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Um dia vi Crânio, um moço, no guindaste fazendo mural. Era metrópole, hoje isola sua senda, desmata, interrompe o ciclo. Amazônia, sua gente.

Fiquei pensando agora, enquanto a rádio tocava Palhaço, de Egberto Gismonti, se haveria um dia da Amazônia, no Brasil de fato. A floresta, perto do fogo todo dia, finda.

Há um desencanto, estranho sentimento em ver que o mundo virgem desiste de seus encantos, uma saudade do que vimos quando jovens, do avião ou à pé, entre trilhas.

De repente, repetem-se trajetos. Onde antes era mato, ontem ainda, hoje é toco, é pasto, é revirado solo de garimpo e seus entornos, tal boca banguela.

Penso em passarinhos, mariposas,  em borboletas, beija flores em dias assim. Tão frágil, delicado é o vínculo. Meu amigo Yanahim, do Xingu,  dos milenares indígenas Waujá, gente de barro e fogo, a melhor cerâmica dessa gente assim, de mato. Tudo vai bordando, índio, preto, tv, rede e cuidados.

Yanahim Waujá, da Terra Indígena do Xingu. Seu alimento, fortalecido por doações de entidades para boa nutrição, torna possível o isolamento e as compras na cidade e possível contágio ao corona vírus.

O poder da autoridade. O vento vai levando tudo embora, mas resiste, avança.

Quando tudo falha no rumo das coisas, sei bem, o bem é comunicar-se, alertar, expor a fina estampa da realidade. Tomba árvore, turva água, para o ar junta-se a fumaça do horizonte. 

Interessante ver que da garoupa, agora se faz lobo guará a nova cédula e seu valor.

Dia da Amazônia é coisa de tons, como cantava o Tom Jobim, se o mato que é bom, o fogo queimou Cadê o fogo? A água apagou E cadê a água? O boi bebeu Cadê o amor? O gato comeu E a cinza se espalhou E a chuva carregou Cadê meu amor que o vento levou? (Passarim quis pousar, não deu, voou).

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