OPINIÃO: O PT NÃO É UM PARTIDO SEM POVO

Relato de experiência sobre estar na festa que recebeu o ex-presidente Lula em São Bernardo

Foto: Sato do Brasil

Ontem estive em São Bernardo do Campo (SBC) para receber o ex-presidente Lula, livre após 580 dias de uma prisão arbitrária e política, junto de milhares de pessoas que enfim puderam experimentar alguma sensação de esperança nesta conjuntura política. Timidamente, abordei algumas pessoas para uma breve entrevista. O roteiro era simples: apresentação e uma resposta para a pergunta: “Por que a liberdade de Lula é uma vitória do povo?” Ninguém hesitou em responder. Não havia voz vacilante a não ser as que se embriagavam de alguma (ou toda) emoção. Estar em SBC, berço de tantas lutas que constróem a história da classe trabalhadora no Brasil, era mesmo emocionante. Éramos muitas/os. Éramos todas/os!

Lula iniciou seu discurso dizendo que foi ali que ele aprendeu lutar por direitos. A homenagem é merecida, mas quero ousar dizer que foi antes, ainda menino, sendo personagem de uma história que se repete Brasil afora, de fome e privação de direitos. O operário nordestino era o espelho de muita gente que – certamente com dificuldade, mas também com muita certeza – se dirigiu até São Bernardo. Eram mulheres e homens das classes populares, trabalhadoras e trabalhadores de todos os estados. Haviam militantes do movimento sem terra, sem teto, feminista, indígena, LGBT. Trabalhadoras domésticas, petroleiras/os, professoras/es, estudantes, etc. Tinha povo. O Partido dos Trabalhadores (PT) não é um partido sem povo!

“Lula Livre é a possibilidade de fortalecer as nossas lutas, pra gente reconstruir esse país e lutar contra o desmonte das políticas públicas que o governo que está ai está fazendo e o veneno na nossa comida. Lula é o povo e o povo é Lula. A liberdade de Lula não basta. A gente tem que estar na rua e tem que lutar, para que a gente mantenha essa liberdade e para que ele saia com o julgamento anulado, com todos os direitos políticos, pra gente reconstuir a nossa nação”, afirmou Maria Flor Guerreira, da etnia Pataxó, de Minas Gerais.

Sarah de Roure, militante feminista da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), lembrou que “a liberdade do ex-presidente Lula é uma liberdade que não representa só um homem fora da prisão. Ela representa a possibilidade do povo brasileiro voltar a sonhar. A prisão do Lula fez parte de um longo processo de golpe no Brasil, que começou em 2016 e viabilizou a eleição do Bolsonaro. Pra reconstruir a democracia, a gente precisa do Lula nas ruas, rodando esse país falando com as mulheres, com os homens, com a juventude. Falando sobre os problemas concretos do povo brasileiro”.

O sentimento de quem se misturava a toda essa gente, alegre, cantante, era o de que ali ardia uma fagulha de esperança. A de que venceremos as muitas batalhas a serem enfrentadas para construir um país justo, talvez com a dignidade de um homem de 74 anos que venceu a fome que marcou sua vida, ajudou a combater a miséria que assola milhões de pessoas no Brasil e mesmo aprisionado não baixou a cabeça. Lula nunca ofereceu o que seus algozes queriam. Lula manteve o seu compromisso com o povo. O PT não é um partido sem povo!

Sabemos que a luta continua – e que ela nunca parou. Não se trata de uma esperança torpe, imobilizante, mas de uma crença de que não se faz luta sem gente. Ontem, esta gente de luta, que constróe greves, mobilizações, que vai às ruas, hasteia bandeiras, sabia exatamente onde era o nosso lugar. O mesmo se dará no futuro.

Lula Livre!

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