Querem ver a ferida

 

Sobre o muro da viela, sob erva daninha de rua, resiste colado um ato casto, um protesto que não cessa.

Roda mundo, roda gigante, canta Chico Buarque na rádio do quarto, entre o computador e o televisor. Na tv sem som, vou alterando os canais, vendo as grandes emissoras mostrando o Galo da Madrugada entre outros blocos.  No computador a mídia livre aguarda um avô a velar seu neto, e outros jornalistas se empurram querendo delatar atos de rebelião, cortar cabeças. Mas é de paz o líder e seu povo em comunhão no triste momento.

 

Não sou um pintor valentão, como me chamam, mas sim um pintor valente, isto é, que sabe pintar bem e imitar bem as coisas naturais, disse Caravaggio, em certo tempo distante.

 

Perversa é a engrenagem das coisas, mói apreço, rói caráter, macula a face.

 

Desperto em luto, não por ser cantor ou pintor, mas humano, homem também. Morreu um menino, me trouxe esse mundo de fora pra dentro, me pune.

 

 

Alguns se alegram com a morte, ratos da noite. Mundo injusto, de botas e arma em punho sobre o pranto de muitos. Lula não chegou liberto aqui, nem livre seguirá seu rumo, dizendo aos homens o que pensa.

 

Ora a perda, abraça os seus, chora entre parentes.

Há um corte na pele, ferida que não sela. Essa vida é caatinga, não se iluda, fura o couro. Cego são os outros. Há monstros no horizonte, sertão na alma e a visão turva.

O bruxo de Caetés, nossa viga, avança, fé cega, faca amolada. Luiz Inácio é foda.

Além dos oceanos desenham a face internacional do comandante, incauta mancha exposta.

 

 

Acaso a pele vermelha que cobre a alma branca também é verde, amarela, preta. Vós, que urra, proíbe, berra, boi de pasto, não entendem esse pranto.

 

 

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