Ôô, presta atenção aê, tragédia não é brinquedo!

#Chegaderacismorecreativo! Por Elisa Lucinda*

A festa de aniversário de Donata Meirelles, diretora da Vogue Brasil, é exemplo de "racismo recreativo". A "comemoração" dos 50 anos de Donata, que ocorreu em Salvador na sexta-feira (8), lembrava a escravidão. Tinha até um 'trono de sinhá' para que os convidados tirassem fotos ao lado de mulheres negras caracterizadas como 'mucamas'

Acontece um momento de extremo amadurecimento, embora duro, na democracia brasileira. E quem mais tem desafios é a Esquerda. A direita come e bebe nestes valores escrotos. Neles se cria e contou com o silêncio das mulheres pra melhor exercer seu horror, com a vulnerabilidade dos excluídos e com o “consentimento” aparente, produzido pela omissão de muita gente bacana, que sempre achou que este assunto não é “comigo”! Eu não sou preto, não sou sapata, não sou gay, não apanho do meu marido, não sou trans, não sou pobre. Meu filho pode correr nas ruas da zona nobre suado que não será confundido com bandido. Além do mais, não tenho parentes em Brumadinho, nem meu perdi meu filho no ninho do Urubu.

Tudo isso nos exigirá coragem! E humildade pra baixar a crista arrogante que levou muita gente inteligente a minimizar o sofrimento de vários segmentos brasileiros.

Já se calou muito. Acho que tem que se acabar de uma vez com este silêncio ensurdecedor. E mais: os filhos de gente branca bacana devem assistir como educação este viés de nossa luta pra que desde pequenos saibam fazer a diferença e aprendam com a diversidade em seus espaços sociais.

É chocante que se possa fazer comemoração com o trágico. Ninguém ouviu falar das torturas com o povo negro e que até hoje não parou??Matam, fecham a porta na cara, cercam os melhores lugares pra que não acertemos no jogo. É novidade? Que parte alguém não entendeu?

Ninguém faz bolo de aniversário usando o campo de concentração judeu como decoração! Chega de chacota com um holocausto que durou 400 anos.

Tais correntes ainda arrastam o desenvolvimento de uma nação que nos encarcera nas cadeias, nos extermina nas favelas, enquanto acredita que será, apesar da barbárie diária, uma grande nação.

Viagem.

Nada disso tem graça. Já passou da hora. E o quilombo também não acabou. No quilombo, pra quem não sabe, acolhiam-se os índios, os brancos inconformados e abolicionistas, além de outros proscritos.

Quanto mais vozes formos, menos seremos abatidos. O quilombo avança. Não se iludam. Nunca fomos tão fortes.

Chega do silêncio dos bons! Acho positivo demais que essa festa contendo tal gravíssimo erro não passe em branco.

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*Elisa Lucinda é poeta, atriz, jornalista, professora e cantora. 

Mídia democrática, plural, em rede, pela diversidade e defesa implacável dos direitos humanos.

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