Da Quaresma que chega

Frei Betto

 

 

 

24 de fev. de 2020 às 10:11, escreveu:

São Paulo, Quaresma de 2020

Queridos amigos e amigas,

    Como todos os anos, volto à Campanha de Quaresma – tempo de solidariedade e justiça. Talvez seja a primeira vez que você recebe esta minha carta, remetida todos os anos há mais de duas décadas. Trata-se de uma iniciativa para favorecer um projeto social no qual confio.

    Devido ao modo como o atual governo brasileiro trata a Amazônia, e a importância do Sínodo de Bispos sobre a região convocado pelo papa Francisco, creio que esta é uma oportunidade de manifestar nossa solidariedade aos povos amazônicos.

    Neste ano de 2020, a instituição beneficiária será um projeto da Amazônia – a Comunidade Fazenda São Sebastião, localizada à margem esquerda do igarapé Mapiá, município de Pauini (AM). O acesso é apenas por via fluvial. A cidade mais próxima, Boca do Acre, dista 70 km. A sede municipal, Pauini, a aproximadamente 200 km da comunidade por via fluvial. Sua população é de 19.426 habitantes (IBGE, 2019). Possui um dos IDHs mais baixos do país: 0,49.

    Cerca de 80 famílias vivem na Fazenda São Sebastião. A comunidade foi fundada em 1983 com a chegada de 60 famílias provenientes de Rio Branco (AC), assentadas pelo Incra. Hoje, sobrevivem do extrativismo e da agricultura de subsistência. A base da alimentação é peixe, caça, farinha de mandioca e culturas anuais, como arroz e feijão, cultivados em áreas férteis às margens do rio Purus e nos roçados de terra firme. A renda das famílias é proveniente de aposentadorias, programas assistenciais do governo, como Bolsa Família, e do extrativismo de produtos florestais, com destaque para o cacau nativo e a castanha.

 

    A comunidade vive em área isolada, desprovida de serviços básicos como energia elétrica e saneamento. Também não possui serviços de saúde nem recebe visita regular de médico ou agente de saúde. O posto de saúde mais próximo está localizado em Boca do Acre.

    A comunidade possui uma sala de aula multi seriada, com aproximadamente 20 alunos, de 1º ao 9º ano. No entanto, hoje, a escola é desprovida de professor regular. Funciona em espaço de aproximadamente 25m2, com problemas estruturais que não favorecem o aprendizado (goteiras, calor excessivo, falta de mobiliário adequado etc.). Parte da merenda e material escolar são fornecidos pela escola sede Cruzeiro de Céu.

    Tudo depende do serviço voluntário de duas mães, que se revezam no acompanhamento dos alunos e na preparação da merenda. A escola recebe, esporadicamente, a visita de professores da escola sede. As mães que dão suporte possuem escolaridade até o 5º ano, o que praticamente inviabiliza a aprendizagem dos alunos das séries posteriores.

    No entorno da comunidade residem aproximadamente 20 famílias com crianças e jovens em idade escolar, que não frequentam a escola por não haver disponibilidade de transporte até a sala de aula.

    A campanha deste ano está focada na estruturação da escola da comunidade, o que envolve: 1) construção de novo espaço para funcionamento (sala de aula, cozinha, refeitório e banheiros), incluindo toda a estruturação física; 2) contratação de dois professores e uma merendeira; 3) compra de material escolar; 4) compra de alimentos para complementação da merenda escolar; 4) viabilização do transporte escolar.

   

http://www.isavicosa.org/pt/

 

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

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