Sargento Neri, deputado do AVANTE-SP, e sua fala violenta na Alesp

UNEAFRO encaminhou ofício à órgãos competentes pedindo explicações, retratação e investigaçã, fala ocorreu na na Comissão de Segurança Pública

Foto: Divulgacão
A Uneafro Brasil (União de Núcleos de Educação Popular para Negras e Negros) pede explicações à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo com relação a um pronunciamento realizado pelo deputado Rubens Cláudio Siqueira Neri, Sargento Neri (Avante), no último dia 25 de junho de 2019, durante reunião da Comissão de Segurança Pública e Assuntos Penitenciários da Casa.
O hoje deputado é policial de carreira e segundo disponibiliza em seu site ja integrou a Força Tática e o BAEP (Batalhão de Ações Especiais de Polícia). Tambem diz que realizou treinamento com o BOPE (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Foto: Divulgação

O conteúdo: “é uma vergonha nós perdermos três policiais, um garoto alvejado na cabeça, e não fazermos uma operação para matar dez. A resposta por um policial morto são dez ladrões mortos. É o mínimo. Da Polícia Militar que eu venho, nós não entregávamos uma viatura para a outra equipe enquanto não se pegasse o ladrão. Nós não faríamos o velório do policial enquanto não estivesse no necrotério o corpo do ladrão. Isso é fato, isso é guerra” e completou “eu dei aula para formação de soldados por quase 12 anos. Quando eu comecei a perder alunos, parei de dar aulas. Eu não formei aluno para morrer, eu formei aluno para matar e sobreviver. Hoje, o que nós temos é um comando fraco e um secretário de segurança fraco, nós precisamos de homens na Polícia Militar, Polícia Civil e secretaria que entendam de segurança pública”.
Em um documento endereçado ao Governador do Estado de SP, ao Presidente da Alesp e ao Secretário de Segurança Pública, a Uneafro indaga “o quanto é razoável a postura de incitação de práticas de assassinato e extermínio de pessoas e o quanto esse estímulo pode influenciar as práticas já violentas dos agentes policiais em seu trabalho cotidiano?”.
O documento também pede que que as autoridades instaurem processos investigativos sobre a atuação do deputado enquanto fazia parte da polícia militar e uma retratação pública do deputado se “não foi sua intenção orientar deliberadamente as forças policiais a agirem fora da lei, transcendo as funções constitucionais da polícia militar”.
Em seu primeiro mandato na Alesp, Sargento Neri anuncia em seu site quatro projetos de lei, todos voltados para a pauta de segurança pública. Dois deles sobre reservas de vagas para agentes de segurança em universidades estaduais e outro que aumenta a reserva de imóveis para agentes de segurança. Um terceiro busca obrigar todo banco que tiver segurança a ter cabines blindadas e um quarto que crio o “”Dia Estadual da Valorização dos Profissionais da Segurança.
A Alesp volta de seu recesso, oficialmente, no próximo dia 1 de agosto. Ainda assim, estamos encaminhando alguns questionamentos ao presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Cauê Macris (PSDB): qual é a posição do senhor sobre a fala do deputado na reunião da Comissão? O senhor já conversou com o deputado Neri sobre o caso? existe alguma possibilidade do parlamentar ser julgado pelo Conselho de Érica da Casa? O senhor concorda que o parlamentar deveria vir à público esclarecer a fala? o senhor chegou a conversar com o governador e o secretário de segurança pública sobre a situação?
Vamos aguardar as respostas ou uma data em que o deputado Cauê Macris possa receber os Jornalistas Livres para uma entrevista sobre o caso. Aproveitamos e estendemos o convite ao deputado Sargento Neri.
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Diário da Alesp
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