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Mariana e a pandemia: a catástrofe de um modelo

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ARTIGO

Fábio Faversani, professor de História da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) em Mariana, MG

 

No dia 7 de abril escrevi um post no Facebook (uso essa rede social como se fosse um blog) comparando a situação da cidade de Mariana, MG, na pandemia com o que poderia ser um caminhão em uma descida forte, acelerado. Havia pressões para a abertura do comércio e, de fato, o que se viu, foi um enorme relaxamento do decreto que determinava seu fechamento. Mariana acelerou. Nas palavras do prefeito, a Guarda Municipal deveria usar o bom senso no descumprimento de seu próprio decreto e no desrespeito às orientações de todas as autoridades médicas que indicavam a necessidade de uma intensificação do isolamento – e não relaxamento! Não sei que bom senso pode haver nisso. Tratou-se simplesmente de uma atitude leviana da administração municipal, que não enfrentou o problema, nem revisando a sua determinação nem fazendo-a valer. Quem acompanha o que é a pior gestão que Mariana já teve não ficou surpreso; mais do mesmo: omissão.

                Esse cenário abriu um confronto importante na cidade entre os que defendem a abertura do comércio (para que a economia se salve) e os que defendem o seu fechamento (para que vidas se salvem). Trata-se de uma oposição falsa por diversos motivos. O primeiro deles é que a economia não vai se salvar com a mera abertura do comércio e com a volta à “normalidade”. Esqueçam! Não haverá normalidade por muito tempo. A economia vai sofrer graves prejuízos, mesmo com a liberação total do comércio. Parte das pessoas não irão às ruas comprar o que não é absolutamente essencial porque está com medo, com muitos medos bastante fundados: medo de serem contaminadas, medo da queda brutal de sua renda. Abrir ou não comércio fará pouca diferença, especialmente considerado o médio prazo, ou seja, para além do período da pandemia, aquele período difícil de volta à “normalidade”.

Se a volta da atividade do comércio significar, como dizem todas as autoridades médicas, aumento das taxas de contágio e, por consequência, mais perdas de vidas humanas, significando o aumento do tempo de quarentena e intensificação das medidas de isolamento, teremos mais prejuízos econômicos ainda. Ou seja, não faz sentido a oposição ou salvamos a economia ou salvamos vidas. A administração dos níveis de contaminação é a chave para as duas coisas: salvar vidas evitando o colapso do sistema de saúde e diminuir os danos na economia ao não ser preciso apelar para um “lockdown” e para a ampliação do tempo das medidas restritivas.

              No Brasil inteiro essa questão tem se colocado com força, em larga medida pela condução atabalhoada dada pelo Governo Federal, com o presidente da República dizendo uma coisa e seus ministros da Saúde dizendo outra. Isso, sem dúvida, tem um peso grande para agravar a inação do governo municipal. Em todo caso, o relaxamento (que é o nome que melhor define a atual gestão) significa acelerar, mesmo que seja uma aceleração pequena em um caminhão, para voltar à metáfora inicial, já acelerado. Não dá, como se iludem alguns, para abrir o comércio e, depois, aumentar muito os contágios e mortes, fechar e voltar à “normalidade”. Seria como um caminhão na ladeira, muito acelerado. Você pode até frear, mas o freio não responde de imediato (e, às vezes, simplesmente se perde totalmente o freio). Aumentadas as taxas de contágio, refletidas em resultados de testes e óbitos, é tarde para diminuir o ritmo. Há muitos exemplos tristes desse desastre no mundo: Milão, Nova Iorque, Guayaquil…

             Mas nada é tão simples. Os comerciantes olham para a situação à sua volta e percebem que essa ideia de que é preciso frear a pandemia só recai sobre eles. E se perguntam (com muita razão!): de que adianta eu frear enquanto outros estão acelerando? A mineração continua funcionando; não é atividade essencial, desloca milhares de pessoas em ônibus todos os dias e os concentra nas áreas; e a mineração tem altos lucros que permitiria fazer frente aos prejuízos de uma parada (muito mais do que os pequenos comerciantes, cuja rotina é não ter qualquer capital de giro ou acesso a crédito barato, mesmo sem pandemia). O pequeno comerciante olha para as gigantes da mineração e se pergunta: meu “freiozinho” é que vai parar esse monstrão da mineração?

              A prefeitura nada fez para que a mineração parasse. E por que não fez? Porque a prefeitura administra para eles e não para o povo (Faz tempo! Basta lembrar a época do rompimento da barragem e tudo o que veio depois com a Renova; a total subserviência que ainda se mantém, depois de tudo). Tem isso, de governar para os grandes, e tem também o problema dos impostos. A prefeitura, caso determinasse que a mineração iria parar, teria perda de arrecadação. E aí a hipocrisia vai ao limite: a prefeitura quer que o comerciante perca suas principais fontes de recursos e se aguente, mas a prefeitura não quer fazer o mesmo. Um outro ponto que os comerciantes viram com muita clareza nesse universo da diferença de tratamento foi o funcionamento dos bancos e lotéricas. Foram permanentes as cenas de filas enormes e total desorganização, com aglomeração.

              O comerciante, que recebe um público bem menor, ficava se perguntando com razão: esse “caminhão” de gente (sem freio) e vai ser o meu negócio parado que vai deter a contaminação? Bancos têm uma lucratividade enorme, astronômica. Poderiam muito bem contratar pessoal extra da segurança para organizar e manter as filas organizadas. A prefeitura poderia exigir isso, pois lhe cabe essa regulação da prestação de serviços no município. No caso de descumprimento, pode-se até mesmo suspender o alvará de funcionamento ou estabelecer multas pesadas que permitam financiar a atuação da Guarda Municipal para suprir essa necessidade da organização das filas. O que se viu por parte do poder público foi inação. Restou confirmada a visão de que a prefeitura quer fechar os pequenos, mas se acovarda e nada faz para fechar ou até mesmo para regular a atividade dos grandes. Mineradoras e bancos fazem o que querem e aceleram o contágio.

              A ganância dos grandes, que já matou muitos com o rompimento das barragens vai continuar matando, agora com a aceleração do contágio na pandemia. O pequeno comércio que se arrebente de pisar no freio! Não que eu seja favorável à abertura do comércio, que seria acelerar ainda mais o caminhão do contágio. Mas é fato que não faz sentido parar o comércio e deixar atividades de muito maior impacto funcionarem e contaminarem como quiserem. É preciso coerência, liderança e pulso firme para conduzir Mariana em uma crise grave como a da pandemia. Relaxamento não é a resposta.

              O fato é que esse modelo de gestão que não visa o bem público, mas simplesmente a favorecer os grandes, manter a arrecadação dependente da mineração. É um modelo fracassado e precisa ser superado. A gestão da crise da pandemia é um desastre: prejudica os pequenos, favorece os grandes (os grandes acionistas das empresas de mineração e dos bancos não moram em Mariana!) e leva ao adoecimento dos menores ainda: trabalhadores e autônomos que serão obrigados a ter elevado nível de exposição por falta de alternativas de subsistência construídas pelo poder público e, também, pelos sinais trocados que esse emite, ora relaxando o isolamento ora querendo aumentar as restrições. Na confusão, parte do povo vai às ruas sem necessidade ou máscaras, como se nada fosse.

              É preciso um novo modelo de gestão para Mariana, que favoreça os pequenos, diversifique a economia e preserve as vidas. Isso sempre foi necessário. A pandemia só torna mais evidente ainda a falsa oposição: a economia ou a vida. Só a preservação de vidas com uma economia mais justa. Só há crescimento econômico para todos com uma economia mais justa. Não devemos ansiar por voltar à normalidade que nos mata. Temos que criar uma nova normalidade. A que temos agora fracassou e só serve aos grandes e a seus serviçais na velha política!

Publicado também em áudio e texto na Agência Primaz de Comunicação www.agenciaprimaz.com.br”, de Mariana

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2 Comments

2 Comments

  1. Roselene

    14/05/20 at 20:03

    Tristeza.
    Sobre o isolamento social: Nem Noé teve tanto trabalho para colocar os animais na arca.

  2. Paulo Tomé Eleoterio

    15/05/20 at 20:22

    É bem semelhante o que está acontecendo também em ouro preto principalmente na rua São José na agência da caixa.

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A grande Mosalla em Teerã

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Jornalistas visitam complexo religioso onde está ocorrendo o funeral e as homenagens ao ex-líder supremo Ali Khamenei, assassinado no dia 28 de fevereiro pelos EUA e Israel

Tudo é grandioso na Grande Mosalla, oficialmente Mosalla Imam Khomeini de Teerã, um gigantesco complexo religioso-comunitário localizado em Teerã. Construída em estilo persa, a Grande Mosalla foi escolhida para a abertura das últimas homenagens ao ex-líder supremo Ali Khamenei, assassinado no dia 28 de fevereiro, quando se iniciaram os mais recentes ataques dos EUA e Israel contra o Irã, e que levaram a uma escalada de guerra que afetou todo o mundo nos últimos quatro meses. Por questões de segurança, o velório de corpo presente de Khamenei precisou ser adiado todo esse tempo e agora, com o precário acordo de paz celebrado com os Estados Unidos, o povo iraniano poderá se despedir do seu líder, em cerimônias fúnebres de corpo presente, que se iniciarão em Teerã e percorrerão as cidades sagradas de Qom (no sul do país), Najaf e Kerbala, centros espirituais no vizinho Iraque. Só em Teerã, é esperado o comparecimento de 20 milhões de pessoas.

Uma delegação de jornalistas brasileiros compareceu à Grande Mosalla na véspera da abertura do velório ao público. E pôde ver em primeira mão as cenas emocionantes que serão franqueadas ao público a partir de hoje: ao entrar na mesquita, músicos em uniformes militares executam hinos, enquanto os visitantes caminham sobre tapetes vermelhos (a cor símbolo do martírio) até a câmara ardente, em que estão dispostos os ataúdes de Khamenei e de quatro familiares mortos no mesmo ataque que o vitimou. São ataúdes simples, pintados com as cores da bandeira iraniana. O de Khamenei pode ser identificado por estar acima dos demais e exibir sobre sua tampa o turbante negro que identifica os descendentes do profeta Muhammad, fundador do islamismo. Mais abaixo, estão os caixões de familiares do ex-líder supremo, especial destaque para um, bem pequeno, que contém o corpo da neta de Khamenei, morta com apenas 1 ano e dois meses, no mesmo ataque que o vitimou.

Retratos de Khamenei em várias fases de sua vida estão espalhados por toda a Teerã e é evidente a comoção popular e a profunda conexão espiritual entre o clero xiita e a população em geral. Em um Centro Cultural, por exemplo, jovens voluntários já pela manhã cantavam hinos de vingança contra os EUA e Israel, enquanto preparavam refeições e sanduíches para serem distribuídos aos peregrinos. Apenas nesse centro Cultural (são vários), a expectativa era que mais de 100 mil pessoas recebessem gratuitamente os alimentos ali preparados. Também se montavam tendas, destinadas a acolher famílias de fora de Teerã.

Hoje é o dia do povo prantear o seu líder, ainda sem saber se o sucessor de Khamenei, Moqtaba Khamenei, escolhido pelo Conselho de Especialistas do clero xiita para suceder ao pai na liderança suprema do país, aparecerá em público. Ele foi ferido no atentado que matou o pai e não é visto desde então.

Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres

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IRÃ: A GUERRA DAS CRIANÇAS

Irã se prepara para receber 20 milhões de peregrinos nas cerimônias de despedida do aiatolá Khamenei, que se iniciam na próxima sexta-feira (3)

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O Irã se prepara para uma colossal manifestação de unidade nacional a ser realizada durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, que se iniciarão na próxima sexta-feira (3), quatro meses depois de seu assassinato, no dia 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra mais recente dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Há quatro meses, o presidente Donald Trump anunciava seu principal objetivo: derrubar a teocracia xiita, que governa o Irã desde a revolução islâmica de 1979, e se apossar das suas imensas reservas petrolíferas nacionais. Quatro meses depois, o Irã segue insubmisso já que logrou impor duras derrotas à coalizão EUA-Israel. E é nesse quadro, tendo conquistado um acordo de paz ainda frágil, que o Irã se organiza para receber estimados 20 milhões de peregrinos nas cerimônias fúnebres que homenagearão Ali Khamenei.

Uma pequena amostra desses preparativos foi o que os observadores brasileiros puderam testemunhar na noite de ontem, sob lua cheia e temperatura de 34 graus Celsius. Em uma praça no norte da capital Teerã, todas as noites desde o assassinato do dia 28 de fevereiro, se reúnem iranianos — a maioria deles praticantes da fé xiita — para homenagear o aiatolá Ali Khamenei, as 168 meninas com idades entre 7 e 12 anos, mortas por bombardeio americano no mesmo dia na escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã, e centenas de outras vítimas da guerra.

A delegação brasileira está hospedada em um hotel localizado a aproximadamente cem metros de um prédio que foi destruído por um bombardeio. As ruínas são visíveis. O clima nas ruas é de calma, mas de luto evidente. As cerimônias noturnas reúnem centenas de pessoas — e, em algumas cidades, milhares. Em Teerã, cidade de 10 milhões de habitantes, essas manifestações ocorrem simultaneamente em várias praças, espalhadas por vários bairros. Os participantes cantam, empunham bandeiras do Irã e choram abertamente. É impressionante o envolvimento das crianças iranianas nessas cerimônias.

O assassinato das 168 meninas na escola de Minab, gerou uma mobilização expressiva entre o público infantil. Na praça onde estive, crianças participavam da cerimônia: agitavam bandeiras, brincavam e cantavam músicas em homenagem às colegas mortas e ao líder supremo morto. “Podia ser eu”, disse um menino de 15 anos à reportagem, depois de sair com uma miniatura do drone Shahed-136, fabricado no Irã, arma de guerra “revolucionária”, segundo o comandante Robinson Farinazzo, da Marinha brasileira. Com um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o Shahed conseguiu confundir os sistemas de defesa dos EUA e esteve envolvido na derrubada de aeronaves norte-americanas e no ataque a navios cargueiros que se aventuraram pelo estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. Cada miniatura do Shahed, impresso em 3D, e vendida na praça, saía pelo equivalente a US$ 3, mesmo preço da miniatura do míssil Fattah-1, outra jóia do arsenal iraniano, um míssil “hipersônico” que viaja em direção ao seu alvo a uma velocidade cinco vezes maior do que a velocidade do som (cerca, 6.100 km/hora). Os meninos adoram.

Segundo a organização do enterro, o corpo do aiatolá Khamenei, em caixão fechado, deixará Teerã nos próximos dias e percorrerá cidades do Irã e do Iraque (Najaf e Karbala), onde se encontram santuários sagrados do islamismo. O enterro ocorrerá no local que ele determinou em testamento.

Segundo a agência de notícias iraniana Fars, uma cerimônia de homenagem para líderes estrangeiros e autoridades de alto escalão está prevista para 3 de julho em Teerã. Cerimônias públicas de despedida estão marcadas para os dias 4 e 5 de julho no Imam Khomeini Mosalla, na capital. Uma procissão fúnebre em Teerã está agendada para 6 de julho. Outras cerimônias estão programadas para 7 de julho em Qom, 8 de julho em Najaf e Karbala, e 9 de julho em Mashhad, cidade no nordeste do Irã, terra natal de Khamenei. Ele será sepultado no Santuário do Imam Reza, um dos locais mais sagrados do Islã xiita.

Em tempo: estou usando véu, em sinal de respeito aos preceitos religiosos xiitas. Também me visto de forma respeitosa em relação dos preceitos religiosos quando compareço a cerimônias católicas, evangélicas, judaicas ou do candomblé.  Mas, andando pela cidade de Teerã, vi muitas (muitas mesmo) mulheres sem véu. Trata-se de um sinal evidente de distensão da norma.

Por Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres

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O caso Mariana Ferrer, por Honoré de Balzac

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

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O caso Mariana Ferrer por Honoré de Balzac

Por Dirce Waltrick do Amarante*

Quando o escritor francês Honoré de Balzac teve acesso ao vídeo da audiência de Mariana Ferrer, ele decidiu escrever o Código dos homens honestos, isso nos idos de 1875, mas só agora estou tornando públicas suas palavras, que estavam sob segredo de justiça.  

Em uma análise bastante rigorosa, Balzac lembra, em primeiro lugar, que sabemos perfeitamente bem que “em princípio, ficou estabelecido que a justiça seria para todos, mas […]” . A tradução é de Léa Novaes, pois Balzac tinha dificuldade em escrever em português.

Dito isso, ele fala da figura do procurador. Em tempos idos, diz Balzac, os procuradores “levavam tão a sério o interesse de um cliente que chegavam a morrer por eles”. Além disso, eles “nunca frequentavam a sociedade”, e se a frequentassem eram vistos como “monstros”, mas hoje, “hoje tudo está monetarizado: já não se diz que Fulano foi nomeado procurador-geral, vai defender os interesses de sua província […]. Não, nada disso; o senhor Fulano acaba de conquistar um belo posto, procurador-geral, o que equivale a honorários de vinte mil francos […]”.

Balzac ia falar da figura do juiz e do defensor público, mas depois de tudo que assistiu ficou sem as palavras justas para descrevê-los.

Então, o escritor francês decidiu se debruçar sobre o papel do advogado, que “frequenta bailes, festas […] despreza tudo o que não é elegante”. E, diz Balzac, “Justiça seja feita aos advogados […]! São os decanos, os chefes, os santos, os deuses da arte de fazer fortuna com rapidez e com uma sagacidade que os torna merecedores de muitos elogios”.

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

Não citei na íntegra o texto do Balzac, porque foram esses os únicos fragmentos aos quais tive acesso, os outros foram apagados.  

*Formada em Direito, em 1992, na Universidade Federal de Santa Catarina

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