Conversa Pública junta psicanálise e jornalismo no enfrentamento da violência de Estado

Os Jornalistas Livres e Clínica do Testemunho do Instituto Sedes Sapientiae, convidam você para uma reflexão sobre o Estado de Arbítrio e Violência, narrativas e resistência.

No sábado 19 de novembro, às 14hs, a XII Conversa Pública, da Clínica do Testemunho, se desloca para o espaço dos Jornalistas Livres na rua Conselheiro Ramalho 945, Bela Vista, criando a possibilidade de encontro entre duas categorias: jornalistas e documentaristas, psicanalistas e profissionais da saúde, que trabalham em seus campos, com a reconstrução de narrativas que podiam ser consumidas pela invisibilidade, impunidade e silêncio.

O projeto Clínicas do Testemunho foi criado em 2012 pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e é vinculado a uma política de reparação do Estado, que reconhece a responsabilidade pelo dano causado àqueles que combateram a violência de Estado que ocorreu nos períodos ditatoriais, entre os anos de 1948 e 1988. O programa visa garantir, dentro da responsabilidade do Estado democrático, o direito à Verdade, à Memória e à Justiça.

A Clínica do Testemunho Instituto Sedes Sapientiae trabalha a partir da noção de que é o rompimento do silenciamento, em diferentes níveis e espaços, que permitirá a reparação proposta pelo projeto, levando-se em conta a singularidade da demanda de quem o procura. É o método psicanalítico, ao valorizar o poder da palavra, que norteia eticamente o trabalho, criando espaços de confiabilidade em sintonia com as políticas reparatórias públicas.

Partindo da ideia que o trabalho de reparação é subjetivo e coletivo, terapêutico e político, foram utilizados diferentes dispositivos e metodologias clínicas: grupos terapêuticos, atendimentos psicanalíticos individuais, grupos de reflexão e testemunho, busca ativa de anistiados e conversas públicas, entre outros.

Tais dispositivos foram idealizados de modo a não reduzir o cidadão à condição de mera vítima, mas de Sujeito, cidadão que participa da circulação da palavra e dos corpos no espaço social e que dá nome aos mortos, presos, exilados e expatriados, denunciando com seu testemunho as arbitrariedades ocorridas durante o período ditatorial. O projeto pode produzir insumos para elaboração e transformação de políticas públicas, para que o horror não se repita.

O projeto produziu o livro “Violência de Estado na ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). Efeitos Psíquicos e Testemunhos Clínicos” (Editora Escuta, 2015), que pode ser retirado gratuitamente na Secretaria de Cursos do Sedes, e os filmes: “O grito silenciado” sobre o trabalho da Clínica do Testemunho, disponível no Youtube AQUI e na Biblioteca do Sedes, além do curta-metragem “O Oco da Fala”, que participou do Festival Internacional de Documentários “É tudo verdade”, realizado em São Paulo e no Rio de Janeiro em abril de 2016. Estas duas produções, dirigidas por Míriam Chnaiderman (psicanalista e documentarista) tem por objetivo deixar um registro histórico, político, ético e psicológico dos anos da ditadura no Brasil.

Os documentários serão exibidos na XII Conversa Pública Clínica do Testemunho com os Jornalistas Livres e depois teremos uma mesa de debates com a presença de, Adriano Diogo, Maria Cristina Ocaris, Míriam Chnaiderman, Laura Capriglione e Douglas Belchior. Veja abaixo um breve descrição dos participantes da mesa.

Um novo programa complementar às ações da Clínica do testemunho, Programa de Desenvolvimento Profissional para Recuperação Psíquica e Combate a Violência, financiado pelo Fundo Newton do British Council do Reino Unido. O convênio assinado em março de 2016 entre o Fundo Newton e a Clínica do Testemunho Instituto Sedes Sapientiae se iniciou este ano de 2016, visando expandir o escopo do “Programa das Clínicas do Testemunho” da Comissão de Anistia, usando a experiência adquirida nos últimos anos a partir do trabalho de apoio a pessoas que enfrentam a violência de HOJE, principalmente entre a população mais jovem e socialmente vulnerável. “Uma questão nacional de Saúde Pública”, segundo relatório apresentado pela Comissão Nacional da Verdade. Acesse o relatorio completo neste LINK.

Este programa será desenvolvido em parceria com os professores Stephen Frosh e Bruna Seu, do Birkbeck College da Universidade de Londres, ambos do Departamento de Estudos Psicossociais da Escola de Ciências Sociais, Historia e Filosofia. São oferecidos cursos e supervisões de capacitação para pessoas que atuam no enfrentamento cotidiano de violência e a criação do Centro de Estudos em Reparação Psíquica (CERP).

Leiam mais sobre o significado e a amplitude deste trabalho  na matéria sobre a XX Conversa Pública.

Esta possibilidade do deslocamento do instrumento metodológico da Conversa Pública para o espaço dos Jornalistas Livres, marca uma aproximação de frentes que buscam caminhos e linguagens no enfrentamento das desigualdades, das injustiças, das escutas e das vozes, nas narrativas de enfrentamento à repressão e  autoritarismo. O momento de ampliar e ramificar a qualidade e as possibilidades deste diálogo não poderia ser mais oportuno.

É importante destacar que o Instituto Sedes Sapientiae, por sua vez, ao longo de seus 40 anos de história sempre ocupou um lugar de referência no enfrentamento das questões psicossociais advindas das diversas formas de violência presentes na sociedade, pautando suas atividades na defesa dos Direitos Humanos e da Democracia. E sempre recebeu e abrigou  as manifestações de diálogo e resistência, além de prestar uma série de serviços diretos a população. Conheça mais os trabalhos do Instituto Sedes em (LINK).

 

Descrição dos participantes da mesa:

Adriano Diogo, ex-Deputado Estadual de São Paulo, pelo PT, entre algumas de suas ações, esteve à frente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, que investigou as graves violações de direitos humanos ocorridas no território do estado de São Paulo e, em colaboração com a Comissão Nacional da Verdade, aquelas violações praticadas por agentes públicos estaduais durante o período de 1964 a 1982. Essa comissão encerrou seu trabalhos em março de 2015. Parte do seu conteúdo pode ser acessado em http://verdadeaberta.org/

Maria Cristina Ocariz, psicóloga, psicanalista, e coordenadora da Clínica do Testemunho no Instituto Sedes Sapientiae, entre outros projetos, e é autora dos livros: “O Sintoma e a Clínica Psicanalítica. O Curável e o Que Não Tem Cura”, Via Lettera Editora.
São dois livros?

Laura Capriglione, repórter, trabalhou por muitos anos na grande imprensa e é fundadora com outros colegas dos Jornalistas Livres.

Douglas Belchior, professor e colunista da Carta Capital, com uma longa trajetória de luta pelos direitos do povo preto e periférico. Foi um dos fundadores do Comitê de Luta Contra o Genocídio do Povo Preto, Pobre e Periférico.

Míriam Chnaiderman, psicanalista e documentarista, diretora dos curtas documentário: “Dizem que sou louco” (1994), “Artesãos da Morte”(2001), “Gilete Azul”(2003), “Isso, aquilo e aquilo outro”(2004), “Você faz a diferença (2005), “Passeios no Recanto Silvestre”(2006), “Afirmando a vida” (2009), “M’boi Mirim, Dos Índios, das Águas, dos Sonhos”(2009), “O silêncio que fala”(2015), “O oco da fala”(2016).

 

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