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Cada metro a mais de cidade é um metro a menos de futuro.

Os elementos da resistência são a água, a terra, o ar, numa revolução Guarani, tal uma flor no horizonte da cor da pele, ouço bem nessa manhã.

O jovem homem, líder, clarea.

Dos clãs da terra infinda, alerta: há uma doença na conquista. Mata, desmata, suja impune.

Anhangabaú, os demônios estão vindo.

O espaço que fere, recorta, Anhanguera.

Do alto da pedra viam, do Jaraguá, aquele que cortava ao meio crianças, abria mulheres em duas, acorrentava homens.

Paixão de falso chefe, caminho de Anhanguera, o demônio a partir carne de gente.

Assim foi, assim contam.

Conta o homem jovem após tantos que ali viveram, índios Guarani, antigos, sucessivos.

Davi Karay Popyguá, indígena Guarani Mbya.

Há um pouco de água, nascente, que ao lado da casa de reza, rés. É uma aldeia, depois dela tanta cidade há, mas é aldeia e é índio, sobrevive, resiste.

Pedra, fumo, juro no pouco de mato que resta na grande metrópole.

Seria uma quarta-feira comum, não fosse um dia em aldeia,

ideia vazia entre branca fumaça para o mate.

Tudo quer aqui uma terra sem males, questão tão funda. Sinto-me angustiado.

Há reza, rezo. Reconheço.

Amarelo, verde, marrom.

Céu, mares, total solidão? Creio que não.

Esperança entre vão. Corre mundo, corre perigo.

imagens por Helio Carlos Mello©

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