Mais recentes: crônica

  • FINA ESTAMPA DA BOA MESA.

    Davi morreu, não venceu a batalha, morreu pelos hábitos da boca. Davi fazia pastéis tradicionais da Serra do Roncador, sua massa de farinha crua e caldos, recheios de carnes e a fritura fina em óleo quente. Em 16 anos de frequentes presenças no Mato Grosso e sua Canarana do...
  • TODO MENINO É UM REI

    “Eu também já fui rei / mas quá / despertei”, cantava Roberto Ribeiro. A vida não tem sido fácil para os nossos pequenos reis. Principalmente para os brasileiros. Cada vez que penso nos meio-irmãos Kauã e Joaquim, estuprados e assassinados pelo próprio pai e padrasto em Linhares (ES), meu...
  • BOLA DE ÍNDIO OU ÍNDIO NA BOLA?

    Certo dia a aldeia estava deserta, ninguém a cruzar o pátio, a correr atrás de bola. Era dia de jogo, clássicos de Copa, o Brasil em campos. Todos se recolhiam no interior das grandes casas frescas; na TV a paixão grande. Galinhas vagueavam calmamente na tarde e lhes dei...
  • UM DEUS COMBUSTÍVEL.

    Acordei pensando em José, mas era Temer que aparecia na tv logo cedo. Saí para a rua, ví tantas filas de carros virando as esquinas e professores e alunos protestando, desafiando a poesia ruim desses dias. O presidente com a chave na mão quer abrir a porta, não existe...
  • ARRENEGO DE QUEM DIZ QUE NOSSO AMOR SE ACABOU.

    Era um clube da esquina num plano onde esquinas não são permitidas. Naquele dia me lembro de Dilma em Brasília, mais ainda me lembro de Luís, todo suado. Era um dar a mão no fim do caminho, uma saída, um saimento, um jeito ou solução. Tão feroz se impunha...
  • Donde vem? onde vai? Das naus errantes

    São montanhas de roupas velhas, tão velhas. São ferros retorcidos, entulho. Vapores me fazem pensar no Ararate, o monte entre ocidente e oriente. Centenas de pessoas entre roupas coloridas parecem esperar, eufóricas, a arca diante do caos; alguns talvez se salvem. Quem é que ocupa essa praça, quem está...
  • É VERMELHO O CHÃO DO PLANALTO.

    Um dia foi virgem o chão dessa terra. Seu adubo foi sangue, foi doença, foi servidão. De sua graça fez-se prisão, expropriação. Triste olhar-se no espelho e não ver um dia de paz em nossas rugas. Tudo é dominação em nossa face de nação. Onde não havia via hoje...
  • DIA DO ÍNDIO.

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  • TINHA UNS PATOS NO MEIO DO CAMINHO.

    Meus amigos estão tristes, sonham com a rebelião. Dói na geração, nascemos em 64. Nossas contradições, nosso foro privilegiado, nossa ficha limpa. Há uma angústia em mim, penso na poesia, seus poetas e a dúvida. Recordo-me de Manoel de Barros contando que, em 1945, vai para o Largo do...
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