Al Janiah, bar de refugiados em SP, é alvo de ataque xenofóbico

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Um vídeo que circulou, hoje, nas redes sociais mostra três suspeitos se aproximando do Espaço Cultural Al Janiah, no bairro do Bixiga, e atirando bombas e gás de pimenta dentro do estabelecimento, causando pânico entre os frequentadores. No momento do ataque, ocorria um apresentação de artistas brasileiros e sul-africanos.

Pelas imagens de segurança é possível ver um dos suspeitos, que vestia coturno e uma camiseta com a bandeira do Estado de São Paulo, empunhando uma faca e ameaçando quem estava na porta, enquanto seu comparsa, também calçando coturno, atira uma bomba para dentro do Espaço Cultural.

O vídeo circulou após um relato postado pelo DJ Marcel Rouge, que trabalhava no local, durante o ataque:

“Uma das maiores barbáries que já presenciei. Xenofobia não é mimimi. Jogaram garrafas e gás de pimenta dentro do Al Janiah, um local de refugiados, que emprega 35 pessoas. É revoltante e triste presenciar isso. Esse ódio por causa da cor, etnia e orientação sexual é algo que não tem como aceitar. Esse presidente é a pessoa mais bizarra que tem no mundo. Eu vomitei e passei mal com as agressões. Um monte de gente também. Até quando isso? A palavra RESISTÊNCIA é motivo de chacota em rede social, no dia a dia quem sofre são os de fora, os negros e os homossexuais. O que passei e vi hoje jamais irei esquecer. Fascistas, reaças imbecis, vocês são uns merdas. E estaremos resistindo a isso. Hipócritas. O que está acontecendo no Brasil não pode ser assistido calado. Não dá pra apoiar torturador, não dá pra aceitar isso. Pensem. Mais Amor. Preconceito e ditadura não dá, não dá pra tapar o sol com a peneira… Lamentável”.

Este não é o primeiro ataque de ódio sofrido pelo estabelecimento, que tem mais da metade do quadro de funcionários composto por refugiados da Palestina, Síria e imigrantes de Cuba, Argélia e outros países. Em junho de 2016 o restaurante já havia sido alvo de ataques nas redes sociais, como apresentamos aqui nos Jornalistas Livres, quando uma matéria do Estadão citou o lugar por ser uma referência para imigrantes e refugiados não só do Oriente Médio, como mostramos aqui. No ano seguinte, em 02/05/2017, a violência saiu das redes e atingiu Hasan, proprietário do Espaço Cultural, que foi agredido por grupos de extrema-direita, conforme também noticiou os Jornalistas Livres na época.

Procurada pela reportagem, a direção da casa não quis se manifestar sobre o ataque até o momento.

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