“Bora pra luta?”

Ela trabalhava como entregadora na Rodovia Fernão Dias, que é considerada uma das mais perigosas do país. Preta é mãe solo e hoje trabalha como mototáxista numa rotina de 12h de trabalho.
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Foi assim que Preta, ex-entregadora do Ifood, me chamou antes de sair pra trabalhar.


Ela trabalhava como entregadora na Rodovia Fernão Dias, que é considerada uma das mais perigosas do país.
Preta é mãe solo e hoje trabalha como mototáxista numa rotina de 12h de trabalho.

Antes de ser mãe, a Preta tinha uma relação com o trabalho na moto completamente diferente e, mesmo se tornando muito mais cautelosa na direção, sofreu um acidente há um mês que destruiu ela e a moto. Abriu uma vaquinha on-line para recuperar a moto, pois o aplicativo não ofereceu qualquer custo de manutenção do veículo e, depois de um mês, voltou às entregas nas rodovias, com o nariz fraturado e o corpo esfolado.

Ela contou que no início da profissão como moto-girl, há dez anos, era uma das únicas mulheres do interior de São Paulo que trabalhava na direção.
Quando foi trabalhar em São Paulo pela primeira vez era notada pelas pessoas com estranhamento, por ser uma mulher numa profissão perigosíssima.


Durante o processo da reportagem, Preta saiu do Ifood, pois diz que estava sendo escravizada pelo aplicativo. Ela se solidariza com a luta dos entregadores e só não participou da paralisação nacional porque estava se recuperando do acidente.

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