A nave

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Quando as Sondas Pionner partiram, em 1972 e 73, levando mensagens da humanidade para o infinito intergalático, não disse muito do caráter dos humanos, apenas nossa aparência, localização, origem e perfil da nave.

Fico pensando nisso, entre pequenas e simples coisas do dia a dia, se não enviamos uma fake news para os extraterrestres, omitindo nossa agressividade e carências. Nossos valores, nossas frustrações, as necessidades que o mercado nos obriga, nada disso seguiu e prossegue na carta espacial.

Mesmo sendo o amor e a paz desejo comum das nações, não conseguimos nos entender entre as pátrias todas, nem entre nossas casas nos compreendemos assim, plenamente ternos. Os corpos trucidados seguem pelos campos, nos desertos e nas metrópoles ou pequenos vilarejos.

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                          Quatro índios Guajajara assassinados, no Maranhão, em dias recentes e alternados, denunciam um país em desequilíbrio.

Sempre cri na evolução das coisas, a esperança como resistência ou resiliência, mas um desacreditar me suga em dias assim de crise, indígenas assassinados pelas veredas, jovens pisoteados pelas vielas, pretos mortos em qualquer canto escuro de nós.

Não sei dizer, talvez quando receberem a mensagem, e os alienígenas aceitarem nosso convite e chegarem aqui, tudo já tenha mudado, sem nada termos nós deixado para trás.

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