Luta feminista perde sua mais expressiva líder em SC

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À frente do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Urbanas, do qual foi fundadora, há cerca de 15 anos

Ela lutou desde muito jovem contra o machismo e o assédio moral no trabalho e atuou como fundadora na organização das mulheres trabalhadoras urbanas em seu estado. Coordenadora do coletivo feminista 8M em Santa Catarina, Schirlei de Azevedo foi uma das mais vigorosas e atuantes lideranças das lutas feministas contra o Golpe de 2016, a reforma da previdência e a retirada de direitos dos trabalhadores. Ajudou a organizar as mulheres pelo Fora Temer, a perda dos direitos que se seguiu e o #EleNão para evitar a tragédia maior que se consumou com a eleição de Jair Bolsonaro. Presidenta do Diretório Municipal do PT, formada em Pedagogia pela Udesc, encabeçou também os movimentos contra a mordaça dos professores, os cortes na educação e o fechamento de escolas públicas na capital.

Desde o início do ano enfrentava também uma doença renal e depois o câncer que a abateu em pleno vigor, na juventude revolucionária dos seus 53 anos. Schirlei se foi na sexta-feira à noite, enquanto assistíamos na arquibancada da quarentena ao desmonte da farsa do golpe e do crime eleitoral no ringue Sérgio Moro X Bolsonaro. Partiu silenciosamente, na noite do Brasil, quando poderia vislumbrar o começo do fim de uma familícia que tanta infelicidade trouxe para ela e para os seus povos.

Até ser internada em 22 de fevereiro deste ano, no Hospital Governador Celso Ramos, para retirada de um rim, Schirlei de Azevedo do Amaral Ribeiro estava nas ruas, liderando protestos contra o assassinato de Marielle Franco e outros feminicidios, a violência LGBT, o ataque aos territórios indígenas e quilombolas, a criminalização do aborto. Do sexto andar do Hospital ela participou dos panelaços do Fora Bolsonaro e, com ajuda do filho Rodrigo do Amaral, mandava mensagens para as companheiras e companheiros insistirem na derrubada do governo miliciano.

Ainda se recuperando da cirurgia, descobriu um tumor agressivo no cérebro e desde a cama do HGCR, sua luta passou a ser por uma vaga no Hospital do Cepom, referência no tratamento oncológico, o que só ocorreu no dia 3 de abril, com a mobilização dos amigos. Chegou a escrever um artigo sobre a uberização do trabalho, para provocar debate com as companheiras. Um recado de Rodrigo no Facebook dá o tom da líder consciente que ela era, incapaz de se desplugar das dores do mundo. “Mãe está pedindo, com aquele jeitinho todo dela, que vá todo mundo pro Rio Vermelho abraçar o Quilombo Vidal Martins, principalmente as crianças de lá”. Era um dia de manifestação pela regularização das terras do quilombo e Schirlei deu o comando a distância:

“Aquela é uma conquista rara e muito cara para nós (povo de Florianópolis) e em terras de grande valor e exploração imobiliária. É lá, pisando naquela terra, cuidando da nossa gente, alimentando, garantindo segurança e aconchego é que devemos estar, não em hospital”.

 

Da cama do hospital, Schirley mandava mensagens de estímulo à luta das mulheres e trabalhadores

Foram tantas as frentes de resistência que ela abraçou que seria impossível rotular sua trajetória em uma designação menos plural do que esta: líder feminista. Como assessora parlamentar na Alesc, foi a idealizadora do projeto resultante na lei que baniu o uso do amianto em Santa Catarina.

A vida desta lutadora foi marcada pelo lastro de retrocessos que se seguiram aos períodos de vitória democrática e conquistas de direitos por sua geração. Já em 2004, atuou nas frentes por ampliação do espaço da mulher na política e se candidatou à vereadora pelo Partido dos Trabalhadores de Florianópolis. Como militante do partido, enfrentou a prisão do ex-presidente Lula da Silva, contra a qual encampou férrea batalha. Vitoriosa nas eleições para presidente do Diretório Municipal do PT em Florianópolis, realizadas do ano passado, assumiu o cargo em 29 de setembro, mas foi obrigada a se afastar cinco meses depois por causa da doença renal e do câncer que se revelou com metástase.

Foram muitas as derrotas, mas ela sempre fez de todas elas um motor para a batalha seguinte. Enfrentou essa sequência sofrida de eventos com o braço erguido em punho e um sorriso de confiança na próxima batalha. Difícil esquecer as lágrimas de Schirlei ao discursar em evento dedicado à defesa do Estado Democrático e de Direito promovido pela bancada parlamentar de esquerda da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, que ela assessorava. Era véspera do golpe de 2016. Impossível não visualizá-la agora falando com a voz embargada que, depois de tanta luta das mulheres e das classes trabalhadoras para redemocratizar o país e conquistar direitos sociais, não queria deixar o Brasil sombrio que se avistava para os filhos e netos.

Coletivo 8M muito deve à liderança amorosa de Schirlei, capaz de aglutinar todas as forças

A pantera loira que lutava contra a supremacia racial desempenhou um papel importantíssimo como representante da Associação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Vítimas de Assédio Moral na Brasil pela Telecom, participando de audiências públicas e prestando assessoria a sindicatos trabalhistas de todo estado. Também foi coordenadora do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Urbanas em Santa Catarina desde a sua fundação. Embora transparente na sua definição partidária, era a líder feminista que melhor conseguia agregar todos os grupos de mulheres e nos fazer sentir parte de uma única comunidade de resistência, colocando em segundo plano nossas diferenças ideológicas em favor da união das esquerdas. Deixou três filhos , Matheus, Thiago e Rodrigo e a neta Sophia, todos sementes dessa vida dedicada à transformação.

O velório ocorreu neste sábado, 25/04, das 10 às 12 horas, no Crematório do Cemitério Jardim da Paz, em Florianópolis, com a homenagem dos amigos, que entraram de máscaras, em rodízio de dez pessoas em cada vez para prestar sua última homenagem à líder amorosa, uma das mais expressivas que Santa Catarina já teve.

Abaixo, uma das incontáveis entrevistas realizadas pelos Jornalistas Livres com a grande líder.

 

 

NOTA DE PESAR DO DIRETÓRIO DO PT SANTA CATARINA

O Partido dos Trabalhadores de Santa Catarina comunica com profundo pesar o falecimento da companheira, Schirlei Azevedo.

Schirlei nos deixou na noite desta sexta-feira, dia 24, depois de lutar bravamente contra um câncer desde fevereiro.Natural de Florianópolis, *Schi,* como era carinhosamente chamada, era atual presidenta do PT da Capital e uma das maiores militantes feministas do partido. Filiada ao PT desde 1988, trabalhou na área das telecomunicações, onde chegou a presidir o Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing e disputou as eleições municipais de 2004 e 2008, como candidata a vereadora. Também trabalhou por muitos anos como assessora na liderança da Bancada do PT na Assembleia Legislativa.

Foi uma das fundadoras do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Urbanas SC (MMTU) e uma das maiores defensoras das bandeiras feministas. Atou na linha de frente em importantes mobilizações e pautas que tinham o objetivo de garantir os direitos das trabalhadoras e trabalhadores. Luta, organização e militância política faziam parte do seu dia a dia.

“Sou uma mulher do PT”. Assim que ela se intitulada em sua página na rede social e assim Schirlei era conhecida. Apaixonada pela causa, ela sempre esteve na linha de frente na discussão de importantes debates do partido e estava vivendo um dos momentos mais felizes de sua vida: presidenta do seu partido, na sua cidade. Um sonho e uma missão dessa mulher que sempre nos acolheu com um lindo sorriso no rosto.

A imagem pode conter: 1 pessoaSchirlei também fazia parte do Coletivo de Formadoras da Escola Nacional de Formação do PT da Secretaria Nacional das Mulheres e era formadora da Escola Perseu Abramo nos temas mulheres e feminismo. Uma mulher guerreira que seguiu assim até os últimos minutos de sua vida.

Nos deixou um legado de luta pelos direitos dos menos favorecidos, especialmente das mulheres. Com seu jeito amável e generoso, lutava incansavelmente para que as mulheres tivessem voz e espaço no mundo, assim como ela conseguiu ter. Compartilhava seus saberes e sempre estava disposta a ajudar.

Mulher, feminista e extremamente dedicada nos deixa um belo legado e sem dúvida será seguido para todas, todes e todos que acreditam que mundo melhor é possível.

O Partido dos Trabalhadores de SC lamenta profundamente sua prematura partida e manifesta condolências a familiares, companheiras especialmente a sua mãe Sueli, seus filhos Matheus, Thiago e Rodrigo e sua paixão, a neta Sophia.

SCHIRLEI, PRESENTE!

Décio Lima
Presidente do PT-SC

 

 

NOTA DE PESAR PSOL FLORIANÓPOLIS

Com profunda tristeza recebemos a notícia de que a companheira Schirlei Azevedo, presidenta do PT de Florianópolis, nos deixou nesta sexta-feira, 24 de abril. Ela enfrentava um câncer e estava internada desde fevereiro.
Natural de Florianópolis, Shirlei foi militante feminista, filiada ao PT desde 1988. Trabalhou na área das telecomunicações, onde chegou a presidir o Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing. É uma das fundadoras do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Urbanas SC e disputou as eleições municipais de 2004 e 2008, como candidata a vereadora.
Em nome do PSOL, nos solidarizamos com a família, amigos e com a militância do PT nesse momento de dor.

Schirlei Azevedo, presente!
Florianópolis, 25 de abril de 2020

Diretório Municipal do PSOL

 

NOTA DE PESAR DA SECRETARIA DE MULHERES DO PT/SC

A imagem pode conter: 2 pessoasA Secretaria Estadual de Mulheres do PT-SC se despede da nossa grande lutadora, Schirlei Azevedo, nossa mulher de luta! Se despedir de alguém como a Schirlei é muito doloroso, ela faz parte das pessoas imprescindíveis, que acolhia a todas com um abraço e um sorriso. Não tê-la em vida, no fronte, na organização nos fará muita falta!

Feminista e leal ao seu Partido e à causa das Mulheres, a nossa guerreira lutou até o último instante pela vida e nos deixou um legado. Filiada ao Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras desde 1988, a organização das mulheres petistas em Santa Catarina tem muito da Schirlei! Militou no movimento sindical e na denúncia das doenças relacionadas ao trabalho, a favor do SUS e contra toda forma de violência e pela pauta das mulheres. Foi uma das fundadoras do Movimento das Mulheres Trabalhadoras Urbanas – MMTU. Integrou a organização do 8M em Santa Catarina. Fazia parte do Coletivo de Formadoras da Escola Nacional de Formação do PT e Formadora da Escola Perseu Abramo. Integrante da Secretaria Nacional de Mulheres do PT, da Secretaria Estadual de Mulheres do PT e recentemente foi eleita a Presidenta do PT de Florianópolis.

Uma mulher de luta! Não tê-la em vida com a gente, será muito dolorido, mas vamos continuar a sua trajetória, pelas nossas vidas, das nossas irmãs, das nossas mães, das nossas tias, das nossas filhas, das nossas primas, das nossas amigas, enfim por todas as mulheres. A Schirlei não ia querer que a gente parasse, até que todas estejam livres!

Vamos resistir pelas futuras gerações de mulheres que merecem nascer e viver num lugar mais justo. Vamos lutar o quanto for preciso. E vamos, sim, mudar o mundo, e a Schirlei estará na nossa mente. Agora ela se transforma em força para cada mulher petista, se torna inspiração de resistência e de compromisso!

Sem poder nos abraçar, justamente na despedida de quem o abraço era tão acolhedor, nós trocamos energia de todos os cantos do estado e saudamos a vida da nossa companheira Schirlei. Nos solidarizamos aos filhos, a neta, a sua mãe, a todos os familiares e amigas e amigos.

Vá em paz, Companheira Schirlei! Gratidão por toda a luta! Nós seguiremos com você em nossos corações!

Schirlei PRESENTE, hoje e sempre!

Coletivo da Secretaria Estadual de Mulheres do PT-SC.

 
 
 

MANIFESTO DE SOLIDARIEDADE E PESAR

A Esquerda Popular Socialista – EPS do Partido dos Trabalhadores de SC manifesta seu profundo pesar pelo falecimento da companheira, Schirlei Azevedo.

Lutando contra um câncer desde fevereiro, Schirlei nos deixou na noite desta sexta-feira, dia 24. Schirlei deixa um grande legado de compromisso e lutas da classe trabalhadora em nossos estado e no país.

Filiada ao PT desde 1988, presidiu sindicato, foi candidata a vereadora e trabalhou na liderança do PT na ALESC durante muitos anos. Sua atuação e sua história à conduziram para assumir presidência do PT de Florianópolis.

Acima de qualquer luta estava sua dedicação ao PT e a defesa das bandeiras feministas, “uma mulher do PT”, como ela mesma se definia.

A militância de Schirlei ficará marcada na história do Partido dos Trabalhadores. A militância desta mulher, protagonista de seu tempo, formadora, guerreira, acolhedora, e que com generosidade compartilhava saberes e vivências.

Neste manifesto, celebramos à sua vida e reverenciamos a sua memória.

Somos gratos pelo privilégio de poder ter contado durante esses anos com seu exemplo e engajamento nas lutas de nosso povo pela construção de uma sociedade democrática e justa.

Aos familiares, sua mãe Sueli, seus filhos Matheus, Thiago e Rodrigo e sua paixão, a neta Sophia, companheiras e companheiros de luta a EPS manifesta sua solidariedade nesta hora de dor.

SCHIRLEI, PRESENTE, SIGA EM PAZ SUA JORNADA

Florianópolis, 25 de Abril de 2020.

ESQUERDA POPULAR SOCIALISTA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES (EPS-PT)

 
 
 

COMENTÁRIOS

  • Que uma revoada de anjos conduz o espírito dessa guerreira para a luz. Deus ampara e conforta os corações dos entes queridos e amigos dela.

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