou impor duras derrotas à coalizão EUA-Israel. E é nesse quadro, tendo conquistado um acordo de paz ainda frágil, que o Irã se organiza para receber estimados 20 milhões de peregrinos nas cerimônias fúnebres que homenagearão Ali Khamenei.

Uma pequena amostra desses preparativos foi o que os observadores brasileiros puderam testemunhar na noite de ontem, sob lua cheia e temperatura de 34 graus Celsius. Em uma praça no norte da capital Teerã, todas as noites desde o assassinato do dia 28 de fevereiro, se reúnem iranianos — a maioria deles praticantes da fé xiita — para homenagear o aiatolá Ali Khamenei, as 168 meninas com idades entre 7 e 12 anos, mortas por bombardeio americano no mesmo dia na escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã, e centenas de outras vítimas da guerra.

A delegação brasileira está hospedada em um hotel localizado a aproximadamente cem metros de um prédio que foi destruído por um bombardeio. As ruínas são visíveis. O clima nas ruas é de calma, mas de luto evidente. As cerimônias noturnas reúnem centenas de pessoas — e, em algumas cidades, milhares. Em Teerã, cidade de 10 milhões de habitantes, essas manifestações ocorrem simultaneamente em várias praças, espalhadas por vários bairros. Os participantes cantam, empunham bandeiras do Irã e choram abertamente. É impressionante o envolvimento das crianças iranianas nessas cerimônias.

O assassinato das 168 meninas na escola de Minab, gerou uma mobilização expressiva entre o público infantil. Na praça onde estive, crianças participavam da cerimônia: agitavam bandeiras, brincavam e cantavam músicas em homenagem às colegas mortas e ao líder supremo morto. “Podia ser eu”, disse um menino de 15 anos à reportagem, depois de sair com uma miniatura do drone Shahed-136, fabricado no Irã, arma de guerra “revolucionária”, segundo o comandante Robinson Farinazzo, da Marinha brasileira. Com um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o Shahed conseguiu confundir os sistemas de defesa dos EUA e esteve envolvido na derrubada de aeronaves norte-americanas e no ataque a navios cargueiros que se aventuraram pelo estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. Cada miniatura do Shahed, impresso em 3D, e vendida na praça, saía pelo equivalente a US$ 3, mesmo preço da miniatura do míssil Fattah-1, outra jóia do arsenal iraniano, um míssil “hipersônico” que viaja em direção ao seu alvo a uma velocidade cinco vezes maior do que a velocidade do som (cerca, 6.100 km/hora). Os meninos adoram.

Segundo a organização do enterro, o corpo do aiatolá Khamenei, em caixão fechado, deixará Teerã nos próximos dias e percorrerá cidades do Irã e do Iraque (Najaf e Karbala), onde se encontram santuários sagrados do islamismo. O enterro ocorrerá no local que ele determinou em testamento.

Segundo a agência de notícias iraniana Fars, uma cerimônia de homenagem para líderes estrangeiros e autoridades de alto escalão está prevista para 3 de julho em Teerã. Cerimônias públicas de despedida estão marcadas para os dias 4 e 5 de julho no Imam Khomeini Mosalla, na capital. Uma procissão fúnebre em Teerã está agendada para 6 de julho. Outras cerimônias estão programadas para 7 de julho em Qom, 8 de julho em Najaf e Karbala, e 9 de julho em Mashhad, cidade no nordeste do Irã, terra natal de Khamenei. Ele será sepultado no Santuário do Imam Reza, um dos locais mais sagrados do Islã xiita.

Em tempo: estou usando véu, em sinal de respeito aos preceitos religiosos xiitas. Também me visto de forma respeitosa em relação dos preceitos religiosos quando compareço a cerimônias católicas, evangélicas, judaicas ou do candomblé.  Mas, andando pela cidade de Teerã, vi muitas (muitas mesmo) mulheres sem véu. Trata-se de um sinal evidente de distensão da norma.

Por Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres

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Internacional

Rui Costa Pimenta lança livro, em Lisboa, sobre o golpe no Brasil

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Rui Costa Pimenta, jornalista formado pela Faculdade Casper Líbero e presidente do Partido da Causa Operária (PCO), fez uma turnê pela Europa, promovendo seu novo livro, “Golpe de Estado no Brasil: Balanços e Perspectivas”, onde realiza uma análise dos governos capitaneados pelo PT desde 2002 até o golpe de 2016, bem como da organização da resistência ao golpe e as perspectivas dessa resistência.

Foto: Bruno Falci

Foto: Bruno Falci

Em Lisboa, Rui falou sobre os problemas do golpe de Estado no Brasil contra a presidenta Dilma Rousseff, contextualizou a prisão do Lula dentro desse processo de intesinficação do golpe e perspectivas futuras para restabelecimento da democracia.

Estiveram presentes dezenas de participantes , entre brasileiros e estrangeiros portugueses e de outras nacionalidades, que ao final fizeram perguntas. Também marcou presença o presidente da Associação Vasco Lourenço, um dos líderes da revolução de 25 de abril de 1974 – Revolução dos Cravos, que pôs fim a 41 anos da ditadura salazarista. A mesa foi mediada por Maurício Moura, membro do Coletivo Andorinha.

Antes de Lisboa, Rui Costa Pimenta passou por várias cidades europeias, entre elas Londres, Paris, Amsterdã, Vigo, Barcelona, Frankfurt, Copenhague, Hamburgo, entre outras.

O evento foi organizado pelo Coletivo Andorinha e transmitido ao vivo pela página dos Jornalistas Livres e pelo canal do PCO, no Youtube.

 

Texto: Bruno Falci e Maíra Santafé

Fotos: Aparecido Lima e Bruno Falci

 

Foto: Bruno Falci

Foto: Bruno Falci

Foto: Aparecido Lima

Foto: Aparecido Lima

 

 

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América Latina e Mundo

CHAVISMO OBTÉM VITÓRIA ESMAGADORA NAS ELEIÇÕES REGIONAIS NA VENEZUELA

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Por Juliana Medeiros para os Jornalistas Livres

O PSUV, partido que reúne as forças chavistas, obteve uma vitória incontestável nesse domingo (15), nas eleições regionais ocorridas na Venezuela.

Os candidatos a governador chavistas conquistaram 17 dos 23 estados, 54% da votação nacional, frente à 45% da oposição.

A presidenta do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, informou em comunicado na sede do órgão em Caracas que a tendência já era irreversível, com 95,8% de urnas apuradas.

 

A MUD – Mesa da Unidade Democrática (aliança que reúne os partidos de oposição) conquistou 5 estados e apenas 1, o estado de Bolívar, ainda não tinha o cenário irreversível no momento do anúncio. O resultado deixa a MUD em uma situação difícil, especialmente por terem perdido o estado de Miranda, tradicionalmente opositor.

A participação eleitoral foi de 61,14%, cifra superior aos 53.94% das eleições regionais de 2012.

Depois dos resultados divulgados, os venezuelanos saíram às ruas para celebrar o fortalecimento de sua democracia e o encerramento de mais uma jornada eleitoral, que transcorreu com normalidade.

Para estas eleições 18.099.391 venezuelanos estavam habilitados a votar em 13.559 centros de votação instalados en todo o país. Só os habitantes do Distrito Capital não participaram do pleito por ser Caracas.

A jornada eleitoral começou às 6h da manhã de hoje e a votação contou com Acompanhamento Internacional integrado por um grupo de mais de 60 convidados, entre acadêmicos, ativistas sociais, parlamentares e jornalistas, oriundos dos EUA, América Latina e Europa, sendo 8 brasileiros.

A Revolução Bolivariana venceu em um cenário de imensa tensão. O chavismo foi derrotado nas últimas eleições para a Assembleia Nacional e desde então, a Venezuela vive um estado de conflagração permanente. No entanto, a decisão de Nicolás Maduro de convocar uma Assembleia Constituinte, demonstra haver sido acertada. A oposição tentou impedir a realização da Constituinte, concluída em 30 de julho, com muita violência. A resposta do povo, portanto, foi sábia. O voto de hoje nas eleições regionais foi um voto contra a violência, um voto pela paz.

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