Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp

 

Devassou a alma, sem marcar hora, a era nova que domina os ouvidos, mudou todo hábito e rumo. Até o grande encontro dos indígenas, de forma encantada, se dá online, o grande acampamento numa terra livre em monitores conectados, nos cinco cantos do país.

 Abracadabra,  dúvidas a pino tememos magoarem a fonte, secar sem certeza a sensatez dos seres em frenético e silencioso apartheid, mas não, reúne em grande praça digital a fuga da peste. Pacífica dor sangra a mente dos povos, morde pelas costas, sufoca pulmão e coração, e os indígenas reinventam-se.

 Respire, é imprescindível marcar presença, bater ponto na ausência de entendimentos, parar o consumo nesse momento. Há estranha normalidade na anomalia dos ares nas grandes cidades, a atmosfera sai da UTI, selvagens animais povoam a via, e os seres humanos dialogam com um click.

 Se há futuro agora, nunca houve, então, o que via meus olhos, de repente enxuto na peste, silenciando o frenesi das calçadas, o rio do tráfego?

 Se cuide, diz a mensagem, lave as mãos. Tão simples evadir-se da revolução, tirar os sapatos, lavar as cuecas. Mesmo que volte, agora uma quarentena terá seu lugar entre nossas camas, nossos leitos e largos. As praças de nosso espírito não serão deveras, um cachorro ou outro talvez urine aqui e ali.

 Valas comuns ajeitam-se para os corpos que espalham o dissenso do capitão. Entre a gente, no desejo, erguem-se muros invisíveis. Estamos refugiados, isolados, mas poucas vezes nos vimos tanto numa linha.

 Em nosso lugar de trabalho, agora, há uma porta, janelas em todas paredes. Se um presidente raso acampar em seu quintal, não desista,  o mundo continua cheio de caducos, fritos. 

 As bobagens que pensávamos, falsas cartas e tratados, unhas negras, filmes piratas… agora nada servem. Cunha-me a visão, feminina senha, tudo pede agora mais higiene, limpeza geral nas atitudes. 

 Não sei se creio numa nova era, ou se afunda mais minha senda, mas sigo entre aqueles que querem  a espinha ereta, tatuagem na pele e a saúde dos povos.

*imagens por Helio Carlos Mello

COMENTÁRIOS

  • POSTS RELACIONADOS

    Aulas presenciais para aumentar o genocídio?

    Falar em retorno presencial hoje significa mandar deliberadamente 60 milhões de crianças e adolescentes para dentro de câmaras de gás, as salas de aula. Isso tem nome: genocídio

    >