Universidade Metodista deve demitir, ao menos, 55 professores

Os depósitos do fundo de garantia tanto de professores, quanto funcionários administrativos, estão atrasados desde 2015

A Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), mantida pela Igreja Metodista do Brasil, deve, nessa semana e na próxima, demitir, ao menos, 55 professores da Escola de Comunicação, Educação e Humanidades. Serão atingidos tanto os cursos de graduação, quanto os programas de pós-graduação mantidos pela universidade.

A justificativa da instituição para as demissões são cortes de custos. Porém, a universidade passa por uma desestruturação de sua filosofia e qualidade de ensino. Das licenciaturas que eram oferecidas pela instituição, apenas o curso pedagogia manterá o quadro. Os cursos de Filosofia, Ciências Sociais, Letras e Educação Física devem ser encerrados já em 2018.

A instituição também trabalha internamente para o fechamento do Programa de Pós-Graduação em Administração, programa este que na avaliação realizada pela Capes, órgão responsável pelos programas de pós-graduação no Brasil, manteve seus índices de qualidade e com sinais de progressos. Para acentuar a situação, a universidade demonstra sinais de colapso financeiro.

Professores estão tendo atrasos de pagamento todos os meses, sendo que o 13º salário foi pago, apenas nesta última semana aos funcionários. Os depósitos do fundo de garantia tanto de professores, quanto funcionários administrativos, estão atrasados desde 2015. É comum alunos encontrarem deficiências nos prédios do estabelecimento, o pagamento do satélite de transmissão das aulas EAD não foi realizado, o que quase ocasionou a não transmissão das aulas, prejudicando milhares de alunos em todo o país.

O sentimento de medo e insegurança impera entre todos funcionários e também entre os alunos, já que todos os processos têm sido feitos de forma arbitrária, sem consulta à comunidade.

Por que isso está acontecendo?

A Universidade Metodista de São Paulo tem sido administrada nos últimos anos pela Rede Metodista de Educação, um órgão interno que não existe como pessoa jurídica, que gere as questões financeiras de todas as instituições de ensino Metodista.

Devido a crises financeiras em diversas outras instituições, a Rede foi criada para que houvesse a distribuição de verbas entre os institutos, para que garantisse a saúde financeira de todos. Porém, o que ocorreu é que todas as instituições de ensino geridas pela Metodista passaram a apresentar déficit, já que o dinheiro arrecadado por elas não era o suficiente para manter todos estabelecimentos.

A Rede Metodista tem o direito de gerir as questões financeiras das instituições de ensino, enquanto as questões acadêmicas deveriam ficar por conta das comunidades e reitoria dos estabelecimentos, porém, os reitores que hoje fazem parte da instituição também estão ligados à filosofia empregada pela Rede Metodista, e não à sua comunidade acadêmica.

Gerindo a educação como um produto qualquer, ignorando decisões de colegiados e coordenações de programas.

Enquanto a Rede continua agonizar pela falta de destreza nos negócios financeiros, começa a sangrar o campo acadêmico, ao transferir sua visão mercadológica esvaziada aos espaços acadêmicos. Um espaço de deveria ser de formação de indivíduos, contribuição com a comunidade, já que para os órgãos governamentais é considerada uma instituição comunitária sem fins lucrativos, está passando por um completo desmonte, em nome de um projeto que enxerga a educação como apenas mais uma mercadoria.

Enquanto a situação na Universidade Metodista é irresoluta, seguimos questionando: qual é o fundamento jurídico da Rede Metodista de Educação? Qual a relação entre a Rede e as autoridades eclesiásticas da Igreja Metodista? Afinal, sobre quem recai a responsabilidade pelo governo da mantenedora?

Mídia democrática, plural, em rede, pela diversidade e defesa implacável dos direitos humanos.

Categorias
Educação
Um comentário
  • Inaldo F Barreto
    13 dezembro 2017 at 8:17
    Comente

    Além da crise relacionada aos cursos…sua utilidade, mercado de trabalho, e altos salários, concorrências com centenas de faculdades pelo sistema de Curso à distância (EAD); tem o custo da previdência, Igreja paga pelo sistema de lucro presumido é a taxa mais alta da previdência cerca de 27% sobre a folha de pagamento. Talvez uma saída é o contrato pelo modelo de “intermitentes”.

  • Deixe uma resposta

    AfrikaansArabicChinese (Simplified)EnglishFrenchGermanItalianJapaneseKoreanPortugueseRussianSpanish