Leandro Taques
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp

Primeiro de maio, dia do trabalho.

O povo “celebrado” pela data se vê vencido, sujeitado e encurralado por um golpe que fere, antes de tudo, as suas conquistas. Quão poucas, já roucas.

O trabalhador que não dorme, que se fere, que sangra, que morre. Não entra para a história. Não tem tempo de sonhar, nem sabe o que é sonho. Trabalho imposto, forçado, que deixa a vontade de lado.

Quando é artista, vagabundo ativista. Senão ferramenta da máquina da vida, que enferruja e vai pro lixo. Sem saída. Sem verniz, sem polimento.

“Ai, não encosta essa mão suja, grossa.”

Suja, grossa, sim. Resistência, sobrevivência. Símbolo da minha luta, do pouco ar que me permitiram respirar.

Não tem liberdade, mas dizem que é livre pra escolher. E pra viver?

“Esta cova em que estás, com palmos medida
Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida”

(Funeral de um Lavrador – Chico Buarque)

Midia Ninja

Mas vai entender. Mesmo sabendo ser estatística, visto como “aquela classe”, os carteiras-assinadas se erguem na dor, encontram seus iguais, olham para o céu, fecham os olhos e respiram o ar da luta. Não é a luta pelo trabalho, é pelo trabalhador. É pela dignidade. É pela escolha.

Mesmo com olhos embotados de cimento e lágrima, enfrentam o doutô, enfrentam o futuro e mudam a história de “fim” para “começo”. Das trancas para oportunidades. O suor, enfim, encontra seu verdadeiro trabalho. O trabalho pelo trabalhador.

“O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão
Era ele quem fazia
Ele, um humilde operário
Um operário em construção.
Olhou em torno: a gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.”

(Operário em Construção – Vinícius de Moraes)

COMENTÁRIOS

  • […] Primeiro de maio, dia do trabalho. O povo “celebrado” pela data se vê vencido, sujeitado e encurralado por um golpe que fere, antes de tudo, as suas conquistas. Quão poucas, já roucas. O trabalhador que não dorme, que se fere, que sangra, que morre. Não entra para a história. Não tem tempo de sonhar, nem sabe o que é sonho. Trabalho imposto, forçado, que deixa a vontade de lado. Quando é artista, vagabundo ativista. Senão ferramenta da máquina da vida, que enferruja e vai pro lixo. Sem saída. Sem verniz, sem polimento. “Ai, não encosta essa mão suja, grossa.” Suja, grossa, sim. Resistência, sobrevivência. Símbolo da minha luta, do pouco ar que me permitiram respirar. Não tem liberdade, mas dizem …  […]

  • Meu Deus como o povo brasileiro está pessimista! Levanta gente! Porque não ter esperança, e pensar do lado positivo? Isto nos ajuda a nos sentir melhor assim que o planeta.

  • POSTS RELACIONADOS

    “Bora pra luta?”

    Ela trabalhava como entregadora na Rodovia Fernão Dias, que é considerada uma das mais perigosas do país.
    Preta é mãe solo e hoje trabalha como mototáxista numa rotina de 12h de trabalho.

    >