O apressado come cru

Os diálogos comprovam que Sérgio Moro não só orientou a operação Lava-Jato, mas como também serviu de “coordenador de acusação”.

Por Ícaro Jatoba, especial para os jornalistas livres

Todos já devem ter ouvido a máxima popular “o apressado come cru”. Na cegueira do que chamamos ‘antipetismo’, na falta de apreço pela justiça ou até mesmo pelo mau-caratismo, muitos defensores de Moro e/ou da Lava-Jato, correram para a defesa incontestável do ex-juiz, alegando, muitos sem nenhum conhecimento jurídico, que o contato entre Moro (juiz) e Deltan Dallagnol (procurador) era comum no Brasil.

Políticos, jornalistas, empresas de comunicação, sobretudo a Rede Globo, esqueceram o símbolo mor da Justiça, onde a deusa grega Têmis representa a Justiça, a Lei e a Ordem. Segundo o site do próprio Supremo Tribunal Federal, a justiça “é definida, no sentido moral, como o sentimento da verdade, da equidade e da humanidade, colocado acima das paixões humanas.” Ainda de acordo com a mais alta instância do poder judiciário brasileiro: “Os pratos iguais da balança de Têmis indicam que não há diferenças entre os homens quando se trata de julgar os erros e acertos”.

Na corrida cega pela defesa do indefensável a Rede Globo destaca diuturnamente que as informações que todos os brasileiros receberam do Intercept são frutos de um ataque “criminoso” de Hackers. No entanto, o jornalista Gleen Greenwald, sustenta que nunca afirmou ter obtido tais informações através de um hacker.



O próprio Moro talvez tenha comido cru. No dia 10/06, em coletiva de imprensa, afirmou: “Quanto ao conteúdo, no que diz respeito a minha pessoa, eu não vi nada demais”. No entanto, na quarta-feira (12), Sergio Moro mudou de versão e chegou a argumentar que: “Os hackers podem ter escrito algumas daquelas mensagens em meu nome”.
Novas mensagens corroboram as acusações de relações escusas entre Moro e Dallagnol, desta vez mencionando o Ministro do STF, Luiz Fux.

Segundo o site Intercept, em mensagem do dia 22 de abril de 2016, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol, relatou ao então juiz Ségio Moro que teve uma conversa naquele dia com o ministro.

Quem antes alegava que as primeiras conversas vazadas de Moro e Dallagnol não representavam nenhum ataque ao estado democrático de direito, continua acreditando nisso mesmo depois de um “IN FUX WE TRUST”? Há claramente o esgarçamento da justiça brasileira.

Nesta sexta-feira (14), o Intercept revelou mais diálogos envolvendo Sérgio Moro. As mensagens revelam que o ex-juiz sugeriu ao Ministério Público Federal rebater a defesa do ex-presidente Lula, alegando que a defesa já teria feito o “showzinho dela”. Os diálogos comprovam que Sérgio Moro não só orientou a operação Lava-Jato, mas como também serviu de “coordenador de acusação”.

É preciso salientar que o objetivo desse texto não é ser a favor da corrupção, mas sim questionar até que ponto seguimos a Constituição de 1988 ou o Código de Hamurabi, datado do século XVIII a.C, onde “olho por olho, dente por dente” era um sistema de justiça válido.

O que se discute aqui é: A justiça pode ser manipulada ao bel prazer de um Juiz? Procurador? Ministro? Ou quem quer que seja? E se o jornalista Gleen Greenwald não trouxesse à tona as conversas que provam a parcialidade de Sérgio Moro?

Corremos altíssimo risco se continuarmos fingindo que nada está acontecendo.

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DestaquesGeralvazajato
2 comentários:
  • Luiz Carlos P. Oliveira
    15 junho 2019 at 20:18
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    Moro cometeu crimes no julgamento do Lula e deve ser responsabilizado por isso. Quanto aos bolsominions e coxinhas, já larguei eles de mão há muito tempo. Não vale a pena discutir com esses burros encantados.

  • Mariluce Leonel
    16 junho 2019 at 12:47
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    Essa é a questão permanecer tudo como sempre foi, muitas vezes, ao ouvir ministro, presidente, etc, os quais me encantavam pela sabedoria e atuação, para confiar nas instituições, porém país muito rico de recursos naturais com povo que trabalha percebendo insuficiente para suprir as necessidades básicas, algo está errado, então os políticos não honestos são os filhos obesos de casamento secular entre imprensa e sistema judiciário, há excessões por isso acidentes estranhos persistem em acontecer

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