“Só ouço barulho”. O código Trump: conspiração e a desinformação em chave atualista
“Eu não entendo, você é o presidente! Você não é como o tio louco de alguém que pode simplesmente retuitar qualquer coisa”
Publicadoo
6 anos atrásem
por
Aloisio Morais
Na noite da quinta-feira dia 15 de outubro ocorreram simultânea e separadamente debates com os dois candidatos à presidência dos EUA, Donald Trump e Joe Biden, com eleitores em emissoras de televisão concorrentes. Esse duplo espetáculo político-midiático foi a solução encontrada frente ao cancelamento do debate direto entre os dois candidatos, devido à recusa de Trump em participar em formato remoto após ter contraído o coronavírus.
Mateus Pereira, Walderez Ramalho, Valdei Araujo, professores da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) em Mariana, MG*
Cada candidato respondeu a perguntas feitas pelo público e pelos jornalistas responsáveis por conduzir a entrevista. Biden falou em estúdio da rede ABC na Filadélfia, intermediado pelo jornalista George Stephanopoulos, enquanto Trump foi sabatinado no estúdio da NBC em Miami, com a mediação da jornalista Savannah Guthrie.
Essa separação entre os candidatos em dois debates distintos e simultâneos acentuou o contraste nas estratégias e abordagens que cada um deles adota na disputa pela preferência do eleitorado. Além de ser um símbolo da divisão atual que tem corroído por dentro diversas democracias ao redor do mundo.
Essa diferença foi amplamente destacada pela imprensa estadunidense e global. No evento estrelado por Biden, o debate foi marcado pela parcimônia e discussão mais moderada. Tanto o candidato democrata quanto o moderador realizaram poucas interrupções. Mesmo quando confrontado com questões mais difíceis, Biden manteve o tom de voz mais baixo e, geralmente, esperava o seu interlocutor concluir a pergunta. Quando criticado por suas falas e posições, Biden contra-argumentou sem adotar uma postura agressiva. Chegou inclusive a reconhecer e lamentar algumas posturas adotadas no passado – por exemplo, a sua participação na aprovação da “Lei de Crimes” de 1994, que muitos apontam como um dos fatores para a ampliação do encarceramento em massa da população negra daquele país.

Nada mais diferente do que se viu na sabatina com Donald Trump. Um detalhe curioso foi que a transmissão teve início com a mediadora Savannah Guthrie relatando à equipe da NBC que ela estava com alguma falha técnica em seu ponto de ouvido: “Só ouço barulho”: essa foi a primeira frase que o público ouviu quando o espetáculo começou. Parecia um prenúncio do que ocorreria ao longo dos 60 minutos restantes da atração.
De fato, em comparação com o evento com Joe Biden, o debate com Donald Trump foi muito mais cacofônico e caótico, o volume da fala muito mais alto e o tom mais agressivo e disposto ao confronto e à polêmica. Ao longo do evento houve constantes interrupções, tanto da parte de Trump quanto de Guthrie – que não se escusou em pressionar o candidato republicano todas as vezes que tentava fugir de uma questão ou desviar o assunto, um estratagema que ele empregou à exaustão.
Um dos momentos mais comentados foi quando Guthrie pressionou Trump sobre as teorias conspiratórias que o elegeram como herói na luta contra a pedofilia (QAnon), e de que Joe Biden teria arquitetado o “falso” assassinato de Osama Bin Laden – mentira que o próprio presidente dos EUA difundiu por meio de sua conta no Twitter.
Nesta coluna, faremos uma análise mais detida do embate entre Trump e Guthrie a respeito desses temas. As falas demonstram como Trump intensifica a agitação e a confusão por meio de estratégias retóricas muito bem calculadas. Cada frase empregada desempenha uma função, e visa ativar/atualizar em partes do eleitorado determinados afetos e visões de mundo.
Para Trump, a confusão e a agitação são métodos de mobilização poderosos. Interrupções, tom de voz alto e agitado, frases desconexas e que se contradizem entre si podem parecer apenas sinais de uma mente fraca e perdida. Mas convém não subestimar a capacidade de se conectar com seu público de um “showman” que logrou se tornar o presidente da nação mais poderosa do planeta. Convém também avaliar os recursos retóricos empregados pelo candidato-agitador com referência à condição atualista que caracteriza o nosso presente.

***
Savannah Guthrie – Tudo bem, enquanto estamos denunciando, deixe-me perguntar sobre o QAnon. É essa teoria de que os democratas são uma rede satânica de pedofilia e que você é o salvador. Você pode agora, de uma vez por todas, afirmar que isso definitivamente não é verdade, e…
Donald Trump – Então, eu sei [um fala em cima do outro]
SG- Rejeitar o QAnon…
DT- Sim.
SG- Em sua inteireza?
DT- Eu não sei nada sobre QAnon
(Ao interromper continuamente a fala de seu interlocutor é produzida uma quebra do fluxo comunicativo. O diálogo se transforma em uma cacofonia de alto volume e velocidade – falas quebradas e sobrepostas, onde um tenta falar por cima do outro, o que intensifica a sensação de conflito, em vez de um debate entre ideias e posições. Esse tipo de situação dificulta a compreensão do conteúdo das falas em si; no entanto, ao criar esse ambiente conflitivo, Trump reforça a mensagem de que ele está sob ataque constante da “grande mídia”, ao mesmo tempo que tenta transmitir uma ideia de força e virilidade, alguém que não se intimida perante o inimigo mas, ao contrário, está sempre pronto para o contra-ataque.)
SG- Eu acabei de te dizer [o que é QAnon]
DT- Eu sei muito pouco. Você me disse, mas o que você me diz não significa necessariamente que seja verdade. Eu odeio ter que dizer isso.
(Trump continuamente reforça a desconfiança do público com a grande mídia, utilizando-se de uma estratégia negacionista que alimenta um ceticismo irresponsável; mais como gesto emocional do que como resultado de análise crítica fundamentada. Embora Guthrie tenha apenas descrito um fato conhecido por muitos – a existência da teoria conspiratória QAnon –, Trump se recusa a aceitar como fato, dizendo que se trataria apenas da palavra e opinião da jornalista. No “código Trump” de desinformação, a grande imprensa é um bloco monolítico totalmente corrompido e a serviço dos democratas (e da esquerda radical), isso inclusive justificaria a existência de um suposto outro lado, como a Fox News, que seria tão parcial quanto às demais, mas sua parcialidade estaria justificada como reação à mídia hegemônica. É no interior desse quadro que o negacionismo como estratégia de desinformação adquire sentido e eficácia.)

DT- Eu não sei nada sobre isso. Eu sei que eles [QAnon] são totalmente contra a pedofilia. Eles lutam muito. Mas não sei nada sobre isso [Não fica claro se está referindo ao QAnon ou aos democratas pedófilos]. Se você gostaria que eu…
(Na mesma frase diz não saber nada sobre o QAnon e que “eles são totalmente contra a pedofilia”, que “lutam muito”. A coerência interna da sua posição (se ele sabe ou não sabe sobre a teoria) importa pouco do ponto de vista do seu objetivo, que é de ativar sua base de apoio. Afinal, enquanto presidente dos EUA, é factualmente impossível que ele não saiba nada sobre o QAnon. Mas, ao ligar a teoria com uma suposta luta anti-pedofilia, Trump é capaz de, ao mesmo tempo, acenar à sua base de eleitores que acredita na teoria conspiratória, e também para o público em geral que abomina a prática da pedofilia. A função da teoria QAnon consiste exatamente em atribuir essa prática aos democratas, ao passo que Trump figura nessa narrativa como um grande salvador e defensor das crianças e um herói vingador contra os abusadores. Na verdade a comunicação – se é que podemos usar esse conceito – só se efetiva quando a mensagem de Trump atinge as bolhas de desinformação que reproduzem continuamente memes e narrativas conspiratórias. É nesse ambiente que a mensagem de Trump realmente é ativada. Para nós que estamos fora dessas bolhas, tudo soa apenas como barulho, loucura ou má-fé. Trump alimenta a teoria conspiratória sem arcar com os custos de uma afirmação direta e clara.)
SG- Eles acreditam que é um culto satânico dirigido pelo estado profundo.
DT- Estude o assunto. Eu vou te dizer o que eu sei. Eu sei sobre o Antifa, e sei sobre a esquerda radical, e sei como eles são violentos e cruéis. E eu sei como eles estão incendiando cidades administradas por democratas, não dirigidas por republicanos.
(Aqui Trump promove um desvio de foco trazendo à tona os grupos antifascistas e da “esquerda radical”, tema com o qual se sente mais à vontade e que é diariamente coberto pela imprensa que o apoia. Assim, sugere que a jornalista evita abordar o tópico por não fazer uma cobertura imparcial. Novamente a lógica do “doisladismo”, como se a realidade dependesse apenas de sua preferência política, sem qualquer possibilidade de confiança no outro lado acerca inclusive dos mais elementares aspectos da realidade, como as vantagens do uso de máscaras, por exemplo. Desse modo, Trump está atualizando uma narrativa que já circula amplamente no país. Sob esse ponto de vista, importa pouco se os grupos referidos pelo candidato-agitador realmente realizam as ações que ele lhes atribui.)

SG- O senador republicano Ben Sasse disse que “QAnon é louco e os verdadeiros líderes chamam de teorias da conspiração, teorias da conspiração.”
DT- Ele pode estar certo.
SG- Por que não dizer apenas que é loucura e que não é verdade?
DT- Posso ser honesto? Ele pode estar certo. Eu simplesmente não sei sobre QAnon.
SG- Você sabe!
DT- Eu não sei! Não, não sei! Eu não sei! Você me contou tudo sobre isso.
(Quando confrontado novamente pela jornalista, Trump volta a negar que conheça algo sobre o QAnon. Repete a mesma frase três vezes: “Eu não sei”. Falas repetitivas são um dos recursos retóricos mais utilizados por Trump.[1] Obviamente, trata-se de uma negação falsa, e a jornalista sabe disso. Sendo o presidente dos EUA, como ele pode não saber sobre a teoria que o celebra como salvador? Para sua base mais fiel, esse tipo de movimento pode ser entendido apenas como resiliência e resistência a ceder às armadilhas da mídia adversária.)
SG- Ok, eu tenho mais uma desse tipo.
DT- … deixe-me dizer a você. O que eu ouvi sobre isso é que eles são fortemente contra a pedofilia. E eu concordo com isso. Quer dizer, eu concordo com isso…
SG- OK.
DT- … e eu concordo fortemente com isso.
SG- Mas não há uma seita pedófila satânica sendo dirigida por…
DT- Eu não faço ideia. Eu não sei nada sobre eles.
(Ele diz não saber nada sobre QAnon. Mas diz saber que eles são contra a pedofilia. E que ele “concorda fortemente com isso”, isto é, ele diz defender a luta contra a pedofilia. Mas se recusa a se comprometer com a conspiração em seu conjunto, pois “não sei nada sobre eles”. Ao dizer que ele não sabe sobre o QAnon, Trump não está recusando a validade da teoria conspiratória, de algum modo o clima conspiratório é até reforçado. O tema do culto satânico propagado pela teoria QAnon não pode ser afirmado, mas ele deixa uma dúvida no ar sobre a sua existência (“Eu não faço ideia”). Essa centelha, mesmo que mínima, já é o suficiente para quem defende e acredita na conspiração, e também acende a desconfiança entre o público mais amplo, que abomina a existência da pedofilia.)

SG- Você não sabe disso? OK.
DT- Não, eu não sei disso.
SG- Você, apenas esta semana…
DT- E nem você sabe disso.
(Novamente Trump denuncia a falta de credibilidade e imparcialidade da jornalista. Ele não sabe nada sobre o QAnon, mas ela também não sabe. Aqui, Trump está jogando com a armadilha criada por teorias conspiratórias, pois a jornalista não poderia apresentar uma prova de que a tal seita satânica dos democratas efetivamente não existe. O ônus da prova é transferido de quem afirma a existência para aqueles que estão empenhados em negá-la. Assim, por mais surreal que pareça, uma questão factual se transforma em questão de falsa opinião, de achismo. Eu acho que existe! Mas não tendo provas, só convicções… Você que não acredita em mim, mesmo não tendo provas, tem apenas outra opinião. Após essa operação, o absurdo é naturalizado e pode, então, ser vivido como realidade, como parece ser um dos traços principais das atuais guerras culturais de atualização em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. O princípio básico de que cabe a quem acusa apresentar as provas é cancelado e com ele qualquer possibilidade de justiça.)

(Essa tentativa de corroer a credibilidade da jornalista é crucial para o código Trump. Reforça a mensagem de que ele está em uma situação de confronto com um inimigo com quem o diálogo não é possível. No limite, ninguém sabe sobre o QAnon; portanto, qualquer tentativa da jornalista de confrontá-lo terá pouca efetividade na base trumpista e é visto apenas como um uso político para beneficiar seu adversário.)
SG- OK. Ainda esta semana, você retuitou…
DT- Por que você não está me perguntando sobre o Antifa? Por que você não está me perguntando sobre a esquerda radical?
SG- Porque você só, porque você já falou voluntariamente…
DT- Por que não está fazendo perguntas a Joe Biden sobre, por que ele não condena a Antifa? Por que ele diz que não existe?
SG- Porque é você que está aqui na minha frente.
DT- Antifa, não, com licença. Isso é tão fofo… Antifa existe. Eles são cruéis, eles são violentos. Eles matam pessoas e estão incendiando nossas cidades. E eles são da esquerda radical.
(Essa passagem complementa a anterior. Além de não saber nada sobre o QAnon, a jornalista se recusaria a falar de coisas que “ele sabe”: sobre os grupos Antifa e a “esquerda radical”. Deixa no ar a sugestão que a jornalista é comprada, está de má-fé por não querer condenar aquilo que ele considera condenável. Assim, a grande imprensa se associa à “esquerda radical” e ao “Estado profundo”. Importa reconhecer que por mais que essa narrativa do QAnon não tenha nenhum embasamento em fatos, ela tem grande efetividade entre o público mais amplo, que tem boas razões para duvidar da imparcialidade da grande mídia.)

SG- Ainda esta semana, você retuitou, para seus 87 milhões de seguidores, uma teoria da conspiração que afirma que Joe Biden tramou para assassinar seis integrantes dos comandos especiais da marinha para encobrir a falsa morte de Bin Laden. Por que você mandaria uma mentira dessas para seus seguidores?
DT- Eu não sei nada sobre isso, posso [falam em cima do outro]
SG- Você retuitou…
DT- Isso foi um retuíte. Essa foi uma opinião de alguém…
SG- Mas…
DT- …. e isso foi um retuíte. Vou colocar isso aí. As pessoas podem decidir por si mesmas. Eu não me posiciono.
(Inicialmente, Trump tenta repetir o estratagema da negação – “Eu não sei nada sobre isso”. Mas na sequência, ele adota um outro recurso, o de rejeitar a responsabilidade de sua própria ação – ter espalhado a mentira envolvendo Joe Biden e o assassinato de Osama Bin Laden. O termo técnico para essa figura retórica é “paralipse” ou “preterição”: quando o orador afirma que não diz algo, mas diz. No caso, ele tenta transferir a terceiros a responsabilidade pela autoria da mentira, dizendo que ele apenas “retuitou” a mensagem. Ao mesmo tempo, ele transfere ao público a responsabilidade de checar a veracidade da mensagem, pois caberia a cada um decidir sobre o tema – apesar de ele ser o presidente dos EUA e ter à disposição a polícia e os serviços de inteligência… De sua parte, afirma, “eu não me posiciono”, ou seja, não quer assumir a responsabilidade pela mentira propagada por ele mesmo.)
SG- Eu não entendo, você é o presidente. Você não é como o tio louco de alguém que pode simplesmente…
DT- Não não. Não não.
SG- … retuitar qualquer coisa.
DT- Isso foi um retuíte. E eu faço muitos retuítes. E, francamente, porque a mídia é tão falsa, e tão corrupta, se eu não tivesse mídia social… Eu não chamo de Twitter, chamo de mídia social. Eu não seria capaz de espalhar minha mensagem. E a mensagem é…
(Ao ser chamado pela jornalista a assumir a responsabilidade de seus próprios atos, Trump contra-ataca dizendo que não se pode confiar nas instituições, especialmente a imprensa profissional. Ele retuíta a informação (falsa) porque, segundo sua narrativa, seria necessário combater a mídia corrupta e esquerdista. O resultado é a intensificação do barulho, da agitação e da confusão. A premissa aqui é condizente com a ordem ultra-individualista: é preciso contar e confiar na liberdade de cada um para julgar e avaliar as narrativas em disputa. Assim, Trump alimenta e é alimentado pelo atualismo e desinformação político-midiática, em especial, por ser um dos arquitetos de uma realidade que se atualiza em função da própria atualidade sem a necessidade de prestar conta com o dia anterior. Uma realidade atravessada pela ilusão da reprodução automática, onde o valor de novidade e o achismo se confundem com o valor de verdade e o conhecimento fundamentado.)
SG- Bem, a mensagem é falsa.
DT- … e você sabe qual é a mensagem? A mensagem é muito simples. Estamos construindo nosso país, mais forte e melhor do que nunca.
SG- Vamos parar.
DT- E é isso que está acontecendo. E todo mundo sabe disso.
(Enfim, Trump foi realmente massacrado pela jornalista? Em nossa opinião, nesse episódio, o código Trump foi efetivamente transmitido para a sua base. Aqueles que não compartilham do código têm a sensação de que Trump foi derrotado no debate. Mas a armadilha está no fato de que quanto mais Trump é pressionado pela mediadora e chamado a assumir a responsabilidade de suas próprias falas, mais se acentua a sensação entre sua base (e potenciais eleitores) de que ele é vítima de perseguição. A agitação e confusão é uma estratégia coerente para reforçar a mensagem. Em vez de prestar contas com o público pela propagação de teorias falsas e conspiratórias, Trump reforça essas teorias constantemente mobilizando seus códigos. Ainda assim, tudo indica que a maioria dos eleitores propensos a votar no confuso e complexo sistema eleitoral americano estão exaustos e dispostos a não renovar mais uma temporada do show de Trump. Ainda assim, não há como esconder a ansiedade e o medo e uma nova virada como a de 2016. Quando fechamos essa coluna novas rodadas de pesquisa mostram uma leve recuperação de Trump e volta-se a falar de interferência russa na promoção de propaganda falsa. Como as últimas eleições aqui e lá demonstraram, hoje pode-se perder ou ganhar um pleito em 24 horas.)
(*) Mateus Pereira e Valdei Araujo escreveram o Almanaque da Covid-19: 150 dias para não esquecer ou o encontro do presidente fake e um vírus real com Mayra Marques. Ambos são professores de História na Universidade Federal de Ouro Preto, em Mariana (MG). Também são autores do livro Atualismo 1.0: como a ideia de atualização mudou o século XXI e organizadores de Do Fake ao Fato: (des)atualizando Bolsonaro, com Bruna Klem. Walderez Ramalho é doutorando em História na mesma instituição. Agradecemos à Márcia Motta e ao grupo Proprietas pelo apoio e interlocução nesse projeto.
[1] MONTGOMERY, Martin. Post-truth politics? Authenticity, populism and the electoral discourses of Donald Trump. Journal of Language and Politics, v. 16, n. 4, p. 619-639, 2017.

Você pode gostar
-
O show de Trump: renovação ou cancelamento?
-
O primeiro efeito colateral da coronaVac
-
Os negócios da fé e o militarismo nas eleições municipais: o futuro-presente das esquerdas
-
A ‘facada’ de Trump e o esquecimento da cloroquina
-
O primeiro debate presidencial nos EUA e a crise da democracia
-
Dilma: As 12 falsificações do discurso de Bolsonaro na ONU
Geral
Narcorrachadão das Américas, o escudo
De Serra Pelada ao narcogarimpo continental. Prometem combater o crime. Mas quem fica no controle?
Publicadoo
2 semanas atrásem
22/10/26
Narcogarimpo. Comércio de ouro, de fachada, para lavar o dinheiro sujo do narcotráfico. O que poucos sabem, quase ninguém, é que o narcogarimpo começou por volta de 1981, em Serra Pelada. Com gente chegando de tudo quanto era canto, o regime militar logo enviou, ainda em maio de 1980, interventor federal para botar ordem na bagunça, Major Curió. E ele botou. Proibiu a entrada de crianças, mulheres, armas, bebidas. Na cava. Na cratera em si, no formigueiro humano.

Não no Trinta, como ficou conhecida a vila para onde a balbúrdia migrou, lá do ladinho, no km 30 da rodovia PA-175, e criada só para isso: institucionalizar a balbúrdia. No Trinta, aí sim, era tudo liberado. Criança, arma, cachorro, whisky falsificado, ouro ilegal, consumo e tráfico de cocaína, festinha do Vorcaro. O sucesso do narcogarimpo foi tão grande que a vila acabou virando cidade e a cidade foi batizada em homenagem a seu maior protetor e patrono: Curionópolis. Pois é. O narcogarimpo nasceu junto com a narcomilícia. Mas, hoje, juram de pés juntos que querem criar um Escudo das Américas para nos proteger dos narcoterroristas”.

Procura-se: Fabrício Queiroz. Lembra? Mais conhecido como o pivô assumido (1) do esquema de rachadinha no gabinete do então deputado estadual Flávio, o Bolsonaro. Caladinho até dia desses, agora resolveu aparecer todo pimpão falando que “já se movimenta”, dando como certa a vitória do patrãozinho. (2) Prefiro nem imaginar Queiroz se movimentando, a tirar por Bolsonaro Pai fazendo flexão. De todo modo, a dúvida: estaria se movimentando sozinho? Ou se movimentando com os mesmos comparsas de sempre, só esperando para transformar o país num narcorrachadão?
Adriano da Nóbrega, Ronnie Lessa, Peixe, tudo piaba, não, nem estou me referindo a esses, não. Falo de um Alessandro Pitombeira Carracena, por exemplo, que só anda com ilustres cações. Apontado como cúmplice do Comando Vermelho. Sabe? Aquele clubinho de biriba, domingo de sol no parque. Era secretário de Esportes e de Defesa do Consumidor do ex-governador Cláudio Castro, com acesso a informações privilegiadas, ao ser preso por vazar justo esses dados, no caso, sobre operações na Maré, no Complexo do Alemão. (3) A Polícia Federal o descreveu como “verdadeiro integrante” do CV, transcendendo os limites do exercício lícito da advocacia. (4) Gente finíssima, o Carracena. Grande biribeiro. Adivinha quem o indicou a Cláudio Castro? O Queiroz? Não, não foi o Queiroz. Foi o Flávio. Ele mesmo. O Bolsonaro. (5)

Até aí, espero, novidade nenhuma. Mal molhei o bico. O papel de Carracena no esquema com o Comando Vermelho era “apenas” complementar, o X9 da turma, quem entregava as cabeças dos policiais honestos, bucha de canhão, numa bandeja aos traficantes. O responsável pela articulação política e financeira era outro, TH Joias. Era Joias quem, segundo o Ministério Público do Rio, intermediava a compra de armamento pesado, drogas e dispositivos antidrones para o CV. (6) Agora, adivinha de quem TH Joias era aliado de primeira hora? Então. Do Flávio. Aquele. O Bolsonaro. (7)
O contato direto de Joias dentro do CV, conforme foi descoberto na Operação Zargun, da Polícia Federal, era Gabriel Dias de Oliveira, mais conhecido como Índio do Lixão, assessor parlamentar de TH (8) e com quem Joias negociava armas, drogas, cinco milhões de reais convertidos em dólares para a facção. (9) Fartas provas, com direito a videozinho que Índio recebeu de TH Joias, duzentos quilos de maconha. (10) Faltou a selfie com joinha, tudo bem, mas um belo vídeo mesmo assim. Didático. Pena não ter videozinho também dos cento e quarenta e oito quilos de cocaína que TH teria transacionado com Pezão. (11) Luciano Martiniano da Silva. (12) Quem estava acima de todos no bando, “no topo da estrutura”, segundo o Ministério Público Federal.

Resumindo, para ficar facinho de entender: Carracena e Joias formavam o “núcleo de liderança política” do esquema, e os dois estavam “sob a supervisão dele”, de Pezão. (13) Percebe? Tanto o sujeito que Flávio, o Bolsonaro, indicou para secretário de Castro, quanto o aliado de primeira hora de Flávio, o Bolsonaro, eram subalternos de Pezão, o cara que traficava armas do Paraguai (14), drones e equipamento antidrone da China (15), cocaína do… do próprio TH. E, se era Pezão quem supervisionava TH e Carracena, nova dúvida: quem supervisionava Pezão?
Não sei. Mas olha que coincidência: sabe quem também foi preso por suspeita de participar da organização criminosa, apontado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal como liderança do núcleo político do Comando Vermelho? (16) Você deve ter visto, né, nos jornais? Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, vice de Cláudio Castro. Balinha de coco ao primeiro que adivinhar de quem Bacellar era o preferido para suceder Castro como governador. Exato. O filho do homem. Flávio. O Bolsonaro. (17) Vai ter de se contentar com Douglas Ruas, Flavinho. Ouvi dizer que tem bom currículo, ele, achei compatível com os empreendimentos do grupo. (18) Boa sorte.
A sorte que Márcio Canella não teve. Preso em flagrante a dois meses das eleições, com um fuzil no carro. (19) Preso de novo agorinha no dia 15 de outubro, apontado pela PF como “patrono político e articulador de alto escalão” (20) de uma organização criminosa que movimentou sete ponto seis bilhões, com B de Bolsonaro, em lavagem de dinheiro via rede de postos de combustíveis, conexões com milícias, evidente, e com o Comando Vermelho em Belford Roxo. (21) E quem apoiou Canella como seu pré-candidato ao Senado pelo Rio, numa chapa com PL, União Brasil e PP? Quem? A mãe de Flávio, o Bolsonaro? Bem provável, afinal, Rogéria Bolsonaro foi escolhida, uni duni tê, como primeira suplente de Canella. (22) Natural, o apoio. Natural, filho apoiar mãe e a chapa em que sua mãe é suplente. (23) Normal. Nada de mais. Flávio, o Bolsonaro, inclusive, se declarou “surpreso” diante das… desse caso de família todo aí. (24)
A assessoria do candidato à presidência pelo Partido Liberal, a bem da verdade, nega tudo, relação nenhuma com qualquer dos episódios. Claro que nega. Imagina assumir relação com cento e cinquenta quilos de cocaína em meio ao segundo turno, relação com a própria mãe. Caso eleito – bate na madeira –, aí sim, Flávio, o Bolsonaro, poderá assumir relação, filho, enteado, sogra, sobrinho, sair do armário duma vez e assumir tudo, tudinho, inclusive o controle absoluto de quem deveria combater o crime organizado o qual ele jura de pés juntos que irá combater. Eu também negaria. Aliado de primeira hora, indicado por mim, meu preferido para governador, mas nem conheço. Nunca nem vi. Inteligência artificial, essas fotos aí. Não tenho barriga. Bora mudar de assunto, bora?
Que tal? Por que vocês da imprensa não falam sobre o avião lá da FAB com trinta e nove quilos de cocaína, na comitiva do Lula? Perfeito, porque não foi na comitiva do Lula, foi na comitiva do pai, o Bolsonaro. (25) Eu não disse isso. Acho que vou desmaiar, rapeizo. De modo geral, é o que costumam fazer. Negar a realidade. Vê o Trump. Disse que tinha invadido a Venezuela para combater o narcotráfico. (26) Aí, capturou o Maduro e deixou os traficantes todos lá. Colocou outra presidente no lugar para “supervisionar” os trabalhos, capaz. Cartel de Los Soles a pleno vapor. (27) Sem comando, será? Os EUA passaram a controlar o petróleo, (28) querem as terras raras, (29) a Venezuela toda, e justo o cartel de drogas, que era o maior problema do país segue funcionando sem a “supervisão” dos EUA? Estranho, né? Só eu acho estranho?

De besta que sou. Normalidade é exceção no continente. Da Argentina a El Salvador. É, meu querido “ancap” (anarcocapitalista, que defende a abolição total do Estado), não adianta sair de fininho, não, pode voltar, senta aí, e trata de ler até o final. Isso, assim, estrelinha na testa. Começo por Bukele ou por Milei? Milei, né? Visitou o Brasil, xingou meio mundo. Uma graça, ele. Amor de pessoa. Deve ter sido por isso que Gastón Alberdi, ex-aliado próximo, revelou numa entrevista que Milei teria lhe confessado já ter “assessorado narcotraficantes” como economista, (30) e que seu contato, Federico Machado, teria sido apresentado como “empresário”. Ia por acaso falar que era traficante?
Não ia. Claro que não ia. Se falasse, José Luis Espert, candidato de Milei à prefeitura de Buenos Aires em 2025, jamais teria recebido duzentos mil dólares de Machado nem admitido ter feito míseras trinta e cinco viagens nos aviões dele durante a campanha de 2019. (31) Nunquinha. Milei nega tudo, coisa da oposição. Tal qual o presidente do Equador, Daniel Noboa, um dos principais aliados de Trump na região, e que teve sua família investigada por envolvimento no tráfico de cocaína para a Europa. (32) A investigação revelou que ao menos 26 milhões de euros em droga foram encontrados em contêineres de bananas da Noboa Trading Co., empresa da família do presidente, com destino à Croácia e à Itália. Apesar disso, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, elogiou a cooperação de Noboa no combate ao narcotráfico. (33)

No Chile, agora, temos José Antonio Kast como presidente. Bem apessoado. Cara de compenetrado, tem. Mas, ô, dedinho podre. Tanta gente nesse mundo e o sujeito foi me escolher justo Gustavo Villatoro como assessor? Conhece não? Importou lá de El Salvador, ainda por cima, outro país, era ministro da Justiça de Nayib Bukele. “Sócio de narcotraficantes”, segundo consta. (34) O leitor deve estar se perguntando: “Espera, o Bukele não tinha prendido os meliantes, os membros de gangue, livrado o país da criminalidade? É desse mesmo Bukele que estamos falando?”
Olha, justiça seja feita. Prendeu um monte, mesmo, quase todos. Empenhou-se tanto que fez até pacto secreto com o CJNG, o Cártel Jalisco Nueva Generação, do México, em 2023, para que o cartel capturasse e entregasse “Crook”, líder da Mara Salvatruga, maior facção de El Salvador. Em contrapartida, ofereceu um milhão de dólares. No fim das contas, surpresa, descobriram que era tudo armação de um pilantra 171 para cima do governo. (35) Quer dizer, armação, o pacto com o cartel mexicano. Com os cartéis de El Salvador, não teve armação, não. O pacto foi para valer. (36) Isso, para não mencionar os três funcionários públicos salvadorenhos, bem próximos de Bukele, incluindo seu chefe de gabinete, que foram apontados pelo Departamento de Estado dos EUA como corruptos e facilitadores do tráfico de drogas. (37) Te contar, viu, se Bukele por acaso tivesse qualquer tipo de vínculo oculto com Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras condenado a quarenta e cinco anos por narcotráfico, (38) daria até para alguém com mente mais poluída imaginar que esse combate à criminalidade em El Salvador, na ponta do lápis, não ter passado de tomada de território mesmo. Acabar com a concorrência e ficar com o caminho livre para assumir o controle da bandidagem em paz. Mas só se Bukele tivesse vínculo oculto com algum ex-presidente hondurenho condenado por narcotráfico, mesmo, senão… ah, diz que tem? Coincidência, né? Mais uma. Muito embora Flávio, o Bolsonaro, ter declarado, dia desses, não existir isso de coincidência.
Porquê… sabe? Se começarmos a pensar que tem alguma coisa a ver, isso tudo, foragido por tráfico que financia candidato de Milei, sócio de traficantes como assessor de Kast, pacto secreto entre cartéis e Bukele, e mais vínculo oculto com outro ex-presidente narcotraficante – que mal tem, gente, vínculo com traficante, ser sócio, onde já se viu? que isso?, preconceito bobo, eu hein –, onde é que vamos parar?

Vamos pensar mais o quê? Que Trump teria algo a ver com isso? (39) Que Trump estaria controlando o Cartel de Los Soles agora? E que o Escudo das Américas seria só uma desculpinha furada para tomar o controle do narcotráfico em toda a América Latina? Sabe nem o que é Escudo das Américas? Já ouviu falar, sim. Aquela coalizão político-militar criada em março desse ano, liderada pelos Estados Unidos, a fim de “combater” o “narcoterrorismo” na América Latina e que conta com dezessete países da região, entre os quais… Argentina, Chile, El Salvador, Honduras, Equador e Venezuela. Só Brasil e México ficaram de fora. (40) Desfeita.

Se Trump tivesse dado indulto a Hernandez (41), sabe, ou se ele tivesse lucrado milhões de dólares lavando dinheiro do narcotráfico colombiano (42), ou tivesse, sei lá, feito acordo com o filho de El Chapo, lembra de El Chapo?, para que dezessete familiares de líderes do Cartel de Sinaloa entrassem nos EUA (43), ou fosse aliado e entusiasta das bananas de Noboa, aquelas, eu até pensaria mesmo coisa errada sobre o moço. Daria até para pensar que essas centenas de soldados (44) que ele está enviando para a América Latina não são para combater narcotráfico nada, coisa nenhuma, mas só para ocupar o território e tomar o controle do cartel todo, que nem ele fez na Venezuela. Porque besta eu sou, mas nem tanto. Hein? Os EUA acabaram de revogar o visto do procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, o que estava à frente das investigações contra o aliado de Trump, Luis Fernando Camacho, ex-governador de Santa Cruz de la Sierra, afastado por lavagem de dinheiro e proteção a narcotraficantes. O cara também não se ajuda, né?

Não se ajuda. Enfim, Bolívia. Lá longe. O problema de ficar pensando nessas coisas é acabar imaginando que Flávio, o Bolsonaro, só quer virar presidente para que o Brasil entre nesse clubinho do narcotráfico do bem (45) e ele faça que nem Bukele em El Salvador: exterminar a concorrência e entregar o monopólio do narcotráfico de bandeja ao aliado, ao preferido, ao indicado, ao Comando Vermelho e à narcomilícia toda duma vez. E é como dizem, né, porta de entrada. Começa com uma droguinha aqui, outra acolá, e, quando vê, já está fumando cocaína, fica doidão e logo quer dar o ouro, as terras raras, as joias da coroa tudo. Um narcogarimpão das Américas. Botam ordem nas casinhas deles e transformam o país, o continente inteiro, num grande cartel de drogas comandado pela narcomilícia. Que nem Major Curió fez em Serra Pelada. Disse que ia proteger os garimpeiros, acabou criando uma cidade com seu nome para proteger os próprios interesses – e as festinhas do Vorcaro. E é justo o que pode acontecer se Flávio, o Bolsonaro, virar presidente sob “supervisão” de Trump. Ele jura de pés juntos que quer o Brasil no Escudo das Américas para nos proteger. Talvez, só queira mesmo proteger seus narcomilicianos de estimação. Tirar a soberania do Brasil de nossas mãos e entregá-la de mãos beijadas ao narcotráfico internacional. Ao chefão da quadrilha de colarinho branco.
Arrisca? Ou melhor nem pensar nisso?
Referências da reportagem:
1 https://www.cnnbrasil.com.br/politica/queiroz-admite-esquema-de-rachadinhas-ao-mp-e-tenta-inocentar-flavio-bolsonaro/
2 https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/10/pivo-da-rachadinha-queiroz-da-vitoria-de-flavio-como-certa-e-ja-se-movimenta.ghtml
3 https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2025/09/03/quem-e-o-advogado-e-ex-secretario-suspeito-de-vazar-informacoes-e-ajudar-o-comando-vermelho.ghtml
4 https://gauchazh.clicrbs.com.br/seguranca/noticia/2025/09/pf-diz-que-traficante-do-comando-vermelho-pagou-ex-deputado-th-joias-e-ex-secretario-de-esportes-do-rj-cmf90babb02e3015i5iaa5ufw.html
5 https://aparecidanet.com.br/flavio-indicou-membro-do-cv-para-o-governo-de-claudio-castro-no-rj/
6 https://www.bnews.com.br/noticias/politica/drogas-armas-e-bazucas-antidrones-th-joias-vira-reu-por-esquema-ligado-ao-comando-vermelho.html
7 https://www.diariocarioca.com/2026/09/12/politica/judiciario/aliado-dos-bolsonaristas-th-joias-ex-deputado-estadual-no-rio-vira-reu-por-envolvimento-com-cv
8 https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2026/07/22/policia-prende-ex-assessor-parlamentar-de-th-joias-apontado-como-operador-financeiro-ligado-cv.htm
9 https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/09/06/pf-encontra-foto-de-th-joias-na-cama-com-milhoes-ex-deputado-converteu-milhoes-em-dolares-para-traficante-do-alemao.ghtml
10 https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/09/05/th-joias-gravou-video-de-200-kg-de-maconha-e-ofereceu-a-traficante-que-disse-nao-e-bom-de-vender.ghtml
11 https://extra.globo.com/rio/casos-de-policia/noticia/2026/09/mpf-diz-que-th-joias-negociou-com-o-comando-vermelho-arma-usada-para-derrubar-drones.ghtml
12 https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2024/08/27/procurados-chefes-do-trafico-da-velha-guarda-continuam-soltos-no-rj.htm
13 https://extra.globo.com/rio/casos-de-policia/noticia/2026/09/th-joias-guardava-200kg-de-drogas-e-controlava-pagamentos-da-venda-de-cocaina-diz-denuncia-do-mpf.ghtml
14 https://extra.globo.com/casos-de-policia/policia-identifica-traficante-de-armas-preso-com-identidade-falsa-no-paraguai-24884770.html
15 https://revistasegurancaeletronica.com.br/traficantes-do-comando-vermelho-compram-drones-com-capacidade-para-transportar-ate-20-fuzis-entre-favelas/
16 g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/02/27/pf-indicia-rodrigo-bacellar-e-mais-4-por-vazamento-de-dados-para-o-comando-vermelho.ghtml
17 https://diariodorio.com/com-apoio-de-flavio-bolsonaro-bacellar-ganha-forca-como-sucessor-de-castro-no-rj/
18 https://conjur.com.br/2026-out-02/mp-rj-investiga-douglas-ruas-por-peculato-lavagem-de-dinheiro-e-organizacao-criminosa/
19 https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/10/05/preso-com-fuzil-canella-e-o-2-deputado-estadual-mais-votado-no-rj.ghtm
20 https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/rj/canella-era-patrono-politico-e-articulador-de-organizacao-criminosa-diz-pf/
21 https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/10/15/pf-cita-ligacao-de-marcio-canella-com-milicia-e-acordo-com-comando-vermelho.ghtml
22 https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/mae-de-flavio-foi-escolhida-como-suplente-de-canella-preso-pela-pf/
23 https://veja.abril.com.br/politica/preso-pela-pf-marcio-canella-foi-pre-candidato-ao-senado-na-chapa-de-flavio-bolsonaro/
24 https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/flavio-diz-que-foi-surpreendido-com-prisoes-de-canella-e-bacellar/
25 https://brasil.elpais.com/brasil/2019/07/02/politica/1562091519_351309.html
26 https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/06/apos-captura-governo-trump-recua-sobre-acusacao-de-que-maduro-chefiava-cartel-de-drogas.ghtml
27 https://www.ntn24.com/noticias-actualidad/pese-a-captura-de-maduro-el-cartel-de-los-soles-sigue-operando-en-venezuela-asegura-investigacion-de-insight-crime-610894
28 https://www.brasildefato.com.br/colunista/observatorio-de-politica-externa/2026/09/24/soberania-sequestrada-como-os-eua-assumiram-o-controle-das-reservas-de-petroleo-da-venezuela-para-alimentar-suas-refinarias/
29 https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/alem-de-petroleo-eua-miram-potencial-em-terras-raras-da-venezuela/
30 https://operamundi.uol.com.br/politica-e-economia/ex-aliado-acusa-milei-de-manter-lacos-estreitos-com-empresarios-narcos/
31 https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2025/10/07/argentina-extraditara-aos-eua-suposto-traficante-que-diz-ter-financiado-deputado-de-milei.htm
32 https://progressive.international/wire/2025-03-31-daniel-noboas-family-business-president-of-ecuador-is-involved-in-cocaine-trafficking-to-europe/en/
33 https://www.semafor.com/article/12/23/2025/ecuadorian-presidents-family-banana-business-smuggled-drugs-investigation-finds
34 https://larepublica.pe/mundo/2025/12/08/gustavo-villatoro-el-hombre-detras-del-plan-de-bukele-y-aliado-de-kast-que-es-vinculado-con-narcotrafico-y-corrupcion-ntpe-538816
35 https://english.elpais.com/international/2024-01-29/how-a-salvadoran-gangster-duped-the-bukele-government-with-a-fake-scheme-to-catch-an-ms-13-fugitive-wanted-by-the-us.html
36 https://www.dw.com/es/l%C3%ADder-pandillero-revela-los-pactos-de-bukele-con-las-maras/a-72412223
37 https://www.latimes.com/espanol/california/articulo/2021-05-17/estados-unidos-senala-de-corrupcion-a-cinco-salvadorenos-dos-integran-el-gabinete-de-bukele
38 https://reporterosdeinvestigacion.com/2022/03/31/los-negocios-entre-el-ex-presidente-ligado-al-narcotrafico-nayib-bukele-y-daniel-ortega/
39 https://www.reuters.com/world/americas/former-honduran-president-released-us-prison-after-trump-pardon-2025-12-02/
40 https://ncnews.com.br/2026/09/23/brasil-e-mexico-ficam-fora-de-alianca-dos-eua-contra-o-crime-organizado-e-desafiam-estrategia-de-trump/
41 https://www.nbcnews.com/politics/trump-administration/former-honduran-president-juan-orlando-hernandez-freed-trump-pardon-rcna246968
42 https://www.newsweek.com/trump-drugs-corruption-panama-hotel-money-laundering-714891
43 https://www.nytimes.com/2025/05/14/world/americas/mexico-cartel-chapo-family.html
44 https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/10/14/eua-estao-enviando-centenas-de-soldados-para-a-america-latina-dizem-autoridades-militares-americanas.ghtml
45 https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2026/09/23/flavio-promete-incluir-brasil-no-escudo-das-americas.ghtm
Geral
A satanização do Irã pela mídia ocidental, um processo em desconstrução
Publicadoo
4 meses atrásem
12/07/26
Eduardo Nunes Campos*
Desde 1979, ano da Revolução Islâmica, o Irã e a sociedade iraniana são rotulados mundo afora como símbolos de terrorismo, de crueldade, de violência, de preconceito. Essa imagem foi sendo sistematicamente construída pelo mainstream ocidental, através das grandes mídias e do cinema, sobretudo a partir dos Estados Unidos e da Europa, em especial o Reino Unido, de seus aliados em outros continentes e dos vizinhos árabes da civilização persa.
Para além das mudanças internas promovidas pelas lideranças xiitas que assumiram o poder, o Irã, antes totalmente subjugado aos interesses dos Estados Unidos e da Inglaterra, tornou-se o país mais anti-imperialista do mundo, minando o poder do Império na Ásia Ocidental. A região passou a ser taxada de Oriente Médio a partir do final do século XIX, refletindo a visão eurocêntrica do continente, que se considerava a grande referência histórica e cultural do planeta.
O isolamento do país na região se expressa na criação do Conselho de Cooperação do Golfo, em 1981, constituído pela Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes, Kwait e Omã. O surgimento da instituição reflete a desconfiança desses países em relação à Revolução Islâmica, mas é instigado pelos Estados Unidos. Em 1980 emerge a “Doutrina Carter”, segundo a qual o país usaria força militar para defender seus interesses no Golfo Pérsico, mirando sobretudo o petróleo e em contraposição à invasão do Afeganistão pela União Soviética. A partir da chamada “Guerra do Golfo” (1990-1991), bases estadunidenses foram instaladas em todos os países do Conselho.

A construção da imagem do Irã como um Estado terrorista contradiz sua história. Desde o final do século XVIII o país não ataca nenhum outro, a não ser revidando agressões sofridas. É oponente declarado das facções islâmicas extremistas e sectárias, como os salafistas, aos quais se vinculam o Al-Qaeda e o Estado Islâmico.
Essa falsa imagem do país forjada pelo Ocidente atingiu diretamente os iranianos, que passaram a ser vistos como um povo violento, atrasado e preconceituoso. A iranofobia é uma junção de estereótipos, xenofobia e islamofobia. O que a torna mais grave ainda é o fato de ter sido assimilada por parte expressiva do mundo progressista, em função da escassez ou mesmo da inexistência, até recentemente, de canais globais de alcance significativo capazes de fazer uma contraposição efetiva ao mainstream.
Ao contrário da visão propagandeada, os iranianos são muito inteligentes e cultos. Amantes das artes, são historicamente conhecidos por sua tapeçaria única, destacando-se também sua arquitetura, a poesia, a música, a caligrafia como arte visual e a produção de filmes excepcionais. Seu lazer inclui também a prática sistemática dos piqueniques envolvendo familiares e amigos.
Destaca-se ainda em sua cultura a celebração do Ano Novo, o Nowruz, que se inicia entre 20 e 21 de março, quando começa a primavera, e se estende por 13 dias. Na véspera da última quarta-feira do ano persa realiza-se um ritual de fogo por todo o país, chamado “Chaharshanbe Suri”, que tem origem no zoroastrismo. As pessoas acendem fogueiras em espaços abertos ao longo da noite e saltam sobre as chamas para se purificar e afastar o que de negativo aconteceu no ano que se passou e emanar energias positivas e saúde para o ano que se inicia.

A sociedade apresenta traços de modernidade que contrastam com outros de natureza conservadora. O homem é considerado o provedor da família e tem que oferecer um dote à mulher quando se casam, mas contingente significativo de mulheres já tem seu lugar no mercado de trabalho. As mulheres, a despeito das restrições que lhes são impostas pela República Islâmica, cujas normas têm forte componente machista, ocupam posição de relevo em várias áreas, constituindo cerca de 60% dos estudantes universitários do país, com destaque para sua presença nas áreas de Engenharia e Ciências.
O índice de natalidade é baixo e o de alfabetização próximo dos 90%, sendo de quase 100% entre os jovens. A taxa de divórcio é elevada, superior a 50% em algumas grandes cidades, sendo parte dessa taxa derivada da pressão da mulher sobre o marido para pagar o dote ou aceitar a separação. As taxas de feminicídio não são conhecidas, mas não há indícios de que sejam elevadas. A legislação, contudo, é leniente com o marido que mata a esposa quando o adultério é inequivocamente comprovado, sendo perdoado ou recebendo uma pena leve, pelo fato de a traição da mulher, e apenas dela, ser considerada crime contra a honra.
Um dado curioso é que, apesar de o aborto e a homossexualidade serem vedados, o Irã é um dos países do mundo em que mais se realizam cirurgias de mudança de gênero, parte das quais custeadas pelo Estado. Está também no topo das rinoplastias, cirurgias para remodelar o nariz, percebidas cotidianamente nas ruas de Teerã. Em sentido contrário, raramente se encontra no Irã um homem usando gravata, vista como símbolo de opressão e da influência imperialista ocidental.
Os iranianos são doces, acolhedores e generosos, talvez como nenhum outro povo em todo o planeta. Estrangeiros que visitam o país são frequentemente convidados para jantares e chás em suas casas e, por vezes, até mesmo a se hospedarem nelas. Tratamento especial é dispensado aos visitantes, quaisquer que sejam eles, parentes, amigos ou aqueles até então desconhecidos. São sempre servidos em primeiro lugar e alvos de permanente atenção dos anfitriões.
A origem dessa hospitalidade e simpatia está na cultura persa e se expressa em um gesto de cortesia conhecido como “taarof”. Quando uma pessoa oferece alguma coisa a outra a praxe é inicialmente ouvir um “não, obrigado” como resposta. Se ela insiste é uma demonstração de que não se trata de uma oferta retórica, mas efetiva. Esse gesto polido é comum até mesmo quando se tem que fazer um pagamento de uma compra ou serviço prestado, quando o credor costuma recusar o dinheiro na primeira tentativa de quitação da dívida.
Mas há um fator adicional à cultura persa que ajuda a entender a postura simpática dos iranianos em relação aos estrangeiros que visitam o país: a consciência de que são um povo estereotipado, hostilizado e objeto de profundo preconceito ao redor do mundo. Sentem-se todos extremamente injustiçados com a visão discriminatória de que são vítimas, sejam os apoiadores da República Islâmica sejam seus opositores, que concordam, em maior ou menor grau, com críticas dirigidas ao sistema de poder e não admitem ser confundidos com ele.
Nem tudo, entretanto, são flores na sociedade iraniana para os não nativos no país. Os árabes, com quem são confundidos com frequência, são alvos de um enorme preconceito, cuja origem remonta ao passado de ambas as civilizações. Pertencem a grupos étnicos, linguísticos e culturais distintas, sendo a maioria dos iranianos de origem persa, havendo também um contingente significativo de azeris e curdos e em menor grau de outras etnias. Essa diversidade inclui até mesmo árabes, que constituem cerca de 2% da população nativa.
Adicionam-se às diferenças históricas as religiosas e as disputas pela hegemonia da região. Os iranianos que professam o islamismo são adeptos da corrente xiita, enquanto a maioria dos países árabes são de maioria sunita, exceção feita ao Iraque e ao Bahrein. Há também zoroastristas, judeus e cristãos no país e um número expressivo de seculares e ateus nas camadas mais jovens.
A guerra em curso e a primeira ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o país, em junho de 2025, estão tendo um papel importante na desconstrução dessa falsa imagem do Irã e de seu povo. A mídia convencional do Ocidente já não consegue esconder que o Irã é a vítima e não o algoz, ainda que continue se esforçando para sustentar que, em última instância, o país é o responsável pelos conflitos na região, e não a aliança entre o Império e os sionistas.
A unidade dos iranianos contra as agressões de que são alvos é um outro fator importante de desmascaramento da mídia mainstream. Não se trata de ignorar as contradições do país, o descontentamento de parcela considerável da população com a República Islâmica, mas de defender a sua soberania e da compreensão majoritária de que cabe aos iranianos, e tão somente a eles, resolverem os seus problemas internos.
O expressivo fortalecimento da mídia alternativa tem também cumprido um papel de grande relevo nesse processo. Cresce significativamente o alcance de canais progressistas no youtube, a plataforma substack, os sites contra-hegemônicos. Não por acaso, recente pesquisa feita a partir dos Estados Unidos constatou que Israel é hoje o país mais odiado do planeta, além de ter perdido o apoio da maioria da população estadunidense, o que seria impensável até alguns anos atrás.
O resgate das enormes qualidades do povo iraniano, de sua inteligência, de sua sabedoria e de sua cultura não deve ser visto apenas como uma reparação das injustiças que contra ele têm sido cometidas ao longo das últimas décadas, mas como um aprendizado para os segmentos progressistas da sociedade mundial que se deixaram enganar pelas falácias da mídia convencional do Ocidente. Ao mesmo tempo é imprescindível reconhecer e valorizar as ações anti-imperialistas da República Islâmica do Irã, independentemente de diferenças culturais ou mesmo ideológicas que se possa ter com ela.
(*) Jornalista
Internacional
IRÃ: A GUERRA DAS CRIANÇAS
Irã se prepara para receber 20 milhões de peregrinos nas cerimônias de despedida do aiatolá Khamenei, que se iniciam na próxima sexta-feira (3)
Publicadoo
4 meses atrásem
02/07/26
Assassinato de 168 meninas, além do aiatolá Ali Khamenei, no primeiro dia dos bombardeios americanos-sionistas contra o Irã, mobiliza o país persa e engaja as crianças
O Irã se prepara para uma colossal manifestação de unidade nacional a ser realizada durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, que se iniciarão na próxima sexta-feira (3), quatro meses depois de seu assassinato, no dia 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra mais recente dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Há quatro meses, o presidente Donald Trump anunciava seu principal objetivo: derrubar a teocracia xiita, que governa o Irã desde a revolução islâmica de 1979, e se apossar das suas imensas reservas petrolíferas nacionais. Quatro meses depois, o Irã segue insubmisso já que logrou impor duras derrotas à coalizão EUA-Israel. E é nesse quadro, tendo conquistado um acordo de paz ainda frágil, que o Irã se organiza para receber estimados 20 milhões de peregrinos nas cerimônias fúnebres que homenagearão Ali Khamenei.
Uma pequena amostra desses preparativos foi o que os observadores brasileiros puderam testemunhar na noite de ontem, sob lua cheia e temperatura de 34 graus Celsius. Em uma praça no norte da capital Teerã, todas as noites desde o assassinato do dia 28 de fevereiro, se reúnem iranianos — a maioria deles praticantes da fé xiita — para homenagear o aiatolá Ali Khamenei, as 168 meninas com idades entre 7 e 12 anos, mortas por bombardeio americano no mesmo dia na escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã, e centenas de outras vítimas da guerra.
A delegação brasileira está hospedada em um hotel localizado a aproximadamente cem metros de um prédio que foi destruído por um bombardeio. As ruínas são visíveis. O clima nas ruas é de calma, mas de luto evidente. As cerimônias noturnas reúnem centenas de pessoas — e, em algumas cidades, milhares. Em Teerã, cidade de 10 milhões de habitantes, essas manifestações ocorrem simultaneamente em várias praças, espalhadas por vários bairros. Os participantes cantam, empunham bandeiras do Irã e choram abertamente. É impressionante o envolvimento das crianças iranianas nessas cerimônias.




O assassinato das 168 meninas na escola de Minab, gerou uma mobilização expressiva entre o público infantil. Na praça onde estive, crianças participavam da cerimônia: agitavam bandeiras, brincavam e cantavam músicas em homenagem às colegas mortas e ao líder supremo morto. “Podia ser eu”, disse um menino de 15 anos à reportagem, depois de sair com uma miniatura do drone Shahed-136, fabricado no Irã, arma de guerra “revolucionária”, segundo o comandante Robinson Farinazzo, da Marinha brasileira. Com um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o Shahed conseguiu confundir os sistemas de defesa dos EUA e esteve envolvido na derrubada de aeronaves norte-americanas e no ataque a navios cargueiros que se aventuraram pelo estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. Cada miniatura do Shahed, impresso em 3D, e vendida na praça, saía pelo equivalente a US$ 3, mesmo preço da miniatura do míssil Fattah-1, outra jóia do arsenal iraniano, um míssil “hipersônico” que viaja em direção ao seu alvo a uma velocidade cinco vezes maior do que a velocidade do som (cerca, 6.100 km/hora). Os meninos adoram.
Segundo a organização do enterro, o corpo do aiatolá Khamenei, em caixão fechado, deixará Teerã nos próximos dias e percorrerá cidades do Irã e do Iraque (Najaf e Karbala), onde se encontram santuários sagrados do islamismo. O enterro ocorrerá no local que ele determinou em testamento.
Segundo a agência de notícias iraniana Fars, uma cerimônia de homenagem para líderes estrangeiros e autoridades de alto escalão está prevista para 3 de julho em Teerã. Cerimônias públicas de despedida estão marcadas para os dias 4 e 5 de julho no Imam Khomeini Mosalla, na capital. Uma procissão fúnebre em Teerã está agendada para 6 de julho. Outras cerimônias estão programadas para 7 de julho em Qom, 8 de julho em Najaf e Karbala, e 9 de julho em Mashhad, cidade no nordeste do Irã, terra natal de Khamenei. Ele será sepultado no Santuário do Imam Reza, um dos locais mais sagrados do Islã xiita.
Em tempo: estou usando véu, em sinal de respeito aos preceitos religiosos xiitas. Também me visto de forma respeitosa em relação dos preceitos religiosos quando compareço a cerimônias católicas, evangélicas, judaicas ou do candomblé. Mas, andando pela cidade de Teerã, vi muitas (muitas mesmo) mulheres sem véu. Trata-se de um sinal evidente de distensão da norma.
Por Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres
Trending
-
8 anos atrásLideranças evangélicas gravam vídeo em apoio a Fernando Haddad
-
Política8 anos atrásA pergunta que precisa ser feita: Haddad foi mesmo o pior prefeito de São Paulo?
-
8 anos atrás12 provas de que Bolsonaro não é patriota, nem honesto, muito menos cristão
-
Lava Jato7 anos atrásGlenn Greenwald anuncia nova bomba: “Hoje é o pior dia para eles”
-
Educação8 anos atrásO massacre que a TV não mostrou em Suzano
-
#EleNão8 anos atrásSegunda ex-mulher de Bolsonaro acusa candidato de espancamento e “desequilíbrio mental”
-
Política8 anos atrásBolsonaro ameaça prender todos os que discordarem dele
-
Eleições Municipais 20169 anos atrásA Impressionante Ficha Corrida de João Doria (em 22 itens)
