Licença para matar

Derrubam-se árvores, o fogo lambe a terra.

 

Tudo vira pó.

Milhões de seres em pó: bactérias, fungos, formigas, caramujos, macacos, onça, anta.

Tantos enfim unificados.

Solidariedade é própria dos ventos,

Leva, compartilha.

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Pedaços da Amazônia, poeira fina, estão em meio a meu quintal, piso frio, depois de leve chuva.

 

Gráfico, reta, anúncio, arte? 

 

Não sei, é tudo sujeira dos homens.

 

Reteno é o nome da substância que deixou preta a água da chuva, ontem, em São Paulo.

 

Água escura, lágrimas de queimada.

 

A tristeza da floresta é uma fumaça que invade o abraço, um medo obscuro que envolve a cidade grande.

 

 

 

Lamentar? Fugir para onde? Plantar árvores

desesperadamente?

 

A cidade estava tão quieta hoje.

 

 

 

 

 

 

leia mais:

https://revistapesquisa.fapesp.br/2017/09/11/poluente-emitido-pela-queima-de-biomassa-causa-dano-ao-dna-e-morte-de-celula-pulmonar/

 

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