TRANSFORMANDO PRÁTICAS NA SAÚDE INDÍGENA.

 

Módulos de Educação Permanente: Formação de profissionais da Saúde Indígena da SPDM.

por Maria Cristina Troncarelli – imagens por Helio Carlos Mello

A formação de profissionais de saúde para atuar com os povos indígenas é uma
demanda antiga e prioritária na saúde indígena, prevista na Política Nacional de Atenção à
Saúde dos Povos Indígenas e apontada como necessidade pelos indígenas, gestores e trabalhadores da
saúde.

Buscando atender essa demanda, através da parceria entre a Secretaria Especial de
Saúde Indígena/Ministério da Saúde (SESAI/MS), Associação Paulista para o Desenvolvimento
da Medicina/Hospital São Paulo/Hospital Universitário (SPDM-HSP/HU) e o Projeto
Xingu/Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo (EPM/UNIFESP) foram
elaborados Módulos de Educação Permanente para os cerca de 800 profissionais de saúde
com formação universitária que trabalham nos Distritos Sanitários Especiais de Saúde Indígena
(DSEI). Os DSEIs contemplados são: Altamira, Araguaia, Cuiabá, Xingu, Kayapó do Mato Grosso,
Kayapó do Pará, Xavante, Rio Tapajós, Alto Rio Negro e Yanomami.

O principal objetivo dos Módulos de Educação Permanente é oferecer aos profissionais
de saúde com formação universitária que atuam nas Equipes Multidisciplinares de Saúde
Indígena (EMSI), nas Casas de Apoio à Saúde Indígena (CASAI) e nas sedes dos DSEI, uma
formação que os prepare para o trabalho em contextos interculturais, aproximando-os da
realidade vivenciada pelos povos indígenas em suas especificidades culturais, territoriais e do
perfil epidemiológico de cada DSEI.

Os Módulos serão desenvolvidos através da educação mediada por tecnologias, com
acesso por internet e oficinas locais. Dispersos em diferentes Terras Indígenas ou nas sedes dos DSEI em vários
municípios do país, os funcionários terão flexibilidade para estudar e aprender acessando a
plataforma digital, adequando o horário de estudo ao seu cronograma de trabalho. A proposta
é autoinstrucional, considerando-se o protagonismo e a autonomia dos profissionais na
condução do seu processo de aprendizado.

A metodologia de ensino-aprendizagem contempla temas relacionados à saúde
indígena, recursos teóricos disponibilizados através de materiais interativos, textos e vídeos e
associados à prática dos profissionais de saúde, como estudos de caso, pesquisas de campo e
questionários. Serão disponibilizados inicialmente quatro módulos, cada um de 90 horas, com
os temas:

– Introdução à Saúde Indígena (Aproximação à realidade e às especificidades culturais dos
povos indígenas; História da Saúde Indígena e do SASI-SUS; a experiência de trabalho
intercultural).

– Vigilância em Saúde Indígena (A Vigilância em Saúde no contexto da saúde coletiva e como
modelo preferencial de Atenção à Saúde Indígena; Organização dos Serviços de Saúde
Indígena).

– Cuidando da criança indígena- doenças prevalentes na infância (Atenção à saúde da criança
indígena; cuidados no período neonatal; acompanhamento do crescimento e
desenvolvimento; abordagem interdisciplinar dos principais agravos na infância).

– Saúde Mental e Povos Indígenas (Sofrimento psíquico e povos indígenas; avaliação individual
e os problemas relacionados à saúde mental; construção de estratégias e as redes de apoio
psicossocial).

Em uma segunda etapa os Módulos irão contemplar outros temas, como Antropologia
e Saúde Indígena; Doenças endêmicas; Tuberculose; Imunização; Saúde da Mulher Indígena;
Síndrome metabólica, diabetes e hipertensão arterial em povos indígenas; Enfermagem e
Saúde Bucal.

A expectativa dos realizadores e parceiros envolvidos na construção e disponibilização
dos Módulos é de que a educação permanente contribua para uma qualificação dos
profissionais de saúde e dos serviços de Atenção à Saúde Indígena.

Lançamento do Projeto de Educação Permanente em Saúde Indígena da SPDM-HSP, Depto de Informática em Saúde-HSP, Projeto Xingu Unifesp e SESAI Ministério da Saúde.

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