O planeta com febre

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O presidente daqui aterrissará em Washington e dará a mão ao presidente americano. Presidentes não acreditam em assombrações, nem nos fantasmas que vemos, negam que os mares estão revoltos e que o gelo derrete nos polos. Não temem ventos, alagamentos, incêndios; firulas de malucos, crêem.

Seria bom se homens assim, de tanto poder, tivessem a razão das pedras, que nada precisam dizer, e fosse mesmo pura ilusão a febre do planeta. Os presidentes daqui e de lá dizem que ativistas defendem borboletas e abelhas porque são desocupados e o aquecimento global é sandice dos fracos, de vermelhos mal intencionados, que querem barrar o desenvolvimento da nação.

Por pudor somos impuro.

Negam a natureza das coisas e mostram suas carteiras cheias de cientistas a lhes liberarem a patifaria na usura do planeta. Quem vai pagar a conta são os que virão, não governantes em seus mandatos vaidosos. Homens assim não guardam luto pelo planeta, nem acreditam que habitamos um ser vivo chamado Terra. Cada um que cuide de seu quintal, dizem eles.

Vinte cientistas brasileiros, os ditos negacionistas, assinaram uma carta aberta ao ministro do meio ambiente, por uma agenda climática baseada em evidências e nos interesses reais da sociedade. Garantem ao ministro que são doidos aqueles que afirmam o tal aquecimento do planeta.

Quando criança ouvia que cientistas são malucos. Creio que não, mas mentem quando querem.

A avaliação mais abrangente e rigorosa sobre o estado do meio ambiente, desenvolvida pela ONU Meio Ambiente durante os últimos cinco anos, foi publicada quarta-feira, 13, com um alerta de que os danos ao planeta são tão desastrosos que a saúde das pessoas será cada vez mais ameaçada se ações urgentes não forem tomadas. O sexto Panorama Ambiental Global foi lançado enquanto ministros do Meio Ambiente de todo o mundo participam do fórum ambiental de mais alto nível, em Nairóbi, Quênia.

Hoje, em Portugal e vários países do mundo, milhares de jovens saíram em protesto, estudantes em greve pelo clima, algo belo de assistir e saber nesses dias tão tristes de lamento.

Imagem por Antônio Pedro Santos©

Sydney, Austrália.

Presidentes não lêem poesia.

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