Meu primeiro amor” só pode acontecer se for hétero?

Por Marcio Anastacio para os Jornalistas Livres

Quem não lembra do filme “Meu primeiro Amor” sucesso da “Sessão da Tarde”? As pessoas achavam fofa a história de crianças de 12 anos em sua primeira paixãozinha. Era lindo porque era um menino e uma menina.

Durante estará semana circulou fortemente um vídeo de dois meninos dando um beijo no aniversário de um dos dois. Eles têm 13 e 14 anos, mas o que chama atenção para nós, não é a idade deles, mas o fato de como estão usando essas imagens para atacar a população LGBT.

Antes de qualquer pessoa querer julgar o fato, é necessário debater sobre uma sociedade hipócrita estruturada no machismo onde os pais perguntam aos meninos, antes dos 10 anos de idade: Você já está namorando? E os cobram essa resposta.

A mesma sociedade que se choca com o beijo de dois meninos de 13 e 14 anos não se espanta ao saber que é costume em alguns lugares do Brasil um pai levar o filho para um Cabaré (nome dados a casas de prostituição no Nordeste) para fazê-lo perder a virgindade com prostitutas, já aos 12 anos, mesmo contra a sua vontade.

A sociedade conservadora, moralista e hipócrita não nos serve. Eu já fui uma criança viada, meus amigos começaram a descoberta da sua sexualidade aos 12 anos, outros um pouco mais tarde, como eu. Nessa idade todos e todas não querem mais ser Boca Vigem (BV). Isso não atingiu o nosso psicológico. O que destrói a nossa saúde mental é a LGBTfobia cotidiana.

Para a direita conservadora, todo dia é dia para jogar pedra na população LGBTs, mas nos “somos muitos, não somos fracos” e não iremos recuar na conquista de direitos e no diálogo pedagógico com a sociedade para tratar temas vinculados as nossas pautas.

Márcio Anastacio. Jornalista e Bicha nordestina

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