Sem cocar e cheio de ideias na cabeça

Não são brasileiros em uma nação de política caduca, mas ousam em querer sim um país para todos os povos, terra farta e grande. Terra não é só fazenda, é chão em que se nasce, se pisa firme, se morre dono.

Foto: Hélio Carlos Mello

Por Hélio Carlos Mello

No dia internacional dos povos indígenas, eles não invadiram o Maracanã alimentando alegorias, mas as redes sociais com uma ideia nova na aldeia: uma câmera nas mãos e uma identidade desavergonhada.

Apesar de todo o empenho ao longo da história em dizimá-los ou, no papo furado da integração, mantê-los em tutela, eles são rebelados e inovam, se afirmam índios, guardiões de um fogo sagrado que não é pira olímpica, mas queima a muitos que os negam e degredam.

Não são brasileiros em uma nação de política caduca, mas ousam em querer sim um país para todos os povos, terra farta e grande.  Terra não é só fazenda, é chão em que se nasce, se pisa firme, se morre dono.

Foto: Hélio Carlos Mello/Jornalistas Livres

Foto: Hélio Carlos Mello/Jornalistas Livres

Dos jogos olímpicos dizem que é belo. Dos índios sei a dor e resistência. A arte, essa sim esplendorosa, aliás, é deles todo pertencimento, entre linhas e tramas sempre se firmaram além da ordem e progresso, e com um vermelho de urucum nas mãos.

Bom em festa internacional falar de índio, negros escravos e sustentabilidade. Triste falsearmos aonde, em vão, cantam ao mundo e o índio do Brasil não está, pois aqui ainda se mata índio com bala, se coloca-os a margens das vias, lhes negam direitos, se revisam conquistas.

Deveriam todos que querem falar dos povos indígenas sentarem-se nos pequenos bancos no centro da aldeia e conversar com velhos índios e ouvir as longas histórias das mulheres. Índio se aprende olho no olho.

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