Nova previsão do impacto da “reforma da Previdência”: conta dos mais pobres é de quase R$ 1 trilhão

Entre 2020 a 2022, a renúncia de receita do governo federal chega a R$ 1 trilhão. A opção é clara: aos bancos e aos ricos tudo e aos pobres a conta!!!

Do blog searadionaotoca

O governo fez uma apresentação em power point dos números da reforma da previdência, mas faltou mostrar os estudos que embasam esta apresentação. E também não apresentou os números para 20 anos, que constavam da proposta inicial.


Numa primeira versão. Divulgada há cerca de dois meses, a tungada nos direitos era de R$ 1,07 trilhão e agora passou para R$ 1,26 trilhão, ou seja, houve um aumento de R$ 164 bilhões ou 15,3% acima da previsão anterior.

R$ bilhões de 2019-Impacto Líquido 10 anos nova previsão variação variação % antiga % novo
Reforma RGPS-INSS 715,00 807,90 92,90 12,99% 66,67% 65,34%
RURAL 92,4 7,47%
Aposentadoria por Idade 66,4 5,37%
Pensão por Morte 26,1 2,11%
URBANO 743,9 60,16%
Aposentadoria por Idade 128 10,35%
Aposentadoria por Tempo de
Contribuição
432,9 35,01%
Tempo de Contribuição 363,4 29,39%
Professor 12 0,97%
Especial 57,6 4,66%
Aposentadoria por Invalidez 79,4 6,42%
Pensão por Morte 111,7 9,03%
Outros -8,2 -0,66%
Reforma RPPS da União 173,50 196,80 23,30 13,43% 16,18% 15,92%
Redução de Despesa 155,4 12,57%
Aumento da Receita 41,4 3,35%
Mudanças das alíquotas do RPPS da união 29,30 27,7 -1,60 -5,46% 2,73% 2,24%
Mudanças das alíquotas da RGPS-INSS -27,60 -28,4 -0,80 2,90% -2,57% -2,30%
BPC de idosos e  abono salarial do PIS 182,20 204,20 22,00 12,07% 16,99% 16,51%
BPC/Loas Idoso 34,8 2,81%
Focalização do abono salarial 169,4 13,70%
Total 1.072,40 1.236,50 164,10 15,30% 100,00% 100,00%


Segundo o governo, os efeitos da reforma começariam em 2020 e não neste ano, como era na previsão anterior. Este ponto mostra que os erros da condução política do governo na Câmara dos Deputados e os atrasos levam a uma previsão mais realista da reforma ser votada até o final deste ano.


Ou seja, esta variação mostra a fragilidade das avaliações do governo e isto mostra que a comissão especial deve buscar os estudos que embasaram estas estimativas, que se mostram frágeis. E o Instituto Federal Independente, fez uma avaliação menor ainda no caso do Regime Geral da Previdência – INSS que é de R$ 137 bilhões ou 20,4%.


Abrindo os números, podemos perceber que este crescimento no INSS a tungada subiu em R$ 93 bilhões frente à primeira previsão. A reforma no regime próprio da previdência, onde se encontram os maiores salários cresceu R$ 23,3 bilhões. E para o Beneficio de Progressão continuada, para idosos pobres que se pretende pagar R$ 400 por mês, e para redução do abono do PIS, o valor seria maior, em R$ 22 bilhões a mais.


A tungada no direito dos mais pobres seria de R$ 983 bilhões, ou quase 80% do valor estimado pelo governo federal. E somente a renúncia de receita para beneficiar as petroleiras internacionais, em 20 anos, chega a R$ 1 trilhão. E segundo a LDO federal para 2020, a renúncia de receita seria de R$ 326 bilhões e ente 2020 a 2022 isto significa R$ 1 trilhão para os mais ricos. Ou seja, a opção é clara: aos bancos e aos ricos tudo e aos pobres a conta!!!


No Regime Geral da Previdência Social-INSS, cujo teto salarial é de R$ 5,8 mil, os detalhes são mais claros. A elevação do tempo de aposentadoria para o trabalhador urbano custará aos mais pobres o valor de R$ 128 bilhões, e o aumento do tempo de contribuição, de 15 para 20 anos, algo como R$ 363 bilhões. A dita “economia” é que o trabalhador vai ter de trabalhar mais e deve receber menos 17% como aponta simulações do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos).


Ainda devemos destacar as mudanças nas pensões, tornando mais duras as regras e impedindo o acúmulo integral das pensões, que deve retirar dos mais pobres algo como R$ 11,7 bilhões.
Esta é a lógica da reforma: fazer trabalhar por mais tempo, pagar mais tempo para se aposentar e reduzir o valor da aposentadoria.

Diante da pressão da sociedade a tungada nos direitos pode ser menor.
Declarações do presidente da comissão especial, deputado Marcelo Ramos (PR-AM) apontam que novas mudanças devem ser feitas, no caso, para o trabalhador rural (R$ 92,4 bilhões em 10 anos), para o Benefício de Proteção Continuada – BPC (R$ 34,8 bilhões em 10 anos). Mas ele também sinalizou que vai retirar da proposta o sistema de capitalização, que já havia sido anunciado por Bolsonaro.
E sinalizou em entrevistas que as mudanças das regras para professor (R$ 12 bilhões em 10 anos) devem cair.


A pressão da sociedade deve crescer e as pesquisas apontam um enfraquecimento do governo que abre uma perspectiva maior para derrotar a destruição da aposentadoria por Bolsonaro e, por isso, o 1ª de maio e a greve geral em junho serão muito importantes para que isto venha a ocorrer.

Votação da proposta da previdência de Bolsonaro na Comissão de Constituição e Justiça:

quer saber mais:

Os pobres pagam o pato na destruição da aposentadoria promovida por Bolsonaro

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