Viena: uma cidade que se move

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Por Manolo Ramires, especial para os Jornalistas Livres, de Viena, Áustria

Igual formiga. Essa é a analogia que encontro para definir a utilização das fahrt por Viena, capital da Áustria. As bicicletas brilham pelas ruas, entre os carros e os bondes, modernamente conhecido como monotrilhos. Tem espaço próprio como os pedestres para rasgar toda cidade. Além do que tem todo um cantinho reservado para elas nos ônibus, trens e metros.

No começo, acreditava que as rotas de bike eram maiores apenas pelo centro da cidade que abrigou Freud, mas também Hitler, que foi morada de gênios como Beethoven e Mozart, mas também teve entre suas fileiras os jovens Stalin e Adolph Hitler, mero faz tudo em um hotel no centro da cidade. Contudo, um tour pelas strasses revelam que assim como os carros, as bicicletas têm muitos caminhos para si, transitando por bairros, arquitetura e costumes diferentes.

Foto: Manolo Ramires

Não à toa, é possível ver gente vestida de todas as maneiras em cima das magrelas. Se vê desde quem treina com as roupas coladas, até estudantes, trabalhadores e executivos. Duas cenas em especial me chamaram a atenção. Um judeu atravessando a esquina, provavelmente em direção a “Biblioteca sem nome”, que destaca os milhares mortos em diversos períodos, especialmente na II Guerra Mundial. Ele equilibrava seu quipá enquanto pedalava suavemente usando sua calça social preta e camisa branca. Noutra cena, no final da tarde de verão, lá pelas oito da noite, a jovem moça loira estacionava sua bicicleta de modelo antigo, tipo uma Caloi Ceci, em um dos milhares dos estacionamentos públicos. Magrela protegida, ela atravessa a rua em um vestido branco com frisas ajustado em sua leveza por uma cinta preta e se equilibrando em saltos pretos nas calçadas regulares que a levavam a um concerto de jazz.

Foto: Manolo Ramires

Aliás, em Viena, pedalar é levado muito a sério. Você pode estar sobre duas rodas fazendo o city tour. Só que isso é apenas mais um elemento de uma cidade que quer introduzir o ensinamento do pedal já nas escolas. A ideia é, além de se locomover, dar noções básicas de manutenção da queridinha da cidade. A Agência de Mobilidade e o Radlobby pretendem descomplicar para as crianças o Ciclismo Cidade. De acordo com elas, – apenas cerca de 20 por cento das crianças do ensino fundamental fazem a inspeção das rodas voluntárias.

É um cenário bem distante do que tem ocorrido no Brasil em capitais chamadas cosmopolitas. Em São Paulo, o prefeito João Dória tem apagado as ciclovias e ciclofaixas implementadas na gestão de Fernando Haddad. É só mais uma das ações do governo que tenta marginalizar um veículo de transporte tão ágil e seguro na medida em que a sociedade entenda seu papel e aprenda a conviver com ele. Já em Curitiba, recentemente, um ciclista foi atropelado e morto. O episódio gerou o pedido de um minuto de silêncio na Câmara Municipal a pedido do vereador Goura. O pedido foi ignorado por boa parte dos demais vereadores que deixaram a sessão, mostrando insensibilidade tanto com a morte como falta de visão de futuro.

Voltando a Viena, a bike, tão enaltecida nesta crônica, é mais uma entre as diversas formas de locomoção. Os vienienses andam muito de metrô, de ônibus, de monotrilho, de barco, a pé e também de carro. A cidade, berço de guerras que sempre atravessam suas ruas e pontes do Danúbio Azul, com infantarias e tanques, parece fazer das suas vias e esquinas sempre uma valsa bem executada em que o direito de ir e vir soa como instrumentos bem afinados. Ah, em tempo, que cidade silenciosa.

Foto: Manolo Ramires

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