A Vale segue com apetite para matar

BRUMADINHO, MG - Empresa tenta destruir mata para ser autorizada a expandir extração de minério de ferro

Moradores vizinhos correram para o portão da mina da Vale para denunciar fogo na mata - Foto Divulgação

Todo ano acontece a mesma coisa: a Vale trata de colocar fogo na mata junto à Cachoeira da Jangada, entre Córrego do Feijão e Casa Branca, distritos de Brumadinho, segundo os atentos moradores vizinhos. O objetivo já se sabe: destruir a mata para que a empresa possa obter autorização dos órgãos ambientais para expandir a extração de minério de ferro, que ainda há muito por lá. Foi ali perto que estourou a barragem que matou 249 pessoas no fatídico dia 25 de janeiro. Ainda há 21 pessoas desaparecidas. Até quando?

Às 20h desse sábado, 14, um casal garante que viu funcionários terceirizados da Vale tocando fogo na mata, de novo. Na escuridão eles fugiram numa caminhonete refugiando-se no interior da empresa. “Chamamos a polícia, fizemos um boletim de ocorrência exigindo que a Vale forneça a trimetria”, afirmou aos Jornalistas Livres a presidente da Associação Comunitária Jangada, a jornalista Carolina de Moura, que mora nas vizinhanças da mata ameaçada. A trimetria é o vídeo que permite verificar quem entrou ou saiu das instalações da mina da Vale.

Tão logo a notícia correu pelas redes sociais, vários moradores também correram para junto do portão da empresa, na tentativa de intervir contra o fogo. Foram barrados, mas puderam ver, e filmar, por exemplo, um caminhão pipa jogando fora toda a água que poderia ser usada no combate ao fogo. Muito estranho! Os moradores da região continuam atentos e vigilantes, afinal, não interessa a ninguém a expansão da Vale em Brumadinho depois dos crimes que cometeu.

Aliás, além de derrubar mata, há constantes denúncias de que a Vale tenta de várias formas se apossar das casas das vítimas do crime cometido com a lama derramada por sua barragem em Brumadinho. De quem foi indenizado por perda de sua casa, por exemplo, a empresa insiste em se tornar a  nova dona do terreno. O objetivo seria ampliar suas fronteiras para a livre exploração de minério de ferro em sua mina junto à Serra Pico dos Três Irmãos.

É sempre bom lembrar que um documento de autenticidade comprovada pela própria Vale revela que a empresa previu há anos que, em caso de rompimento de sua barragem em Brumadinho, apenas dez pessoas morreriam, causando um “prejuízo” de R$ 2,6 milhões à empresa. Esse é o preço de dez vidas para a Vale. Ela só não previu que o rompimento poderia acontecer na hora do almoço de uma sexta-feira, atingindo muito mais gente, como aconteceu. Ou seja, a Vale brinca com a vida dos outros!

E também é sempre bom lembrar: minério não dá duas safras!

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Um comentário
  • Sandro Pavezzi
    16 setembro 2019 at 19:48
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    Vivemos em uma unidimensionalidade financeira onde tudo é precificado.
    Utilizando os dados da matéria a Vale gastará 70 milhões em indenizações.
    Mas com o rompimento da barragem ela teve uma diminuição na produção, mas em contra partida uma elevação de 17% no preço do minério.
    Desta forma ela arrecadará mais 270 milhões, pagará os 70 milhões com indenizações e terá um lucro de 200 milhões com o acidente.

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