Sujando as mãos

De repente, na metrópole, indígenas trazem a argila, ensinam os brancos a sujarem as mãos, meterem os dedos no barro, dar forma, modelar. Já afirmaram os cientistas que de fato a origem da vida pode mesmo estar no barro. As mulheres indígenas, há muito, já deram alegria a isso.

Da argila, povos originários do Brasil, sempre fizeram utensílios, panelas, potes, ou bonecas e bichinhos como brinquedos para crianças. Índios Karajá, da Ilha do Bananal, ou os Wauja, da Terra Indígena do Xingu, os donos do barro, são grandes produtores desses artefatos, guardam milenares conhecimentos.

Na aldeia Piyulaga, dos Wauja, no Xingu, criança aprecia o biju com molhos de pimenta.

O que há de inovador agora é presenciar jovens indígenas, em condições urbanas, exercitando e ensinando antigas tradições. 

O Programa Jovem Aprendiz, de âmbito federal e regulado pelo DECRETO Nº 5.598, DE 1º DE DEZEMBRO DE 2005, na SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), adquiriu a cara indígena, onde jovens de várias etnias encontram ali uma inserção no desenvolvimento de capacitação profissional, através da elaboração do Projeto Jovem Aprendiz Indígena – PJAI. 

Kuanadiki Karajá e Mahi Trumai Wauja ,  professoras na Oficina de Cerâmica Ritxoko e Yae’ïm.

O barro aqui atua numa transmissão de saberes e fazeres acerca da relação entre arte, cosmologia e vida social. A cerâmica não só serve como instrumento, mas comunica, confirma, reinventa usos e convivência.

Panela Wauja.
Na aldeia dos índios Ikpeng, formiga Kulu, iguaria do Xingu, é tostada na cerâmica Wauja, os grandes ceramistas do Alto Xingu, que realizam trocas entre os diversos povos, suprindo a todos com o espetacular utensílio.

O índio está em toda parte. 

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