Base de Bolsonaro politiza facada no candidato

Nomes ligados ao presidenciável fizeram uso de informações falsas em entrevistas e nas redes sociais

Adélio Bispo de Oliveira: desde antes de ser preso e ouvido pela Polícia, já havia quem dissesse que ele era ligado ao PT

O ataque ao deputado estadual e candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL), que aconteceu nesta quinta-feira (6), em Juiz de Fora, Minas Gerais, mobilizou as redes e o noticiário nos últimos dias.

Algumas campanhas presidenciais precisaram, inclusive, rever sua estratégia eleitoral e deram início a sondagens internas para medir o impacto no humor do eleitorado.

Mas dentre essa virada de estratégia das campanhas, a do PSL não passou despercebida. Desde o fatídico atentado – que quase tirou a vida do candidato – os aliados de Bolsonaro passaram a usar politicamente o ataque, fazendo uso, para tanto, de notícias falsas.

Ainda que não seja uma estratégia oficial de campanha, os aliados, através da imprensa e das redes, não hesitam em propagar fake news ou tentar ligar a oposição ao fato.

Pessoas públicas, como a advogada Janaína Paschoal, candidata a deputada estadual pelo PSL, partido de Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia, que apoia a candidatura do presidenciável, o senador Magno Malta (PR) e o General Antonio Hamilton Mourão, candidato a vice na chapa de Bolsonaro, também se prestaram a alimentar o discurso de ódio logo após o crime. Até o ex-prefeito de São Paulo João Dória Jr. não perdeu a oportunidade de fazer proselitismo político com o atentado.

Em entrevista ao UOL, Janaina afirmou que “a imprensa não está mostrando essa pessoa (Adélio Bispo de Oliveira) com camiseta ‘Lula Livre’ nas redes sociais”. Tal afirmação não procede, segundo as testemunhas que estavam no local e a própria polícia.

Silas Malafaia usou as redes para ligar Adélio Bispo de Oliveira à ex-presidente Dilma Rousseff e o caso foi parar na Justiça. A petista informou nesta sexta-feira (7) que vai processar o pastor por injúria e difamação.

General Mourão, além de defender que o esfaqueador de Bolsonaro era ligado ao Partido dos Trabalhadores – citar a frase que ele disse isso. , fez comentários que podem ser encarados como ameaças. “Se querem usar a violência, os profissionais da violência somos nós”, afirmou.

Mesmo com o candidato hospitalizado, e depois de ter passado por uma cirurgia delicada, seus aliados não perderam tempo em fazer uso político do ataque. O próprio Bolsonaro, horas depois do crime, posou para uma fotografia simulando estar segurando uma arma de fogo, como registrou a Folha de S. Paulo..

Entre as notícias falsas, a maior parte delas tenta ligar Adélio ao PT. Fotos de dirigentes do partido e até do ex-presidente Lula foram manipuladas para fazer parecer que Adélio fosse ligado à legenda. Foram criados perfis falsos com o nome do esfaqueador, entre outros factóides.


Mas quem é Adélio Bispo de Oliveira?

O homem que deu uma facada em Jair Bolsonaro tem de 40 anos e preso em flagrante após o ataque. Ele mora em Juiz de Fora, Minas Gerais, afirmou que o crime foi cometido a “mando de Deus.”  segundo testemunhas e a própria polícia que fez o flagrante.

Com uma análise mais aprofundada em seu perfil nas redes sociais, é possível ver que ele ataca os políticos em geral. No Facebook, o agressor proferiu ataques à representantes de vários partidos indiscriminadamente.

Além disso, entre as 75 mil páginas curtidas pela rede de 900 amigos de Adélio Bispo Oliveira no Facebook, destacam-se as celebridades evangélicas como Silas Malafaia – aliado de Bolsonazi, Marco Feliciano, Aline Barros e Irmão Lázaro. A própria página oficial de Bolsonaro também aparece em destaque entre os amigos do agressor.

O gráfico mostra as páginas curtidas por 900 amigos da rede do agressor de Bolsonaro; celebridades evangélicas e páginas sobre o candidato do PSL são destaque

O perfil de Adélio Bispo de Oliveira na rede social é uma confusão de ideias. Ele segue páginas como Bolsonaro FALSO Cristão e outros grupos que defendem a violência em nome da religião.

De acordo com uma sobrinha, ele era missionário da igreja evangélica, mas estava com pouco contato com a família. Jussara Ramos afirmou ainda em reportagem do BuzzFeed News que “nos últimos tempos ficava falando sozinho e estava com ideias muito conturbadas.

Entre os alvos de Adélio Bispo de Oliveira está a maçonaria: “Na maçonaria a maior parte dos maçons não passa do terceiro grau, servindo de capachos para os mais graduados, e para lhes satisfazer certas vaidades e serviços exclusos (sic).”

E também o candidato Jair Bolsonaro. “A aprovação de Bolsonaro é maior entre os menos estudados, ou seja só analfabetos e semi analfabetos votam em Bolsonaro”, ele afirmou em publicação recente.

A confusão de Adélio Bispo de Oliveira fica ainda mais explícita em textos longos, como uma publicação de 2014, em que defende a redução da maioridade penal para 16 anos.

A única relação política de Adélio Bispo de Oliveira foi com o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), entre os anos de 2007 a 2014. Esta filiação, porém, não explica nem justifica o crime cometido. Qualquer pessoa pode se filiar a um partido político de forma simples.

Em entrevista ao portal G1, um dos irmãos do esfaqueador afirma que ele era um homem tranquilo e trabalhador, que “teve um surto e precisa de tratamento.”

A Polícia Federal segue investigando o caso. Em nenhum momento as autoridades trouxeram qualquer informação sobre o que o submundo da internet — balizado pela base de Bolsonaro — tem tentado criar. A oposição, como eles tentam enfatizar, não foi responsável pela ação.

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2 comentários:
  • Liliane
    12 setembro 2018 at 16:15
    Comente
  • Inácio da Silva
    12 setembro 2018 at 20:18
    Comente

    O rito falando do rasgado…quem costuma politizar qualquer coisa é o PT e seus seguidores…os outros acabam aprendendo…

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