Mais recentes: crônica

  • UM DEUS COMBUSTÍVEL.

    Acordei pensando em José, mas era Temer que aparecia na tv logo cedo. Saí para a rua, ví tantas filas de carros virando as esquinas e professores e alunos protestando, desafiando a poesia ruim desses dias. O presidente com a chave na mão quer abrir a porta, não existe...
  • ARRENEGO DE QUEM DIZ QUE NOSSO AMOR SE ACABOU.

    Era um clube da esquina num plano onde esquinas não são permitidas. Naquele dia me lembro de Dilma em Brasília, mais ainda me lembro de Luís, todo suado. Era um dar a mão no fim do caminho, uma saída, um saimento, um jeito ou solução. Tão feroz se impunha...
  • Donde vem? onde vai? Das naus errantes

    São montanhas de roupas velhas, tão velhas. São ferros retorcidos, entulho. Vapores me fazem pensar no Ararate, o monte entre ocidente e oriente. Centenas de pessoas entre roupas coloridas parecem esperar, eufóricas, a arca diante do caos; alguns talvez se salvem. Quem é que ocupa essa praça, quem está...
  • É VERMELHO O CHÃO DO PLANALTO.

    Um dia foi virgem o chão dessa terra. Seu adubo foi sangue, foi doença, foi servidão. De sua graça fez-se prisão, expropriação. Triste olhar-se no espelho e não ver um dia de paz em nossas rugas. Tudo é dominação em nossa face de nação. Onde não havia via hoje...
  • DIA DO ÍNDIO.

    ,  ....
  • TINHA UNS PATOS NO MEIO DO CAMINHO.

    Meus amigos estão tristes, sonham com a rebelião. Dói na geração, nascemos em 64. Nossas contradições, nosso foro privilegiado, nossa ficha limpa. Há uma angústia em mim, penso na poesia, seus poetas e a dúvida. Recordo-me de Manoel de Barros contando que, em 1945, vai para o Largo do...
  • CORRA. PARE.

    Em beira de rio ou em rua seca de agreste, crianças correm. Crianças nascem para correr, vi sempre em todo lugar. São dias de buraco de bala, tiros na lata e na pele, metais pesados caídos nas águas e portos. Tudo denuncia a palavra TÓXICO nesse momento. Arrancam bauxita...
  • QUANDO TUDO FAZ ÁGUA.

    Não há zona de conforto ao homem que guia a proa ou provém remo e leme. Ser remador, barqueiro ou piloto exige pleno aprumo, coluna sã e coração limpo. Só quem perdeu-se em caatingas e sabe de sertões e das imensidões fluviais e suas ciências, entende o lamento das...
  • DO ILÊ QUE ONDEIA.

    Estava em Gôiania vendo imagens das margens  em mim quando a notícia entrou extraordinária na tela. Arbitrária TV de hotel viola minha sede ou fome, meu descanso das unhas e couro. Tal manchete corta a alma entre capitais: ASSASSINATO NO RIO. Rio que não sacia, um janeiro sem ano...
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