Índios, negros e pobres

Verde e rosa deveriam ser as cores de nossa bandeira, sendo que jamais será vermelha, e o amarelo e verde andam sequestrados em mãos indevidas.

 

As páginas ausentes nos livros de história afloram na hora do carnaval e seus desfiles, e a Mangueira, terna escola de samba carioca, expõe um enredo que corta a carne dos homens, uma história para ninar gente grande, o lixo embaixo do tapete, as sevícias da conquista.

 

Por que cabe ao samba e ao morro expor a cara da gente, o grito entre batuques e passos de mestre sala e foliões, a face mais sofrida da pátria?

É madrugada, a Mangueira desfila e assombra, entre brilho e alegria, verdade que não cala.

 

Escorre sangue de índio na praia, na pedra, no mato de nossas almas. Do preto é a carne que apanha e brilha. Pobres são todos que assistem e velam, pois sambar é brotar ausências, uma alegria que chora.

 

Se a arte imita a vida, ou se é a arte que dita a história, sempre será cedo para saber, a história não finda. Tenho sim minha sede plena de água e chuva, minha fome farta de bom alimento que nasce nas ruas entre o povo. Carnaval limpando a alma, ritmistas trançando a flâmula.

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