Saber tradicional em risco: conheça a história de Dona Ana, atingida pelo crime de Brumadinho (MG)

Acampada no Pátria Livre, ela é uma das muitas pessoas que não poderão mais utilizar a água do Rio Paraopeba na plantação

Foto por Agatha Azevedo | Jornalistas Livres
Desde que o Acampamento em São Joaquim de Bicas foi ocupado, no dia 26 de julho de 2017, Ana Margarida, mais conhecida como Dona Ana, planta ervas medicinais e tem aproximadamente 50 espécies no quintal de casa. Ela entendeu que o seu papel no Movimento era cuidar do outro com amor, e fazer parte do setor de saúde do MST. “O meu objetivo aqui é cuidar das plantas medicinais, para ajudar o pessoal no tratamento, aliviar o bolso e a dor de cada um.”
 

Foto por Agatha Azevedo | Jornalistas Livres

Em seu quintal, uma infinidade de plantas – que servem para a prevenção e cura de doenças e ela compartilha com todos que precisam. “Eu não sou sem teto, sou sem terra, quero terra para plantar, eu amo as plantações e onde eu morava eu não tinha onde plantar!”. Assa-peixe, Saião, e Cordão de Frade são mais do que ornamentação para a senhora, que está na luta pela terra.

 
Sobre o Rio Paraopeba, ela conta que conheceu várias pessoas que morreram na tragédia, e sente hoje a dor que todos os acampados na região sentem, por não poderem mais pescar, nadar, lavar roupa no rio, e principalmente, regar as suas hortas. Após 48h fora de suas casas por segurança, os moradores que vivem à beira do Paraopeba ainda convivem com o sentimento de insegurança diário, tanto pela água poluída, como pelo risco de que o rio transborde.  
Dona Ana olha para a sua vida e reflete que, mesmo após tanta luta, a perda da bacia do Paraopeba, poluída pela lama dos rompimentos de barragem em Brumadinho (MG), outras perdas estão por vir por conta da ganância da Vale. “A gente pode até perder a plantação por causa da água, e acabou a questão de pescar um peixinho de vez em quando. O rio está morto, infelizmente.. só temos lama”. Com esperança, ela olha para o rio e relembra os momentos vividos ali. “Mas enquanto a gente vive, existe luta, a gente já está aqui a tanto tempo, tivemos um trabalho tão grande, e eu estou disposta a lutar!”
 

Foto por Agatha Azevedo | Jornalistas Livres

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