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I Encontro de Acolhimento, Cura e Empoderamento de Mulheres Indígenas no baixo Tapajós

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Por Coletivo de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós

 

Nos dias 02 a 04 de novembro aconteceu a Caravana das Encantadas, o I Encontro de Acolhimento, Cura e Empoderamento de Mulheres Indígenas no baixo Tapajós. Dois barcos, com cerca de 110 pessoas entre indígenas, não indígenas, homens, mulheres e crianças, saíram rumo ao Território Indígena Cobra Grande, pelas margens dos rios Tapajós e Arapiuns, região de Santarém. O intuito foi promover e fortalecer o protagonismo, a liderança e os direitos das mulheres indígenas, as estratégias de combate à violência e racismo e intensificar a luta indígena, que tem seus territórios ameaçados pelo modelo de desenvolvimento predador, que afeta principalmente as mulheres. A iniciativa e realização foi do coletivo de mulheres indígenas Suraras do Tapajós, com financiamento do Fundo ELAS e Instituto Avon pelo fim das violências contra as mulheres, parceria do Engajamundo, ICMBio, PSA e Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

Com o tema “Mulheres indígenas transformando suas realidades!”, reuniu-se a plurietnicidade das mulheres indígenas, tanto da cidade como das aldeias do baixo Tapajós, entre lideranças, mães, militantes, cacicas, parteiras, pajés, benzedeiras e universitárias, que marcaram presença e vivenciaram três dias intensos juntamente aos parentes Tapajó que já estavam na espera da caravana, percorrendo nas areias da Ponta do Toronó, navegando sobre as águas cristalinas do Arapiuns e adentrando as belas praias do solo sagrado do T. I. Cobra Grande.

Com o principal objetivo de desabrochar a própria mulher à sua autonomia perante a realidade vivida, foram apresentados meios para desenvolvimento de atividades direcionadas a esse público em situação de fragilidade e violência familiar. Foi um momento de abrir espaço para mais mulheres que desconhecem o tema e as formas de defesa e enfrentamento, especialmente em momentos de vulnerabilidade causados pela violência.

Diante da realidade, onde as violências vividas são cometidas pelos próprios parceiros, pelo Estado e sociedade em geral, a maioria desses atos está relacionada à baixa auto estima, falta de consciência das violências a qual são submetidas e à falta de autonomia financeira. Ao longo de 2018, as mulheres do coletivo Suraras do Tapajós debateram e buscaram espaços para o enfrentamento ao racismo e combate às violências moral, psicológica, física e sexual, visando o fortalecimento psicológico e financeiro da mulher indígena. Assim, diferenciando e ressaltando que é importante haver respeito à cultura e hierarquia existente em alguns povos indígenas, mas sem perder o discernimento de distinguir o que é tradição e o que é cultura de violência e abuso.

Acolher, combater a violência, curar e proporcionar autonomia e bem estar.

Envolvendo trocas de experiências, café da manhã na praia, uma maravilhosa pirakaia ( peixe assado na praia), momentos de interação cultural, diálogos, possibilitando a construção de alternativas de combate às violências sofridas para além da área urbana. Como, por exemplo, com a finalização da formação de mulheres indígenas multiplicadoras na luta, prevenção, enfrentamento ao racismo e as violências, que habitam as aldeias mais distantes. Na parte de auto estima do corpo e saúde da mulher, tiveram espaços de embelezamento, maquiagem indígena, sobrancelhas, massagens, limpeza de pele, grafismo corporal. Da medicina natural, banhos com ervas de cura, garrafadas para saúde da mulher, pomadas e xaropes de remédios caseiros. Da valorização cultural indígena, oficinas de grafismo em cuias e cerâmica. Para o empoderamento financeiro das mulheres as oficinas de economia solidária e empreendedorismo. Com as crianças foram desenvolvidas atividades interativas e com temáticas de igualdade de genero e de combate a violencia contra mulher, além da doação do livro “Templo da Luz” – da trilogia Guerreiros da Amazônia (Ronaldo Barcelos).

Tiveram presentes cerca de 300 participantes, grande atuação dos homens ajudando em toda logística e no preparo dos alimentos na cozinha.

 

Pelo direito de viver!

No final do dia todos participantes se juntaram na bela ponta de areia da Aldeia Lago da Praia em um lindo ato de resistência para defender os direitos dos povos e denunciar tudo que lhe afetam:

AMAZÔNIA e sua diversidade de povos, seguem em RESISTÊNCIA!
EM LUTA, nas margens dos Rios Tapajós e Arapiuns.

O Brasil vive um dos momentos mais difíceis da sua história, com legitimação de discursos e atos violentos, de ameaças, tortura, discriminação, desmatamento e armas.

Encontrar o amor, o acolhimento, a alegria e, sobretudo a força entre mulheres indígenas, é um fio de esperança em meio a esse caos.

CONTINUEMOS EM UNIÃO COM A FORÇA DE NOSSOS ESPÍRITOS GUARDIÕES NA CORAGEM E PERSISTÊNCIA!

EM LUTA
Pela demarcação das terras indígenas;
Pela equidade de gênero e igualdade de direitos entre homens e mulheres;
Pelo Ministério do Meio Ambiente;
Pela entrada e permanência dos povos indígenas nas universidades;
Pelo atendimento gratuito a mulheres vítimas de violência;
Pelo fortalecimento do Ibama, ICMBio, FUNAI;
Pelos ativistas que NÃO SÃO CRIMINOSOS;
Pela ampliação e manutenção dos direitos trabalhistas;
Pela permanência do Brasil no acordo com Paris;
Pela liberdade de expressão, etnocultural, religiosa, racial e de gênero;
Pelo direito à vida;
Pela educação livre;
Pelo direito de AMAR a quem quiser;

PELA AMAZÔNIA!!!

Surara! Sawê!

(Coletivo de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós)

O coletivo Suraras do Tapajós é um coletivo de mulheres indígenas, sem fins lucrativos, que
atua no baixo Tapajós com a missão de combater a violência e racismo, e no empoderamento econômico e político de mulheres indígenas desse território. Atualmente é formado por um grupo de aproximadamente 30 mulheres de diferentes povos, jovens, solteiras, curandeiras, estudantes, mães, militantes e ativistas, que carregam no sangue a forte plurietinicidade da região. São exímias artesãs, fabricam biojóias com penas, miçangas e sementes da região, grafismo corporal com genipapo e urucum e artesanatos (arco e flecha, cerâmicas, grafismo em cuias, maracás), doces, cantorias, rituais de purificação, garrafadas e banho de ervas (medicinais).
“Estamos mais vivas do que nunca. Estamos mais fortes e mais unidas. Estamos em luta por todos os direitos de nosso povo e de todos aqueles que lutam conosco!” Maria Eulalia Borari, integrante do coletivo.

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A grande Mosalla em Teerã

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Jornalistas visitam complexo religioso onde está ocorrendo o funeral e as homenagens ao ex-líder supremo Ali Khamenei, assassinado no dia 28 de fevereiro pelos EUA e Israel

Tudo é grandioso na Grande Mosalla, oficialmente Mosalla Imam Khomeini de Teerã, um gigantesco complexo religioso-comunitário localizado em Teerã. Construída em estilo persa, a Grande Mosalla foi escolhida para a abertura das últimas homenagens ao ex-líder supremo Ali Khamenei, assassinado no dia 28 de fevereiro, quando se iniciaram os mais recentes ataques dos EUA e Israel contra o Irã, e que levaram a uma escalada de guerra que afetou todo o mundo nos últimos quatro meses. Por questões de segurança, o velório de corpo presente de Khamenei precisou ser adiado todo esse tempo e agora, com o precário acordo de paz celebrado com os Estados Unidos, o povo iraniano poderá se despedir do seu líder, em cerimônias fúnebres de corpo presente, que se iniciarão em Teerã e percorrerão as cidades sagradas de Qom (no sul do país), Najaf e Kerbala, centros espirituais no vizinho Iraque. Só em Teerã, é esperado o comparecimento de 20 milhões de pessoas.

Uma delegação de jornalistas brasileiros compareceu à Grande Mosalla na véspera da abertura do velório ao público. E pôde ver em primeira mão as cenas emocionantes que serão franqueadas ao público a partir de hoje: ao entrar na mesquita, músicos em uniformes militares executam hinos, enquanto os visitantes caminham sobre tapetes vermelhos (a cor símbolo do martírio) até a câmara ardente, em que estão dispostos os ataúdes de Khamenei e de quatro familiares mortos no mesmo ataque que o vitimou. São ataúdes simples, pintados com as cores da bandeira iraniana. O de Khamenei pode ser identificado por estar acima dos demais e exibir sobre sua tampa o turbante negro que identifica os descendentes do profeta Muhammad, fundador do islamismo. Mais abaixo, estão os caixões de familiares do ex-líder supremo, especial destaque para um, bem pequeno, que contém o corpo da neta de Khamenei, morta com apenas 1 ano e dois meses, no mesmo ataque que o vitimou.

Retratos de Khamenei em várias fases de sua vida estão espalhados por toda a Teerã e é evidente a comoção popular e a profunda conexão espiritual entre o clero xiita e a população em geral. Em um Centro Cultural, por exemplo, jovens voluntários já pela manhã cantavam hinos de vingança contra os EUA e Israel, enquanto preparavam refeições e sanduíches para serem distribuídos aos peregrinos. Apenas nesse centro Cultural (são vários), a expectativa era que mais de 100 mil pessoas recebessem gratuitamente os alimentos ali preparados. Também se montavam tendas, destinadas a acolher famílias de fora de Teerã.

Hoje é o dia do povo prantear o seu líder, ainda sem saber se o sucessor de Khamenei, Moqtaba Khamenei, escolhido pelo Conselho de Especialistas do clero xiita para suceder ao pai na liderança suprema do país, aparecerá em público. Ele foi ferido no atentado que matou o pai e não é visto desde então.

Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres

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IRÃ: A GUERRA DAS CRIANÇAS

Irã se prepara para receber 20 milhões de peregrinos nas cerimônias de despedida do aiatolá Khamenei, que se iniciam na próxima sexta-feira (3)

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O Irã se prepara para uma colossal manifestação de unidade nacional a ser realizada durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, que se iniciarão na próxima sexta-feira (3), quatro meses depois de seu assassinato, no dia 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra mais recente dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Há quatro meses, o presidente Donald Trump anunciava seu principal objetivo: derrubar a teocracia xiita, que governa o Irã desde a revolução islâmica de 1979, e se apossar das suas imensas reservas petrolíferas nacionais. Quatro meses depois, o Irã segue insubmisso já que logrou impor duras derrotas à coalizão EUA-Israel. E é nesse quadro, tendo conquistado um acordo de paz ainda frágil, que o Irã se organiza para receber estimados 20 milhões de peregrinos nas cerimônias fúnebres que homenagearão Ali Khamenei.

Uma pequena amostra desses preparativos foi o que os observadores brasileiros puderam testemunhar na noite de ontem, sob lua cheia e temperatura de 34 graus Celsius. Em uma praça no norte da capital Teerã, todas as noites desde o assassinato do dia 28 de fevereiro, se reúnem iranianos — a maioria deles praticantes da fé xiita — para homenagear o aiatolá Ali Khamenei, as 168 meninas com idades entre 7 e 12 anos, mortas por bombardeio americano no mesmo dia na escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã, e centenas de outras vítimas da guerra.

A delegação brasileira está hospedada em um hotel localizado a aproximadamente cem metros de um prédio que foi destruído por um bombardeio. As ruínas são visíveis. O clima nas ruas é de calma, mas de luto evidente. As cerimônias noturnas reúnem centenas de pessoas — e, em algumas cidades, milhares. Em Teerã, cidade de 10 milhões de habitantes, essas manifestações ocorrem simultaneamente em várias praças, espalhadas por vários bairros. Os participantes cantam, empunham bandeiras do Irã e choram abertamente. É impressionante o envolvimento das crianças iranianas nessas cerimônias.

O assassinato das 168 meninas na escola de Minab, gerou uma mobilização expressiva entre o público infantil. Na praça onde estive, crianças participavam da cerimônia: agitavam bandeiras, brincavam e cantavam músicas em homenagem às colegas mortas e ao líder supremo morto. “Podia ser eu”, disse um menino de 15 anos à reportagem, depois de sair com uma miniatura do drone Shahed-136, fabricado no Irã, arma de guerra “revolucionária”, segundo o comandante Robinson Farinazzo, da Marinha brasileira. Com um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o Shahed conseguiu confundir os sistemas de defesa dos EUA e esteve envolvido na derrubada de aeronaves norte-americanas e no ataque a navios cargueiros que se aventuraram pelo estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. Cada miniatura do Shahed, impresso em 3D, e vendida na praça, saía pelo equivalente a US$ 3, mesmo preço da miniatura do míssil Fattah-1, outra jóia do arsenal iraniano, um míssil “hipersônico” que viaja em direção ao seu alvo a uma velocidade cinco vezes maior do que a velocidade do som (cerca, 6.100 km/hora). Os meninos adoram.

Segundo a organização do enterro, o corpo do aiatolá Khamenei, em caixão fechado, deixará Teerã nos próximos dias e percorrerá cidades do Irã e do Iraque (Najaf e Karbala), onde se encontram santuários sagrados do islamismo. O enterro ocorrerá no local que ele determinou em testamento.

Segundo a agência de notícias iraniana Fars, uma cerimônia de homenagem para líderes estrangeiros e autoridades de alto escalão está prevista para 3 de julho em Teerã. Cerimônias públicas de despedida estão marcadas para os dias 4 e 5 de julho no Imam Khomeini Mosalla, na capital. Uma procissão fúnebre em Teerã está agendada para 6 de julho. Outras cerimônias estão programadas para 7 de julho em Qom, 8 de julho em Najaf e Karbala, e 9 de julho em Mashhad, cidade no nordeste do Irã, terra natal de Khamenei. Ele será sepultado no Santuário do Imam Reza, um dos locais mais sagrados do Islã xiita.

Em tempo: estou usando véu, em sinal de respeito aos preceitos religiosos xiitas. Também me visto de forma respeitosa em relação dos preceitos religiosos quando compareço a cerimônias católicas, evangélicas, judaicas ou do candomblé.  Mas, andando pela cidade de Teerã, vi muitas (muitas mesmo) mulheres sem véu. Trata-se de um sinal evidente de distensão da norma.

Por Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres

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O caso Mariana Ferrer, por Honoré de Balzac

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

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O caso Mariana Ferrer por Honoré de Balzac

Por Dirce Waltrick do Amarante*

Quando o escritor francês Honoré de Balzac teve acesso ao vídeo da audiência de Mariana Ferrer, ele decidiu escrever o Código dos homens honestos, isso nos idos de 1875, mas só agora estou tornando públicas suas palavras, que estavam sob segredo de justiça.  

Em uma análise bastante rigorosa, Balzac lembra, em primeiro lugar, que sabemos perfeitamente bem que “em princípio, ficou estabelecido que a justiça seria para todos, mas […]” . A tradução é de Léa Novaes, pois Balzac tinha dificuldade em escrever em português.

Dito isso, ele fala da figura do procurador. Em tempos idos, diz Balzac, os procuradores “levavam tão a sério o interesse de um cliente que chegavam a morrer por eles”. Além disso, eles “nunca frequentavam a sociedade”, e se a frequentassem eram vistos como “monstros”, mas hoje, “hoje tudo está monetarizado: já não se diz que Fulano foi nomeado procurador-geral, vai defender os interesses de sua província […]. Não, nada disso; o senhor Fulano acaba de conquistar um belo posto, procurador-geral, o que equivale a honorários de vinte mil francos […]”.

Balzac ia falar da figura do juiz e do defensor público, mas depois de tudo que assistiu ficou sem as palavras justas para descrevê-los.

Então, o escritor francês decidiu se debruçar sobre o papel do advogado, que “frequenta bailes, festas […] despreza tudo o que não é elegante”. E, diz Balzac, “Justiça seja feita aos advogados […]! São os decanos, os chefes, os santos, os deuses da arte de fazer fortuna com rapidez e com uma sagacidade que os torna merecedores de muitos elogios”.

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

Não citei na íntegra o texto do Balzac, porque foram esses os únicos fragmentos aos quais tive acesso, os outros foram apagados.  

*Formada em Direito, em 1992, na Universidade Federal de Santa Catarina

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