Quem é Ropni, a onça fêmea?

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por Adelino Mendes / antropólogo HCTE-UFRJ

Os Menbengokre, conhecidos por Kayapó Setentrionais, viviam divididos em três grupos distintos: os Irã’ãmranh-re (“os que passeiam nas planícies”), os Goroti Kumrenhtx (“os homens do verdadeiro grande grupo”) e os Porekry (“os homens dos pequenos bambus”). Estes três grupos, desde tempos imemoriais, habitavam a região do curso inferior do Tocantins.

Depois de séculos habitando as terras do “grande pé de milho”, os Goroti Kumrenhtx e os Porekry se recusam a entrar em contato com agentes enviados pelo Estado, o que favorece cisões internas, determinando o surgimento de novos grupos Kayapó. Neste instante, um dos grupos recém separados, são os Mekrãgnoti (“os homens com grandes pinturas vermelhas sobre o rosto”) ou Metuktire (os que estão pintados de preto), quando prontos para guerra, que reagem com agressividade às tentativas de contato e “pacificação” ocorridas durante os anos de 1930, 40 e 50, embrenhando-se pelo interior do país, estabelecendo-se em território quase exclusivamente coberto pela floresta equatorial úmida, na porção meridional da floresta amazônica do estado do Pará, a Oeste do que foi seu tradicional território.

Por volta do início da década de 1930, em meio as guerras contra as frentes de expansão e outros grupos Kayapó, então inimigos, nasce, no lugar chamado Krajmopyjakare, hoje TI Kapot, Ropni, a onça fêmea. Seu pai, Umoro, era um dos mais temidos líderes de guerra dos Botocudo Setentrionais.


ilustrações por helio carlos mello©

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