Resistência e emancipação para democratizar a comunicação

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Por Henrique Faria, para os Jornalistas Livres

No dia 21 de Outubro, aconteceu na ocupação Carolina Maria de Jesus, em Belo Horizonte, a Roda de conversa “Web, Mídia e Resistência”, protagonizada por Florence Poznanski, do FNDC, pela Deputada Federal Margarida Salomão (PT/MG), pelo hackativista Lucas Oliveira, e pelas vereadoras de Belo Horizonte Áurea Carolina e Cida Falabella (PSOL), da Gabinetona. O debate fez parte da programação da Semana da DemoCom, organizada pelo FNDC.

Após o golpe de 2016, a liberdade de expressão e de comunicação vem sofrendo, junto com os brasileiros. Um dos primeiros atos do ilegitimo governo foi atacar a EBC (Empresa Brasileira de Comunicação, responsável pelas emissoras públicas, que em Minas Gerais são a Rádio Inconfidência e a Rede Minas de Televisão) acabando então com seu conselho curador, com a mídia pública e com o ministério das comunicações.

Esse desmantelamento da comunicação pública cria uma lacuna no país, encoberta pela mídia comercial, ou seja, mantém-se o monopólio das grandes famílias que dominaram o cenário midiático durante anos, e desincentiva-se que a comunicação pública e as mídias independentes avancem. Temos hoje no país um cenário onde 50% da população ainda não tem acesso a internet, e com o fim do Plano Nacional da Banda Larga, ficará ainda mais dificil ainda alcançar essa população.

Este debate nos mostra que a comunicação deveria ser central nas lutas políticas, pois de seu poder é que emana a emancipação dos povos, já que a mesma influencia e muito a população. Lucas Oliveira, hackativista, comenta: “se você comparar a informação que uma criança pobre pode acessar na Internet e a informação que uma criança rica acessa, não é a mesma coisa”

Outro ponto debatido foi a atrocidade do projeto “Escola sem partido”, que retira das escolas o debate sobre política, raça, gênero e preconceitos que continuam matando milhões de brasileiras e brasileiros, todos os anos. A censura está tentando silenciar os meios de comunicação, as escolas e nos últimos meses, está atacando também as artes com as tentativas de fechar exposições em todo o país, cujosconteúdos não agradam à classe dominante, conservadora e burguesa.

É das mídia hegemônicas a decisão de o que as pessoas irão assistir em seus televisores e rádios, e é papel dos novos meios pautar outra agenda cidadã, para quebrar estereótipos e narrar o novo. Revivendo os argumentos da deputada Margarida, se a escrita foi uma invenção revolucionária guardada para as elites que sabiam ler e escrever, a internet tem o potencial de transpôr barreiras e reescrever a história através da democratização da comunicação.

Com este debate, o comitê mineiro do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação se preparou para sua plenária final, que aconteceu no domingo (22) e pautou quais seriam as principais ações mineiras na luta por voz no país e no estado.

Revisado por Agatha Azevedo

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