O Brasil nas rédeas da Globo

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Em 02 de abril de 1964, “O Globo” exaltou o Golpe dizendo que o Brasil estava salvo da “comunização”, para ela a quartelada era o ressurgimento da democracia e o país estaria por viver “dias gloriosos”. Nada mais ridículo. No dia 07 apoiou o primeiro Ato Institucional que autorizou a cassação de mandatos, a suspensão de direitos políticos por até 10 anos e o afastamento de servidores públicos. Logo depois, as eleições diretas foram canceladas e o mandato do primeiro ditador, Castelo Branco, prorrogado.

Por Silmara Conchão* e Eduardo Magalhães Rodrigues**, especial para os Jornalistas Livres

Era isso que “O Globo” chamava de “revolução democrática”? O entusiasmado apoio não foi em vão. Em 1965 era inaugurada a TV Globo a partir de acordo com o Grupo Time-Life dos Estados Unidos, o que era proibido por lei. Com isso, a Globo acessou milhões de dólares, o que lhe garantiu a montagem da estrutura necessária. Apesar da relação ter sido questionada judicialmente, o general Costa e Silva legalizou o trato em 1968. Muito satisfeito, Médici, o terceiro ditador, declarou em 1972: “Sinto-me feliz todas as noites quando assisto TV porque no noticiário da Globo o mundo está um caos, mas o Brasil está em paz…É como tomar um calmante após um dia de trabalho…”. Diferentemente da bajulação à ditadura, a Globo nunca foi simpática a movimentos sociais, populares e sindicais. Em 1984, Roberto Marinho afirmou “participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social…”. Hostilidade confirmada por Boni, ex-manda-chuva da emissora durante décadas, que confessou a manipulação do debate presidencial entre Collor e Lula para beneficiar o primeiro. Apesar de ser uma tradicional bandeira do PT, nenhum Presidente da República, até o momento, conseguiu colocar em prática o controle social da mídia para se garantir pluralidade e diversidade de ideias. O comportamento do Grupo Globo nunca foi julgado, sua hegemonia nunca foi questionada, salvo exceções, como as protagonizadas por Brizola que prometia, no primeiro dia, na primeira canetada, se eleito presidente, começar a acabar com o monopólio Global. Possivelmente por isso nunca ganhou…

Embora tenha assumido em 2013 que foi um equívoco histórico ter apoiado 1964, a Globo não se propôs rever as vantagens recebidas. Esquecem que é concessionária de um serviço público, o espectro eletromagnético pertence ao povo e não a uma família…Família esta cuja fortuna supera os 40 bilhões de reais. Vale lembrar, que os três filhos do Roberto Marinho, mais cinco ricaços brasileiros, possuem a mesma renda que metade da população. Para o restante do país continuam defendendo a política de restrição de gastos públicos, mas entre 2000 e 2016, receberam mais de 10 bilhões e 200 milhões de reais em publicidade do governo federal, isso sim é que é Estado Máximo.

O seu mais novo love affair é o santo lavajatista Moro que se esforçam para transformar no incorruptível-salvador-da-pátria. Se tudo der certo para ela, o candidato em 2022. Como sempre, a ganância Global é tendenciosa e partidária, destroem figuras políticas de esquerda ao mesmo tempo em que tentaram, na campanha de 2018, decolar o candidato neoliberal, no caso, o picolé de chuchu. Não tiveram sucesso com o psdbista. Esse cenário político dos últimos anos deve causar um curto-circuito no “cérebro” dos bolsominions. Não sabem se continuam amando a Globo ou o “Mito”. Dúvida cruel que se agravou com o rompimento de Moro. E nem ajuda aos universitários podem pedir, pois consideram todos comunistas balburdianos… De acordo com Paulo Henrique Amorim, a Globo não ganha mais dinheiro produzindo conteúdos e vendendo publicidade, seu maior ganho é com juros e aplicações financeiras. Ainda segundo o jornalista, a Globo está sendo googada e youtubada, perdendo a batalha para a tecnologia… Soma-se a esse desafio econômico um outro que talvez esteja incomodando os filhos de Roberto Marinho: se o “Mito” conseguir dar o autogolpe, instalando uma ditadura militar, o que eles fariam? Enfrentariam ou conciliariam? A Globo, depois de já haver pedido desculpas por seu apoio à ditadura militar, voltaria a apoiar uma outra?

*Silmara Conchão – Socióloga, feminista e professora universitária da Faculdade de Medicina do ABC. Mestra em Sociologia e Doutora em Ciências da Saúde.

**Eduardo Magalhães Rodrigues – Sociólogo e pesquisador da Universidade Federal do ABC. Mestre em Relações Internacionais e Doutor em Planejamento e Gestão do Território.

Veja mais: Vidas ou lucro? Modelo capitalista neoliberal entra em xeque com pandemia do Novo Coronavírus

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

COMENTÁRIOS

  • A Globo é um câncer. Porém Record, Band, rede TV e SBT não ficam atrás. Eu não consigo assistir. Prefiro as mídias alternativas. Aliás hoje eu não sei qual é a pior.

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