Lançado o Festival Nacional do MST – pela reforma agrária Popular

Por Aline Frazão, com fotos de Mídia NINJA, para os Jornalistas Livres

Foto: Mídia NINJA
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No dia em que a ocupação da Funarte, (Fundação Nacional de Artes) em Minas Gerais, completou um mês de resistência , o MST e vários outros movimentos de trabalhadores rurais, lançaram o Festival Nacional de Artes e Cultura da Reforma Agrária. Foi uma anunciação do que será uma “grande feira” entre os dias 20 e 24 de julho na capital mineira: muito debate, culinária, comercialização de produtos orgânicos, e como não, cultura: poesia e muita música. Isso ficou claro durante o evento, que começou e terminou com intervenções artísticas.

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A festa acontecia na Funarte, ocupada há 30 dias por movimentos sociais e artistas contra o governo interino de Michel Temer. “30 dias de ocupação que se tornaram uma Vanguarda pela luta contra o golpe”, como disse o coordenador nacional do MST, João Pedro Stedile, o grande convidado da noite.

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Para o líder do maior movimento pela reforma agrária, o Brasil vive um período grave de crise, mas que é paradigmática, e não só do governo. Ele explicou. A crise é econômica, mas também social, ambiental: “Só vivemos crises parecidas na década de 30, depois em 60, que resultou no golpe. Depois tivemos uma na década de 80, e foi quando perdemos nosso projeto pelo voto de 89”. (Para quem não se lembra ou não ouviu falar, o Lula foi derrotado pelo Fernando Collor de Melo nas eleições para presidente e a Rede Globo foi uma grande responsável, ao editar de maneira grotesca e irresponsável o debate entre os dois candidatos a favor de Collor).

Stedile continuou: “essa crise é semelhante a esses períodos e não é grave. É econômica porque mostra um Estado burguês podre e falido; é social porque 50 mil jovens negros e pobres são mortos por ano e ninguém fala nada. Isso não é pauta da Globo; e é ambiental também. Os mineiros sabem bem, pelo crime de Mariana, que matou pessoas e um rio, de 700km, e fica por isso mesmo. É nessas circunstâncias de crise que a burguesia planeja golpe. Na agricultura temos a situação agravada por causa do agronegócio. Eles estão envenenado a população brasileira. O veneno não consegue produzir alimento com qualidade. Por isso dizemos que a reforma agrária não é mais camponesa, mas sim popular”.

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Todos ouviam atenciosos a fala de Stedile, que disse que a esquerda tem que fazer uma profunda autocrítica após mais esse golpe contra o povo brasileiro.

A Funarte MG Ocupada, resistindo 30 dias, decidiu naquele dia também mudar os rumos da luta. Para o movimento, mais que ocupar aquele espaço, é preciso ocupar toda a cidade com luta, e por isso a ocupação não seria mais permanente, e sim uma luta dialogando com toda a cidade: “Conclamamos a todas e a todos que protagonizaram essa luta a construírem conosco o Levante Nacional da Cultura para seguirmos em movimento!Estamos mais fortalecidos para essa grande tarefa. Continuaremos ocupando e resistindo contra o golpe e por nenhum direito a menos!”, diz a nota publicada na página da ocupação.

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O que temos que mudar ? Para João Pedro Stedile, os companheiros da Funarte nos ajudam: “estamos numa verdadeira trincheira pela Democracia, e a forma mais pedagógica e didática para defender ideias é a cultura.

Dilma vai voltar. Mas tem que voltar com outra estrutura, próxima ao povo”.

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