Arte contra a barbárie – Mulheres resistem na poesia

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp

O coletivo Mulherio das Letras, criado em 2017, conta hoje com adesão de mais de seis mil mulheres brasileiras residentes no Brasil e algumas no exterior. Nos últimos dias 2, 3 e 4 de novembro, realizou o II Encontro Nacional no Guarujá, SP, reunindo cerca de 200 de suas integrantes. Do primeiro, realizado no ano passado em João Pessoa, na Paraíba, participaram aproximadamente 500 mulheres, todas ligadas à literatura e ao livro, como poetas, ficcionistas, dramaturgas, tradutoras, pesquisadoras, críticas, editoras, livreiras, ilustradoras, designers e jornalistas, muitas das quais ativistas culturais e sociais, ligadas a movimentos e coletivos.

Maria Firmina dos Reis e Patrícia Galvão – Pagu, mulheres de reconhecido destaque nacional, foram homenageadas através de exposições, palestras e debates, no primeiro e segundo encontro, respectivamente.

Realizados com o apoio e infraestrutura das respectivas Prefeituras Municipais locais, os encontros tiveram caráter inovador, organizados de forma coletiva e horizontal, longe do modelo adotado como padrão de festivais e feiras de literatura que ocorrem em todo o Brasil.

Trata-se de uma iniciativa pioneira, marco no cenário da literatura brasileira na luta por maior visibilidade da produção literária da mulher na literatura e na luta por direitos que teve na figura da escritora Maria Valéria Rezende, residente em João Pessoa, figura extraordinária de nossas letras, uma de suas principais ideólogas e motor inspirador em todas as etapas do coletivo.

As incontáveis discussões realizadas nos encontros nacionais bem como em inúmeros coletivos regionais decorridos durante o ano, através de rodas de conversas, palestras e oficinas, acabaram também por conduzir a debater as distorções da atual conjuntura brasileira e vêm balizado propostas e passos decisivos ainda a percorrer, transformando o coletivo em verdadeiro movimento.

Uma delegação de Natal, RN, composta por Rejane Souza, Jeanne Araújo, Eliety Marry e Gilvania Machado, representando o coletivo Nísia Floresta, propôs e foi aprovada por unanimidade, a realização do III Encontro Nacional do Mulherio das Letras na cidade de Natal, em outubro de 2019. O fato se reveste de simbologia, levando-se em conta que o Rio Grande do Norte elegeu este ano uma mulher para Governadora, Fátima Bezerra, a única mulher eleita governadora no país, tendo recebido a maior votação da história daquele estado.

Ao final do Encontro, uma Carta Aberta (abaixo) foi redigida, aprovada e já começou a circular nas redes sociais e blogs alternativos.

CARTA ABERTA DO II ENCONTRO NACIONAL DO MULHERIO DAS LETRAS – GUARUJÁ 2018

“A esperança é cortada, mas se regenera”. (Pagu)

O Mulherio das Letras, criado em 2017, é um coletivo feminista literário, diretamente interessado na expressão pela palavra escrita e oral, com adesão de mais de seis mil mulheres brasileiras residentes no Brasil e no exterior, que se propõe a discutir as questões da mulher nas áreas da arte e da cultura.

As mulheres reunidas neste encontro, diante da atual e grave conjuntura do Brasil, se comprometem a defender as seguintes pautas:

  1. O exercício pleno e irrestrito da democracia;
    2. A liberdade de expressão;
    3. A garantia e ampliação das políticas públicas para o livro, a leitura, a literatura e as bibliotecas;
    4. Salvaguardar os direitos das mulheres, bem como fortalecer e dar visibilidade à literatura produzida por elas;
    5. Comprometimento com a defesa da diversidade étnica, de gênero, de classe, de orientação sexual, bem como com a inclusão das mulheres com deficiência;
    6. A defesa da educação e, especialmente, da universidade pública, gratuita, laica, de qualidade, inclusiva e aberta à comunidade;
    7. A resistência ao sucateamento e desmantelamento dos equipamentos culturais e instituições públicas.

Paralelamente, o Mulherio das Letras realizará ações efetivas nos níveis regional, nacional e internacional, no sentido de manter permanentemente mobilizado o Movimento.

Comissão de redação:
Cátia Moraes
Dalila Teles Veras
Giovana Damaceno
Lindevânia Martins
Patrícia Vasconcelos
Rejane Souza
Rosana Chrispim

Carta aprovada com acréscimos e supressões na leitura pública deste documento no encerramento do Encontro.

Guarujá-SP, 4 de novembro de 2018.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

COMENTÁRIOS

POSTS RELACIONADOS

Ajuste Familiar no Brasil de hoje, por Dirce Waltrick do Amarante. Imagem: Gustav Klimt.

Foi numa manhã primaveril que decidi que seria heterossexual.
Assim, convicto, fui tomar café da manhã com a minha família, que era, contudo, desajustada: meu pai era funcionário fantasma no gabinete de um vereador, minha mãe era laranja do meu pai, que era laranja do vereador, meu irmão colecionava armas (de plástico, pois não tínhamos dinheiro para comprar armas de verdade).

>