Mais recentes: crônica

  • O ESPELHO E SEU REVERSO

    O vento solar arde na pluma por mais uns mortos. O sol que aquece também seca, queima, dobra a pele dos humanos. Sol comum no céu de todos e nossa casa escura. Há uma tigresa, onça parda ou pintada, negra como a noite, e seus esturros deixam a todos atentos. Ainda...
  • TERRA DOS ÍNDIOS

    Genocídio é palavra que se ceifa, juntando letras sem rima, sem encanto. Palavras assim sempre assustam no sonho, corre-se o risco de gritos no quarto. Noite escura e longa. Mas sobrevive o termo, sempre rasgando o verbo em manchetes que perseguem tantos homens, mulheres, a criançada toda. Não se...
  • “Carlos”, o primeiro

    Sim, a aldeia está tão próxima hoje. Chego ao Xingu ou entre os Kaxinawá do Rio Jordão, no Acre, num click, um enter. Nada mais de expedições entre tantas caminhadas ou rodas na lama e barcos entre rios. Tá na rede, é índio. Sem arco, borduna ou tacape, mas...
  • DAS ALEGAÇÕES NA RONDA NOTURNA

    Ah, é dente de onça essa vida no cangote. Já nem me aventuro entre debates, abro apenas folhas antigas no que chamavam livros. Inútil por-se a propósitos, todos já tão definidos. São todos poros no papel, boa celulose em antiga tipografia, letra após letra. Renega-se, fica o dito pelo...
  • SEI O QUE FIZERAM NO VERÃO PASSADO

    crônica de Elisa Lucinda Perdão, Senhor, porque sou cristão e me sinto melhor do que os outros por ser rico de dinheiro. Perdão por ser cristão e manter minha empregada doméstica há muitos anos num quarto sem janela, com menos de 2 metros quadrados, por estar ciente de que...
  • POR QUEM TOCAM AS MARACAS?

    Pajés e rezadores Guarani estão tocando suas maracas e soprando os ventos. Há grande apreensão, espantam os maus espíritos que rondam. Fumam seus cachimbos, o petyngua. Irremediavelmente é palavra longa, termo sem saída. Há surpresas nesses tempos de veredas e toda terça-feira tem suas alegorias.  Bill Gates surpreendeu a todos...
  • ALVORADA EXILADA

    O fotógrafo Araquém Alcantara lançou, em 2015, lindo olhar sobre o Programa Mais Médicos. Sobre essa obra, o fotógrafo disse, em entrevista à época, que a edição era um “manifesto humanista”, para mostrar às pessoas a importância da presença do Estado em todo o território nacional, ainda mais tendo...
  • O SABER TRÁGICO E A SOMBRA AZUL

    Há sombras. Sombras azuis iluminam o campus. Não faltam lembranças em prédio tão firme, construção sólida que abriga a Geografia e História na cidade universitária da USP. Tantas aulas abertas já se fizeram ali nos últimos 40 anos, muitas delas históricas.  Recordo-me do geógrafo Milton Santos e seu bocão...
  • NAQUELE CHÃO TEM COVA

    Naquela terra tem cova, me assentou frase alcalina de violeiro quando eu nem sabia ainda onde hoje estaria indo. Era jovem, muito moço entre tal Saga da Amazônia persistente em sucesso de geração, água puxando rio na resistência de Elomar e Vital Farias. A dor de mim era dor...
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