Jovem sofre abordagem racista e grava ação de segurança

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Alan Braz, de 24 anos, sofreu um ataque racista logo depois de sair do Assaí Mauá, uma grande rede atacadista, na noite da última terça-feira, 7. O jovem negro foi abordado por dois funcionários do atacadão depois de desistir de entrar no estabelecimento por estar muito lotado diante de uma pandemia (COVID19).

“Eles já chegam falando ‘Ei, amigão!’. Pronto. Pensei que iam me acusar de roubar algo. Já tenho a precaução de, dentro de lojas, sempre deixar claro que não estou colocando nada na bolsa e quando saio, sempre tento mostrar a nota fiscal”, explicou Alan. Um dos funcionários que o parou estava fardado como segurança e usava máscara, já o outro não estava identificado e não usava máscara, os dois eram brancos. A rede Assaí pertence ao grupo GPA, da Rede Casino. A unidade do caso fica na Av. Antônia Rosa Fioravanti, 3270, na cidade da grande São Paulo.

Mas a acusação da vez foi pior, “Eles perguntaram se eu estava com uma arma e pediram para revistar minha bolsa e me revistar. Falaram que uma mulher tinha me visto armado”. Alan negou a revista e, mesmo com medo passou a gravar a cena. “Muito lentamente peguei o celular e passei a gravar. Também gritei para que as pessoas em volta prestassem atenção. Percebi que eles esperaram eu estar no estacionamento, que estava escuro”.

A gravação foi postada em suas redes sociais e viralizou. Nela é possível ver o segurança barrando a saída de Alan do estabelecimento enquanto esperavam a polícia que, segundo os seguranças, havia sido chamada.. Em um segundo momento também é possível ouvir um dos funcionário falando, depois do jovem já ter pedido para ir embora, “vai, caralho”. Alan percebeu o que tinha acontecido “eles entenderam que tinham feito merda. Provavelmente não tinha mulher [reclamando] e usaram isso para me revistar, mas como conheço meus direitos não deixei”. No vídeo é possível ver os dois funcionários voltado para o estabelecimento. Alan então foi “liberado” pelos seguranças antes que a Polícia, que teria sido chamada, chegasse ao local.

“Resolvi voltar lá para dentro e pedi para falar com algum gerente ou encarregado. Alguém veio para falar comigo e disse que conversaria com os funcionários. Pedi para estar presente e saber qual seria o procedimento. Esse responsável falou que não seria possível”, contou o jovem, que voltou para casa e postou o vídeo nas redes sociais cobrando uma posição do atacadista. Na quarta, 8, Alan conseguiu contato com a Ouvidoria e descobriu que o funcionário que fez a abordagem não era mesmo um segurança, mas sim responsável pelo controle de temperatura dos clientes. “O primeiro protocolo a ter sido quebrado foi tentarem me abordar e revistar fora da loja. A segunda quebra foi ser uma pessoa que não tem nenhum tipo de treinamento fazer isso comigo”, explicou Alan a reportagem.

Alan é lojista e trabalha com cultura, arte e a luta por direitos igualitários há 6 anos. Artista e Drag Queen. “Eu já fui indevidamente abordado por seguranças de estação de metrô ,de lojas e de supermercados diversas vezes e muitas delas eu nem consegui sentir essa raiva e revolta ,só sentia vergonha e culpa. Depois da recente revolta do BLM (Black Lives Matter), e de todos os crimes raciais que foram expostos e gritados eu não poderia fazer diferente, usei dessa inspiração para que a minha voz fosse escutada e para que muitas vozes que foram abafadas pela humilhação e vergonha pudessem se manifestar também”, explicou. O jovem também entrou com contato com o prefeito de Mauá, Átila Jacomussi (PSB), em busca de apoio. Até agora o grupo afirmou ter demitido o funcionário que acompanhava o segurança.  

A rede, questionada sobre o episódio, o pedido de revista a alegação do porte de arma, respondeu em nota

“O Assaí informa que, tão logo tomou conhecimento sobre o ocorrido, acionou imediatamente a loja de Mauá, iniciando assim um processo interno de apuração. A empresa conseguiu contato com o cliente Alan hoje (8) para se desculpar pela situação vivenciada por ele na loja e incluí-lo no processo de averiguação dos fatos. A partir das informações passadas por todos envolvidos e da checagem das imagens disponíveis, o Assaí concluiu que o fato do cliente sair pela porta de entrada do estabelecimento não justificou a abordagem no estacionamento pelo funcionário. Nestes casos, o procedimento correto é orientar o cliente a utilizar a porta de saída, se assim ele quiser. Dessa forma, o Assaí decidiu pelo desligamento do funcionário envolvido e está reforçando com todo o time de lojas a conduta esperada no relacionamento com os clientes. O Assaí não tolera nenhuma atitude discriminatória ou desrespeitosa, o que está explícito em seu Código de Ética e na Política de Diversidade e Direitos Humanos da companhia. Qualquer denúncia contrária a essa orientação é rigorosamente apurada e, se comprovada a veracidade, são tomadas imediatamente as providências necessárias”.

COMENTÁRIOS

  • Mentira, conversa fiada do assaí. São racistas sim! É só a população negra que é maioria nesse país, boicotar a rede. Segurança e funcionários segue a orientação do assaí. Nós não somos idiotas, para acreditar nessas notas falsas. Eu não entro mais em nenhuma loja da rede assaí.

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    Há racismo estrutural, SIM!

    Repudiamos com veemência mais esse assassinato e também repudiamos o vice-presidente General Mourão e o fascista lá do Palácio do Planalto que deveriam ter vergonha de afirmar que “no Brasil não há racismo”

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