FUNARTE EM BH OCUPADA : artistas se unem contra o golpe e engrossam ocupações na capital mineira

Foto: Gustavo Ferreira/ Jornalistas Livres

Decidir por uma ocupação sempre é difícil, afinal envolve riscos, responsabilidades, e muita organização. Em Assembleia, diversos artistas, negros, LGBTs, militantes de vários movimentos e de vários segmentos decidiram arriscar pela luta e resistência contra o governo ilegítimo de Temer e ocupar a Fundação Nacional de Artes na capital mineira a partir de hoje.

Foram algumas horas de debate sobre ocupar ou não, e a assembleia, que teve início por volta das cinco da tarde, terminou às oito.

Foto: Gustavo Ferreira/ Jornalistas Livres
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Alguém da ocupação Tina Martins, que luta pela construção de casa abrigo para mulheres que sofrem violência e resiste desde o dia 8 de março em um prédio da UFMG abandonado há vários anos, disse que a nova Ocupação tem todo o apoio da Tina. A militante que disponibilizou ajuda foi a mesma que havia dito mais cedo que, mesmo que o governo interino Temer volte a instituir o Ministério da Cultura ou das Mulheres, o movimento não deve parar, pois esse é um governo ilegítimo. Ela foi aplaudida.

Outra militante, artista do Vale do Mucuri que vive em Belo Horizonte e atualmente integra a Frente Brasil Popular, afirmou que o golpe é também racista e construído pelo imperialismo, e lembrou que os artistas foram uns dos primeiros a serem perseguidos durante a ditadura militar, porque a ‘arte é perigosa e eles devem temer’.

Outro manifestante, em uma bela fala, disse que o movimento deve ouvir a periferia, pois é onde a cultura é forte e ‘tem-se muito o que aprender com eles’. Mais aplausos. Outras pessoas também lembraram a necessidade e urgência de se juntar mais à periferia, não os esquecendo nunca.

Foto: Gustavo Ferreira/ Jornalistas Livres
Foto: Gustavo Ferreira/ Jornalistas Livres

Um artista chamou para um espetáculo que se iniciaria ali na fundação, e sugeriu que a ocupação começasse lá, no Galpão 1. Mas apesar de a arte ser necessária sempre, naquela hora a discussão tinha que continuar, afinal
as pessoas queriam terminar a assembleia que decidiria os rumos do movimento.

Depois de desabafos, sugestões, críticas, muitas contribuições e alguns embates sobre a força que teria uma ocupação ali, decidiu- se por sim: ocupar mais aquele espaço! Afinal é onde artistas e amantes da arte adoram estar, então por que não fazer dele um local de resistência, nesse período obscuro da nossa politica, em que ela, justamente a arte, ‘que liberta’, pode estar ameaçada com os planos do governo de Temer?

Quando se pediu a manifestação de pessoas que poderiam ficar já esta noite, algumas se disponibilizaram. Tinha que ser pelo menos 20. Fez-as contas e o número passou disso. Estava inaugurada a Ocupação da Funarte, sem data para acabar, claro. A organização começou logo em seguida, com divisão de tarefas, criação de grupos de trabalho e planejamento para os dias de luta que virão.

Foto: Gustavo Ferreira/ Jornalistas Livres
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